Renda Fixa – Recorte Financeiro https://recortefinanceiro.linkan.com.br Blog Wed, 15 Jan 2025 10:00:08 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Os Principais Tipos de Risco nos Investimentos https://recortefinanceiro.linkan.com.br/os-principais-tipos-de-risco-nos-investimentos/ Wed, 15 Jan 2025 10:00:08 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=1375 O que é Risco?

No mundo das finanças, o risco é a possibilidade de que o resultado de um investimento ou ganho seja diferente do esperado. Ele inclui, também, a chance de perder parte ou todo o valor inicialmente investido.

De forma mensurável, o risco é geralmente avaliado considerando comportamentos e resultados históricos. Uma métrica comum para quantificar o risco é o desvio padrão, que mede a volatilidade dos preços de um ativo em comparação às suas médias históricas em determinado período.

Compreender os fundamentos do risco e como ele é medido é essencial para gerenciá-lo de maneira eficaz. Conhecer os diferentes tipos de risco aplicáveis a cada cenário e as formas de mitigá-los permite que investidores e gestores evitem perdas desnecessárias.

Pontos importantes:

  • O risco pode ser entendido como a chance de que o ganho real de um investimento seja diferente do esperado.
  • Inclui a possibilidade de perda parcial ou total do investimento.
  • Há diversas formas de risco e métodos para quantificá-lo em análises.
  • Estratégias como diversificação e hedge ajudam a reduzir o risco.

Princípios Básicos Sobre Risco

Todos nós enfrentamos algum tipo de risco diariamente, seja ao dirigir, caminhar pela rua, planejar o uso de recursos ou investir. No universo dos investimentos, fatores como personalidade, estilo de vida e idade desempenham um papel fundamental na definição da gestão individual de risco. Cada investidor possui um perfil único de risco, que reflete sua disposição e capacidade de lidar com incertezas. Em geral, à medida que os riscos de um investimento aumentam, os investidores esperam retornos maiores como compensação.

Um conceito central em finanças é a relação entre risco e retorno: quanto maior o risco que um investidor está disposto a assumir, maior o potencial de retorno. Diferentes tipos de risco exigem diferentes níveis de compensação. Por exemplo, os títulos do Tesouro dos EUA são considerados investimentos extremamente seguros, oferecendo retornos mais baixos. Em contrapartida, um título corporativo apresenta um risco maior de inadimplência, devido à possibilidade de falência da empresa emissora, e, portanto, oferece um retorno mais alto como compensação ao investidor.

O risco é frequentemente avaliado por meio da análise de dados históricos e métricas quantitativas. Uma das métricas mais comuns em finanças é o desvio padrão, que mede a volatilidade dos valores de um ativo em relação à sua média histórica. Um desvio padrão elevado indica maior volatilidade e, consequentemente, maior risco associado.

Tanto investidores quanto gestores financeiros e empresas podem desenvolver estratégias para gerenciar os riscos relacionados aos seus investimentos e atividades. Diversas teorias, métricas e métodos foram desenvolvidos para medir, analisar e administrar riscos, como o desvio padrão, beta, Value at Risk (VaR) e o Modelo de Precificação de Ativos de Capital (CAPM). A medição e quantificação do risco permitem que investidores e gestores mitiguem parte das incertezas por meio de estratégias como a diversificação entre ativos descorrelacionados. Essas ferramentas (que veremos mais detalhadamente em uma próxima postagem) são essenciais para reduzir a exposição e alcançar maior segurança em decisões financeiras.

Existe Algum Investimento “Sem Risco”?

Apesar de nenhum investimento ser completamente isento de riscos, alguns ativos apresentam tão pouco risco prático que são considerados “livres de risco” ou “quase livres de risco”. Esses ativos são amplamente utilizados como referência (benchmark) para análise e medição de riscos no mercado financeiro.

Os ativos livres de risco geralmente oferecem uma taxa de retorno esperada com risco praticamente nulo. Investidores de diversos perfis utilizam esses instrumentos como reservas de emergência ou para alocar recursos que precisam ter uma liquidez imediata.

