Ao contrário do que muita gente ainda acredita no Brasil, investir em ações é uma das melhores maneiras de se acumular e aumentar patrimônio no longo prazo.
Ao investir em ações de uma empresa, você basicamente se torna sócio do negócio e receberá uma porcentagem dos lucros na mesma proporção do seu investimento. Por isso, é muito importante entender onde você está investindo e o por que. Ao colocar o seu dinheiro em uma empresa, esperamos que ela continue crescendo, seja bem administrada e entregue uma boa lucratividade ao longo do tempo.
Uma das maiores dúvidas ao começar a investir é “qual ação escolher e por que? “. Uma maneira simples de resolver esse problema é investir por meio de fundos de investimento, acredito que, para a maioria das pessoas, essa seja a melhor opção de investimento.
Por que Investir em Fundos de Ações?
Se você optar por investir diretamente em ações, será necessário selecionar as empresas, avaliar se estão com preços atrativos ou elevados, analisar o seu potencial de crescimento e montar uma carteira diversificada.
Esse processo exige conhecimento, esforço e demanda tempo. Além disso, caso você seja como a maioria dos brasileiros e aporte mensalmente até R$3.000, será difícil alcançar uma diversificação adequada, o que pode aumentar os riscos e prejudicar seus rendimentos.
Com esse valor de aporte, pode ser difícil adquirir um lote inteiro de algumas ações e, para ter uma diversificação adequada é necessário comprar mais de uma ação por mês. Para fazer isso, o mercado fracionário será a única opção.
O problema é que fazer várias compras no mercado fracionário não é eficiente, seus custos operacionais serão muito elevados e vão impactar sua rentabilidade.
Um fundo de investimento (gestão ativa) é capaz de solucionar todos esses problemas. Independente do valor aplicado, você estará investindo em uma carteira de ações, garantindo assim os benefícios da diversificação. A equipe de gestão cuidará da seleção das ações e da estratégia de investimentos, fazendo com que a rentabilidade do fundo, na maioria das vezes, seja superior à sua carteira individual de ações.
Porém, com tantos fundos disponíveis no mercado, como encontrar os melhores? Vamos verificar qual os critérios que você precisa levar em consideração na hora de escolher um bom fundo.
1. Fundos Independentes
Fundos de investimento independentes são geridos por gestoras que não pertencem a grandes instituições financeiras, como bancos ou seguradoras e, por isso, possuem algumas vantagens e benefícios, como por exemplo:
- Gestão especializada: É comum que gestoras independentes se especializem em áreas específicas do mercado. Por exemplo, algumas gestoras só operam com renda fixa, outras só ações ou só multimercado;
- Agilidade: Por serem menores e menos burocráticas, as gestoras podem responder de forma mais rápida às mudanças no mercado;
- Skin in the game: Nas gestoras independentes é comum que os gestores tenham o próprio capital investido no fundo, garantindo um maior alinhamento de interesses;
- Foco na performance: Toda a receita da gestora depende do sucesso e da performance do fundo, por isso elas tendem a ser mais agressivas na busca por rentabilidade.
Essas características fazem com que os fundos independentes tenham, na média, uma performance melhor que fundos que pertencem a bancos, corretoras e seguradoras.
2. Estratégia
Existem várias maneiras de se ganhar dinheiro com ações, e por isso é fundamental entender a estratégia do fundo.
Alguns fundos evitam determinados setores, outros investem exclusivamente em empresas grandes ou pequenas, enquanto alguns focam apenas em empresas que pagam muitos dividendos. Sem compreender a estratégia do fundo, é difícil entender de onde vem sua rentabilidade.
É comum que gestores prefiram manter a volatilidade do fundo baixa para não assustar os cotistas. Para isso, eles montam uma carteira bem diversificada, com uma grande quantidade de ações de diferentes empresas. Consequentemente, a rentabilidade tende a não se desviar muito do mercado.
Por outro lado, alguns gestores buscam obter a maior rentabilidade possível, independentemente da volatilidade. Para isso, investem em uma carteira mais concentrada, com poucas ações de empresas menores ou com forte desconto.
A gestão pode ter uma filosofia de “Value Investing”, focada na compra de ações subvalorizadas pelo mercado, com base em seus fundamentos e com boa perspectiva de ganho no longo prazo. Por outro lado, pode optar por uma estratégia mais dinâmica, realizando mais “trades” e com uma visão de curto prazo.
Para descobrir a estratégia da gestora e do fundo, basta consultar os documentos do fundo, acessar o site da gestora, e buscar entrevistas, matérias e conteúdos sobre o gestor.
De forma geral, a maioria dos fundos de ações se encaixam nessas 3 categorias:
- Long Only: Esses fundos investem apenas em posições compradas (long) em ações, ou seja, eles compram ações esperando que seu preço suba. Eles não fazem operações vendidas (short) nem utilizam alavancagem. Essa estratégia busca capturar a valorização das ações no longo prazo. A maioria dos fundos de ações são Long Only;
- Long Biased: Os fundos Long Biased também têm uma predominância de posições compradas em ações, mas são mais flexíveis que os Long Only pois eles podem assumir posições vendidas. Uma posição vendida (short) significa “apostar na queda de uma ação”, ou seja, você busca ganhar quando o preço cai, essa posição é adotada em momentos desfavoráveis do mercado Assim, buscam uma combinação de proteção e rentabilidade, diminuindo o risco em períodos de maior volatilidade. Fundos com essa estratégia são mais escassos e normalmente possuem “Long Biased” ou “LB” no nome.
