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Vale a Pena Investir em Fundos de Índice?

Quando o assunto é investir em ações, existem duas principais estratégias que são utilizadas. A primeira delas é o que chamamos de investimento ativo, ou seja, você vai selecionar ativamente um conjunto de ações e montar uma carteira. O objetivo dessa estratégia é ter retornos acima do índice de referência (benchmark) no longo prazo. No Brasil, o índice utilizado é o Ibovespa; nos Estados Unidos, o maior e mais importante índice é o S&P 500.

A segunda maneira de investir em ações é com a estratégia passiva. Nesse caso, acredita-se que obter retornos acima do mercado no longo prazo é uma tarefa muito difícil e que a maioria dos gestores de fundos de investimento não conseguem superar seus índices. Um fundo passivo investe nas mesmas ações e na mesma proporção que seu índice de referência. Por exemplo, se uma ação representa 5% de um índice, o fundo alocará aproximadamente 5% de seus recursos nessa ação.

Uma forma de seguir uma estratégia ativa de gestão é comprar ações sozinho e montar uma carteira, porém, para a maioria das pessoas, a forma mais comum de realizar uma estratégia ativa de investimentos é por meio de fundos de investimento. de realizar uma estratégia ativa de investimentos é por meio de fundos de investimento. Em um fundo, um gestor e uma equipe de analistas realizam análises de mercado, empresas e setores para encontrar as melhores oportunidades do momento. Para prestar esse serviço, o fundo cobra uma taxa de gestão e uma taxa de performance de seus cotistas. Via de regra, nos fundos de ações, essa taxa costuma ser 2% de gestão + 20% de performance.

É importante perceber que, com uma estratégia passiva, o fundo não possui grandes despesas operacionais, pois o gestor não está constantemente comprando e vendendo ações e, também, porque ele não precisa de uma equipe de analistas para seguir a estratégia. Consequentemente, a taxa de gestão desses fundos costuma ser muito baixa, geralmente abaixo de 0,30% ao ano.

O Problema da Consistência

O gráfico abaixo demonstra a porcentagem de fundos ativos americanos que investem em ações e que apresentaram um desempenho abaixo do índice S&P 500 ao longo dos anos.

Olhando o gráfico, você pode chegar à conclusão de que a grande maioria dos fundos ativos dos Estados Unidos não apresentam um bom retorno. Mesmo assim, 40% deles superaram o índice em 2023, e 49% superaram em 2022. Então, por que não investir nesses poucos fundos que superaram o índice?

O problema é que você não tem como saber com antecedência quais serão esses fundos para o próximo ano. Pouquíssimos fundos ativos que tiveram uma excelente performance em um ano acabam replicando o mesmo sucesso no ano seguinte.

A consistência dos retornos dos fundos passivos é uma de suas principais vantagens. Isso ocorre porque os fundos passivos têm uma estratégia clara: seguir o desempenho de um índice de mercado de forma fiel, sem tentar superá-lo. Essa abordagem gera previsibilidade e, na maioria das vezes, oferece retornos alinhados com o crescimento de longo prazo do mercado como um todo. Os Estados Unidos têm a maior economia do mundo e, consequentemente, as maiores empresas do mundo. Conforme a economia americana se desenvolve e novas tecnologias são descobertas, as empresas se beneficiam e crescem cada vez mais, valorizando suas ações

O retorno médio anualizado do S&P 500 desde seu início em 1928 até 31 de dezembro de 2023 é de 9,90%. Por mais que esse retorno não pareça muito alto, primeiro, temos que lembrar que ele está expresso em dólares e, segundo, o juro composto tem um poder enorme de multiplicação de patrimônio no longo prazo.

Por outro lado, como mencionamos acima, os fundos ativos costumam ser inconsistentes. Isso acontece porque os gestores tentam superar o mercado com base em previsões, mas o mercado é imprevisível e influenciado por uma série de fatores, como a economia global, a política e eventos inesperados. Mesmo que um fundo tenha um bom desempenho em um ano, é difícil manter essa performance de forma consistente, já que a estratégia que funcionou em um período pode não funcionar em outro; as premissas que deram certo em um ano não serão as mesmas para o próximo.