No mercado brasileiro, exemplos clássicos de ativos considerados livres de risco incluem o Tesouro Selic, que é um título público emitido pelo Tesouro Nacional, indexado à taxa básica de juros da economia (a Selic). Devido ao seu baixo risco de crédito e alta liquidez, o Tesouro Selic é amplamente utilizado como referência para investimentos de baixo risco. Outro exemplo são os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos por bancos, desde que estejam cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege valores de até R$ 250 mil por CPF e por instituição.

No entanto, mesmo esses ativos têm riscos residuais. O Tesouro Selic, por exemplo, depende da solidez fiscal do governo federal, enquanto os CDBs podem expor o investidor ao risco de crédito acima do limite garantido pelo FGC. Ainda assim, por conta da confiança no governo e da proteção oferecida em caso de falência bancária, esses ativos continuam sendo fundamentais para estratégias de preservação de capital e controle de riscos no Brasil.

Risco e Horizonte de Tempo

O horizonte de tempo é um elemento crucial na avaliação e gestão de riscos nos investimentos. Quando um investidor precisa de recursos disponíveis a curto prazo, ele tende a evitar ativos de maior risco ou com baixa liquidez. Nessas situações, é mais provável que opte por instrumentos financeiros mais seguros, como ativos de alta liquidez e baixo risco.

Por outro lado, o horizonte de tempo pode influenciar significativamente a composição do portfólio de investimentos. Investidores mais jovens, que têm mais tempo até a aposentadoria, geralmente possuem maior tolerância ao risco, pois podem aguardar a recuperação de perdas e buscar retornos mais elevados em ativos de maior volatilidade. Já investidores mais próximos de alcançar seus objetivos financeiros, como aposentadoria, costumam preferir aplicações menos arriscadas, que garantam maior segurança e liquidez para o uso imediato dos recursos.

Diferença entre Risco Sistêmico e Não Sistêmico

O risco financeiro pode ser dividido em duas categorias principais: risco sistêmico e risco não sistêmico, cada um impactando os investimentos de maneiras diferentes.

O risco sistêmico refere-se ao impacto de eventos que afetam todo o mercado ou sistema financeiro. É um risco amplo, causado por fatores como crises econômicas, instabilidade política ou mudanças globais nas condições de mercado. Como exemplos, podemos citar a crise financeira de 2008 e a pandemia de COVID-19, que provocaram quedas generalizadas nos mercados. Chamamos esse tipo de risco de “não diversificável”, pois ele afeta todos os agentes do mercado e são imprevisíveis, sendo quase impossível de se proteger contra ele.

Por outro lado, o risco não sistêmico é específico de uma empresa, setor ou ativo. Ele está relacionado a fatores como má gestão, mudanças regulatórias ou problemas operacionais em uma organização. Por exemplo, uma queda nas ações de uma empresa devido a escândalos internos representa risco não sistêmico. Diferentemente do risco sistêmico, ele pode ser amplamente reduzido por meio da diversificação de portfólio, que distribui investimentos em diferentes empresas e setores.

Além dos riscos sistemáticos e não sistemáticos, vamos verificar os principais tipos específicos de risco, incluindo:

1) Risco de Crédito ou Default

O risco de crédito é a possibilidade de que um tomador de empréstimo não consiga cumprir suas obrigações financeiras, como o pagamento de juros ou o reembolso do valor principal de um título ou empréstimo. Esse tipo de risco é especialmente relevante para investidores em títulos de renda fixa, como títulos corporativos ou governamentais.

Títulos governamentais geralmente apresentam um risco de crédito baixo, o que explica seus retornos mais modestos. Já títulos corporativos podem ter um risco maior de inadimplência, mas oferecem taxas de juros mais altas para compensar esse risco.

Os títulos com menor risco de inadimplência são chamados grau de investimento, enquanto os de maior risco oferecem rendimentos elevados (high yield), atraindo investidores dispostos a aceitar mais risco em troca de retornos potencialmente maiores.