- Alavancados: Esses fundos utilizam alavancagem, ou seja, operam com um volume de capital maior que o patrimônio real do fundo (pegando dinheiro emprestado). Com isso, aumentam o potencial de retorno (ou perda) ao maximizar a exposição a ações, contratos futuros ou outros ativos. Por conta desse potencial de ganhos e perdas amplificados, os fundos alavancados tendem a ter uma volatilidade maior.
3. Confie, mas Verifique
Imagine que você assista a uma entrevista com o gestor de um fundo, onde ele se apresenta como adepto do “value investing”, afirmando investir nas melhores e mais sólidas empresas, que, por algum motivo, estão sendo negociadas abaixo de seu valor justo.
Convencido pelas estratégias e convicções do gestor, você decide investir no fundo. Porém, algum tempo depois, o fundo registra um grande prejuízo, enquanto o restante do mercado está em alta. Algo parece estar errado.
Ao investigar, você descobre que o gestor investiu em diversas empresas problemáticas, algumas até em recuperação judicial, que se revelaram um péssimo negócio.
Felizmente, você pode evitar essa situação verificando em quais ações o fundo está investindo. No site da CVM, é possível consultar a carteira de ações de um fundo de investimento, embora os dados sejam disponibilizados com um atraso de 6 meses.
4. Compare o Histórico
A melhor estratégia para encontrar um bom fundo é fazer comparações entre eles.
Por mais que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura, fundos que consistentemente apresentam bom desempenho tendem a manter essa trajetória, enquanto fundos com resultados medíocres tendem a continuar assim.
Gosto de comparar o desempenho de anos fechados e janelas de 5 anos. Por exemplo, verifico os melhores fundos de 2018, 2019, 2020, 2021, 2022 e 2023, e depois vejo quais se destacaram nesse período de 5 anos.
Não acho relevante fazer comparações em janelas maiores, pois o que aconteceu em 2010 ou 2015 já não reflete a realidade atual, dado que o mercado, as empresas e o cenário econômico mudaram bastante desde então.
Os fundos adoram destacar sua rentabilidade excepcional em propagandas do tipo: “Rentabilidade X vezes maior que o Ibovespa!”. No entanto, ao analisar de perto, você descobre que toda essa rentabilidade ocorreu há 15 anos, enquanto o resultado mais recente, dos últimos 5 anos, foram bem medíocres. Por isso, é fundamental ficar atento e não se deixar levar apenas por números passados.
Também é importante comparar o fundo com a rentabilidade do Ibovespa. Vale lembrar que nenhum gestor faz milagres: se o mercado como um todo está em queda, o fundo provavelmente também enfrentará perdas.
Confira abaixo a comparação da rentabilidade de sete dos fundos de ações mais famosos do mercado, todos com mais de R$ 400 milhões sob gestão, em relação ao desempenho do Ibovespa nos últimos cinco anos, até 24/10/2024.


É interessante notar que, nos últimos 5 anos, com exceção do fundo alavancado, todos superaram o Ibovespa. Como mencionamos no último artigo, investir no Ibovespa não é uma boa opção de investimento.
Os quatro fundos com maior rentabilidade adotam uma estratégia de carteira concentrada em poucas empresas, o que resulta em maior volatilidade. A análise e seleção de poucas empresas com preços descontados se mostraram bem-sucedidas nos últimos anos.
O fundo Long Biased conseguiu apresentar uma boa rentabilidade, mantendo a menor volatilidade entre seus pares, e não registrou rentabilidade negativa em nenhum ano desde sua criação, em 2019.
O Fundo 1, por sua vez, utiliza uma estratégia clássica de “value investing” com uma carteira bem diversificada. Embora tenha superado o Ibovespa, apresentou uma relação risco retorno inferior que seus pares, que tiveram maiores retornos com a mesma volatilidade.
Por fim, o fundo alavancado teve o pior desempenho no período, principalmente devido às perdas significativas durante a pandemia. Embora a alavancagem possa gerar bons retornos em mercados em alta, ela também pode levar à destruição do patrimônio em períodos de queda, como demonstrado aqui.
Conclusão
Os fundos de ações oferecem uma maneira prática e acessível de investir em ações, permitindo que investidores aproveitem a experiência de gestores profissionais para obter retornos que, na maioria das vezes, são superiores ao que conseguiriam sozinhos.
Com aplicação mínima a partir de R$ 100, esses fundos são uma alternativa atrativa para pequenos investidores, que encontram neles um nível de diversificação difícil de alcançar em investimentos diretos com aportes menores.
Gestoras independentes possuem mais mais liberdade para adotar estratégias ágeis e diferenciadas e, por isso, têm um diferencial importante. O gestores, geralmente mais alinhados aos interesses dos cotistas e com menos restrições burocráticas, conseguem aproveitar as mudanças de mercado com maior agilidade.
Por fim, conhecer bem a estratégia de cada fundo é essencial. Com uma ampla variedade de fundos no mercado, cada um com seu nível de risco e abordagem específica, é fundamental escolher um fundo alinhado ao seu perfil de risco. Comparar diferentes opções ajuda a encontrar gestores de alto desempenho e evita surpresas, principalmente ao considerar fundos com retornos históricos elevados, mas rentabilidade recente abaixo do esperado.
Você já investe em fundos de ações? Está satisfeito com a sua rentabilidade? Deixe abaixo nos comentários!