Outro ponto importante é que, mesmo que um gestor de um fundo ativo consiga superar seu índice de referência, ele precisa ter uma rentabilidade de pelo menos 2% acima do índice, pois essa é a taxa de gestão que normalmente é cobrada. Ou seja, mesmo que o gestor consiga uma rentabilidade de 1% acima do índice, o investidor terá uma rentabilidade abaixo do índice, por conta do custo da taxa de gestão.

Por mais que alguns grandes investidores tenham ficado famosos por terem retornos consistentes acima do mercado durante muito tempo, como por exemplo, Warren Buffet, Peter Lynch, Ray Dalio e Carl Icahn, a probabilidade é de que você tenha retornos abaixo da média. A maioria dos investidores é imediatista, toma decisões com base nas últimas notícias e adora seguir as tendências do momento. Some isso à incapacidade de verificar se uma ação está cara ou barata, e você tem a receita perfeita para ter retornos abaixo da média no longo prazo.

Um exemplo perfeito disso é o caso da Nvidia. Essa empresa americana de tecnologia desenvolve unidades de processamento gráfico (GPUs) e tecnologias de computação avançada. Ela já era uma empresa relativamente grande, mas cresceu de forma extremamente rápida nos últimos anos por conta de sua atuação na produção de chips e semicondutores para a área de Inteligência Artificial. Em 2023, a ação da empresa subiu mais de 238%. Tendo em vista que a ação já tinha se valorizado muito e que ela estava sendo negociada a múltiplos elevados, muitos gestores de fundos optaram por vender as ações. O problema é que, em 2024, até a data deste artigo, a ação se valorizou mais de 140%. Esses gestores que venderam as ações no começo do ano perderam essa rentabilidade adicional e, provavelmente, estão com uma rentabilidade abaixo do índice de referência.

Levando todos esses dados em consideração, um consenso vem se estabelecendo nos EUA de que a melhor maneira de investir em ações é por meio de fundos passivos. Em 2024, o montante total aplicado em fundos passivos dos EUA ultrapassou, pela primeira vez, o montante aplicado em fundos ativos; essa mudança de preferência cresce cada vez mais.

Observe no gráfico abaixo o saldo total de aplicações e resgates dos fundos ativos e passivos nos últimos anos. Podemos verificar claramente a tendência de maiores aplicações em fundos passivos.

Fundos de Índice no Brasil

No Brasil, os fundos de índice funcionam da mesma maneira; eles costumam ser mais diversificados que os fundos ativos, possuem uma baixa taxa de gestão e alta liquidez. O maior problema de investir nesses fundos no Brasil é que o nosso índice de ações, o Ibovespa, é mais concentrado em empresas de setores cíclicos, como commodities e bancos; isso faz com que o índice seja mais volátil do que seu par americano.

Outro problema é o ambiente econômico do Brasil. Nosso país enfrenta maior instabilidade econômica e política, com crises frequentes, alta inflação e vulnerabilidade a fatores externos, como variações nos preços de commodities. Isso reduz a confiança dos investidores internacionais e afeta o crescimento das empresas.

Além disso, o Brasil tem historicamente taxas de juros elevadas, o que torna os investimentos em renda fixa mais atraentes e reduz a demanda por ações. Nos Estados Unidos, as taxas de juros são mais baixas, incentivando os investidores a buscar retornos maiores no mercado acionário, o que impulsiona a valorização das ações.

Veja abaixo as 20 maiores ações que compõem o Ibovespa e o S&P 500:

A primeira coisa que podemos perceber é que, como mencionado anteriormente, as maiores empresas brasileiras são do setor de commodities e do setor financeiro, além de o Ibovespa ser muito mais concentrado em poucas empresas. As 20 maiores ações representam 68,8% do índice. Por outro lado, o S&P 500 é muito mais diversificado; suas maiores ações são do ramo de tecnologia, e as 20 maiores ações representam 40,7% do índice.