2) Risco de Liquidez

O risco de liquidez é a possibilidade de não conseguir vender um ativo rapidamente sem reduzir significativamente seu valor. Esse risco é mais relevante em ativos menos negociados, como imóveis ou ações de empresas pequenas.

Ativos altamente líquidos, como títulos públicos e ações de grandes empresas, são mais fáceis de converter em dinheiro rapidamente. Já ativos com menor liquidez podem exigir descontos para atrair compradores, diminuindo a rentabilidade do investidor.

3) Risco do País

O risco país refere-se à possibilidade de um país não honrar suas obrigações financeiras. Quando um país declara moratória, ocorre uma perda de confiança que afeta negativamente o desempenho de todos os ativos financeiros emitidos por ele, como ações e títulos de dívida.

Esse risco é mais comum em mercados emergentes ou países com déficits elevados, onde a instabilidade econômica pode aumentar as chances de calote ou crises financeiras.

4) Risco de Reinvestimento

Ocorre quando os rendimentos de um investimento precisam ser reinvestidos a taxas de retorno mais baixas do que as originalmente obtidas.

Por exemplo, imagine que você recebeu um pagamento de juros de uma NTN-B que você comprou com uma rentabilidade de IPCA+ 6%, mas na hora de reinvestir esse dinheiro você só consegue encontrar títulos de IPCA+ 3% no mercado.

5) Risco Cambial

Ao investir em outros países, é importante se lembrar de considerar o risco da variação cambial que podem afetar a sua rentabilidade final. Esse risco se aplica em todos os investimentos que são feitos em moeda diferente da sua moeda local.

Por exemplo, se um investidor americano aplicar em ativos em reais e a moeda brasileira se desvaloriza frente ao dólar, os ganhos podem ser reduzidos ou até se transformar em perdas.

6) Risco da Taxa de Juros

O risco da taxa de juros é a possibilidade de que o valor de um investimento mude devido a variações nas taxas de juros. Esse risco afeta tanto os títulos de renda fixa quanto a renda variável. Quando a taxa Selic sobe, os preços dos títulos públicos e privados no mercado secundário tendem a cair, pois novos títulos oferecem rendimentos mais altos. Por exemplo, se a Selic sobe, o Tesouro Prefixado perde valor, já que novos papéis oferecem retornos mais vantajosos. Quando a taxa Selic cai, esses mesmos títulos se valorizam.

Para ações e fundos imobiliários (FIIs), o aumento da taxa de juros pode reduzir os preços, pois torna a renda fixa mais atraente. Com juros mais altos, investidores migram para ativos de menor risco, como títulos de renda fixa, diminuindo a demanda por ações e FIIs. Além disso, empresas com alta dívida sofrem mais, já que o custo do crédito aumenta, o que afeta negativamente seu desempenho.

7) Risco da Empresa

O risco da empresa é o risco relacionado à saúde financeira e à operação de uma companhia. Ele envolve tanto os fatores internos quanto externos. Mesmo em condições de mercado favoráveis, uma gestão ineficiente ou decisões erradas podem gerar prejuízos, fazendo com que o valor das ações caia.

Esse risco pode ser mitigado através de uma boa governança corporativa, diversificação de produtos e serviços, e acompanhamento constante dos fatores que afetam o mercado em que a empresa atua.

Relação de Risco e Retorno

O conceito de risco e retorno está diretamente relacionado à ideia de equilíbrio entre o quanto o investidor está disposto a arriscar e os retornos que ele espera obter. De maneira geral, quanto menor o risco de um investimento, menores serão as possibilidades de retorno, enquanto investimentos mais arriscados podem oferecer uma maior rentabilidade, mas também com o risco de perdas significativas.

Cada investidor precisa avaliar sua própria tolerância ao risco, que dependerá de diversos fatores, como sua idade, objetivos financeiros, necessidade de liquidez e perfil pessoal. Esses fatores influenciam diretamente na escolha do tipo de investimento e no risco que o investidor está disposto a assumir para atingir os retornos desejados.

Investimentos com maior volatilidade, por exemplo, podem ter uma probabilidade de retorno maior, mas isso não significa que um retorno elevado seja garantido. Existe sempre uma margem de incerteza, e os resultados podem variar. Por outro lado, investimentos com menor risco tendem a oferecer retornos mais estáveis, porém em níveis mais baixos.

Além disso, a ideia de uma taxa de retorno “sem risco” pode ser utilizada como base para comparar investimentos. Esse retorno mínimo seria o esperado em um cenário sem nenhuma possibilidade de perda, representando o piso no qual qualquer investimento deveria superar para ser considerado vantajoso em relação ao risco que implica.

Conclusões

Todos enfrentamos riscos no dia a dia, seja ao dirigir, andar pelas ruas do Brasil, investir ou gerenciar um negócio. No mercado financeiro, o risco é a possibilidade de que o retorno de um investimento seja diferente do esperado, o que pode resultar em perdas.

A melhor forma de lidar com esses riscos é avaliá-los regularmente e diversificar os investimentos. Embora a diversificação não garanta lucros, ela ajuda a reduzir as perdas e aumentar as chances de bons resultados, alinhando-se aos objetivos e ao nível de risco desejado. Encontrar o equilíbrio entre risco e retorno é essencial para atingir os objetivos financeiros de forma mais segura.

Quais estratégias você considera mais eficazes para equilibrar risco e retorno em seus investimentos? Deixe abaixo nos comentários!

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Erros que Comprometem sua Carteira de Investimentos https://recortefinanceiro.linkan.com.br/erros-que-comprometem-sua-carteira-de-investimentos/ Sat, 04 Jan 2025 14:31:17 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=1335 Durante alguns meses, tive a oportunidade de trabalhar como assessor de investimentos em um grande banco no Brasil. Nesse período, fui responsável por uma carteira com cerca de 50 clientes, todos com investimentos superiores a R$ 500 mil.

Em pouco tempo percebi que, apesar das quantias consideráveis aplicadas, muitos estavam insatisfeitos com os resultados e a performance de suas carteiras. Ao analisar mais de perto, identifiquei padrões recorrentes entre os insatisfeitos: os erros mais comuns iam desde a falta de diversificação e uma alocação excessivamente conservadora até o risco excessivo, que comprometia a segurança do patrimônio.

Essa experiência como assessor me levou a uma nova etapa profissional, passando por uma gestora de recursos, onde aprofundei ainda mais minha compreensão sobre esses equívocos e como eles afetam o desempenho das carteiras. Ao longo do tempo, percebi que muitos desses erros poderiam ser evitados com um planejamento mais estruturado e uma visão mais clara dos objetivos e do perfil de risco de cada um.

Separei aqui os erros mais comuns cometidos na hora de montar uma carteira de investimentos, vamos entender como evitá-los para garantir um desempenho melhor e mais eficiente.

Não assumir nenhum risco

Uma das primeiras coisas que me chamaram a atenção ao receber minha base de clientes foi a quantidade de pessoas (mesmo endinheiradas) que não assumiam nenhum tipo de risco com seus investimentos.

Nunca me esqueço de um senhor que tinha todo o seu patrimônio, cerca de R$ 11 milhões, investido apenas em uma LCA do banco. Outro caso marcante foi o de um cliente com R$ 1,5 milhão na poupança. Casos como esses eram recorrentes: a maioria das pessoas mantinha seu dinheiro em produtos simples de renda fixa pós-fixada, sem diversificação.

O principal problema dessa estratégia é o baixo retorno. Esses investimentos estão atrelados a índices como o Selic ou o CDI, que, embora seguros, oferecem uma rentabilidade limitada. Produtos de renda fixa mais simples têm como objetivo principal manter o poder de compra ao longo do tempo, mas não são eficientes para multiplicar o patrimônio. Ao optar por essa abordagem conservadora, o investidor perde a oportunidade de alcançar um crescimento mais acelerado por meio de ativos com maior potencial de rentabilidade, como ações ou títulos de crédito privado.