De acordo com uma pesquisa de um escritório de investimentos, o Ibovespa apresentou um retorno de aproximadamente 11,9% ao ano desde 1994, no início do Plano Real. Por mais que esse resultado seja maior que os 10% do S&P 500, devemos lembrar que:

  1. A rentabilidade do Ibovespa é em Reais e o S&P 500 é em dólares;
  2. Grande parte dessa valorização está no período de 1994 – 2008 quando o Brasil presenciou uma fase de grande crescimento econômico;
  3. A rentabilidade anualizada do CDI desde 1994 foi de aproximadamente 15,5%;
  4. O IPCA anualizado desde 1994 foi de aproximadamente 6,9%;

Considerando essas informações, podemos chegar na conclusão de que ter investido no índice Ibovespa desde 1994 não teria sido um bom negócio. Sua rentabilidade seria menor que a da renda fixa no período.

Um ponto importante é que devemos prestar atenção ao efeito da desvalorização da moeda brasileira ao longo do tempo. Quando olhamos o gráfico de rentabilidade do Ibovespa, observamos que ele está no seu topo histórico. Porém, ao observar o Ibovespa cotado em dólares, percebe-se que seu topo histórico foi em 2008 e, atualmente, ele já se desvalorizou 70% em relação à sua máxima.

Veja abaixo a rentabilidade do Ibovespa cotado em dólares:

Conclusão

Após observar diversas estatísticas sobre a rentabilidade, eficiência e consistência dos fundos de índice, pode-se dizer que sim, vale a pena investir nesse tipo de fundo quando estamos falando sobre o mercado de ações americanas.

A economia americana é a maior e mais influente do mundo; as empresas americanas também são as maiores, mais inovadoras e mais lucrativas do mundo. Seguir o índice americano, como, por exemplo, o S&P 500, historicamente foi um bom negócio. Poucos fundos ativos de ações conseguem superar o índice e, mesmo que consigam em um ano, têm dificuldade de manter essa boa performance no longo prazo.

Ao investir em um fundo de índice de ações americanas você automaticamente já garante os seguintes benefícios:

  1. Maior diversificação de risco entre as maiores empresas americanas, no caso do S&P 500, as 500 maiores empresas;
  2. Custos baixos: você economiza uma quantidade significativa de dinheiro no longo prazo por conta das baixas taxas de gestão;
  3. Transparência de alocação: você sabe exatamente em quais empresas está investindo;
  4. Facilidade de acesso, qualquer um consegue acessar esses fundos através de uma corretora e contar com uma alta liquidez;
  5. Contar com um retorno histórico muito atrativo. Por mais que retornos passados não sejam garantias de retornos futuros, o índice de ações americanas se demonstrou muito resiliente ao longo dos anos.

Por outro lado, quando falamos sobre o Brasil, a melhor opção que temos até o momento é continuar utilizando fundos ativos de ações. É importante perceber que essa decisão não é porque os gestores de fundos do Brasil sejam melhores que os gestores americanos, mas sim porque nosso índice de ações não é bom.

O Ibovespa é um índice muito concentrado em poucas empresas de commodities e bancos, dois setores muito cíclicos. O índice apresenta baixa diversificação e, em diversas janelas de tempo, apresentou uma rentabilidade inferior à renda fixa. A economia brasileira também não é tão dinâmica quanto a americana; isso, somado a diversos outros problemas institucionais, faz com que o Brasil seja um lugar difícil para as empresas prosperarem.

No Brasil, os gestores ativos têm maior potencial de gerar um retorno acima do mercado, justamente pela ineficiência do mercado local e pela menor cobertura de analistas. A habilidade de um bom gestor em identificar empresas subvalorizadas, setores em crescimento ou tendências econômicas pode gerar resultados significativamente melhores do que o desempenho do índice Ibovespa.

Investir em fundos ativos tende a ser mais vantajoso no Brasil porque o mercado é menos eficiente, menos diversificado e mais volátil. Isso cria oportunidades para gestores de fundos ativos gerarem retornos superiores, principalmente ao navegar pelas peculiaridades do mercado local. Nos Estados Unidos, a eficiência, a ampla diversificação e os baixos custos dos fundos passivos geralmente os tornam a melhor opção para a maioria dos investidores, pois superam muitos fundos ativos em longo prazo.

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Luiz Massini

Sou formado em Economia pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (2021) e atualmente atuo na área de Corporate Banking, com foco em análise de crédito, análise setorial e análise de demonstrativos financeiros, no segmento Large Corporate.

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