Além disso, há o risco da inflação. Se ela ultrapassar os rendimentos da renda fixa, o poder de compra do seu dinheiro será diluído ao longo do tempo. Produtos de renda fixa pós-fixada podem não ser suficientes para proteger contra uma inflação alta.

Outro ponto crucial é o risco da desvalorização cambial. Ao “não assumir risco” em sua carteira, você também deixa de se proteger contra as flutuações da moeda. Em momentos de instabilidade econômica ou política, a desvalorização cambial pode destruir rapidamente o valor do seu patrimônio, além de ser um indicativo de inflação futura.

Um exemplo claro disso ocorreu em 2024, quando a moeda brasileira sofreu uma desvalorização de 21%. Investidores que não possuíam parte de sua carteira dolarizada enfrentaram uma redução de 21% no valor de seu patrimônio em dólares.

Portanto, pode-se afirmar que adotar uma postura de “não querer assumir riscos” é, na verdade, um dos maiores riscos que você pode tomar. A falta de diversificação e a relutância em explorar oportunidades mais rentáveis prejudicam sua segurança financeira e limitam seu potencial de crescimento.

Arriscar demais na Renda Fixa

Este é outro problema clássico. Quem nunca abriu a lista de fundos de renda fixa e pensou em investir naquele fundo que mais rendeu nos últimos meses? Ou pensou em investir naquela debênture suspeita com uma rentabilidade elevada?

Nos últimos anos, aprendi que, arriscar demais na renda fixa não faz sentido. A razão para isso é simples: a partir de determinado ponto, a relação risco-retorno da renda fixa deixa de ser vantajosa.

Lembre-se que todos os investimentos em renda fixa são empréstimos. Você está emprestando dinheiro a alguém (governo ou uma empresa) e, em troca, espera receber o principal de volta, acrescido de juros. A grande questão é que, quanto maior a rentabilidade de um título de renda fixa, maior é o risco do emissor. Em outras palavras, quando você busca uma rentabilidade mais alta, está, na prática, aceitando um risco maior de inadimplência.

Na renda fixa, existem basicamente dois cenários possíveis: ou o devedor paga o principal mais os juros, ou ele não paga e você sofre uma perda total ou parcial do valor investido. Com isso em mente, fica a pergunta: vale a pena arriscar perder o montante principal investido em troca de um pequeno acréscimo de 0,5% ou 1% na sua rentabilidade anual? Eu acredito que não.

Em primeiro lugar, é importante lembrar o principal objetivo da renda fixa: uma forma de preservar o seu poder de compra ao longo do tempo, garantindo que seus investimentos superem a inflação. A renda fixa tem um papel importante na carteira de todos os investidores, mas esse papel é, basicamente, de estabilização e proteção, não de maximização de retorno.

Em segundo lugar, existem opções de investimento menos arriscadas, como fundos de investimento e produtos bancários que oferecem rentabilidade de até 120% do CDI, com um risco relativamente controlado. Esses produtos podem entregar um retorno interessante sem a necessidade de assumir riscos excessivos.

Se você está buscando retornos mais elevados e está disposto a assumir maiores riscos, a renda variável é onde você deve buscar essas oportunidades. Na renda variável, a relação risco-retorno é mais equilibrada e, dependendo do perfil de risco, pode oferecer melhores resultados a longo prazo.

Por isso, preste muita atenção na hora de abrir a lista de fundos de renda fixa e escolher aquele com a maior rentabilidade dos últimos meses, ou ao considerar investir em debêntures ou outros títulos com elevadas taxas de rentabilidade. Por mais atraente que uma rentabilidade mais alta possa parecer, ela frequentemente está atrelada a um risco que pode não justificar o benefício adicional e você pode acabar tendo um belo prejuízo.

Carteira Pulverizada

A diversificação é uma das estratégias mais utilizadas para reduzir os riscos de uma carteira de investimentos. No entanto, há um limite para o quanto se pode diversificar sem que isso prejudique a sua rentabilidade. Exagerar na quantidade de ativos pode resultar em uma carteira pulverizada, que, em vez de trazer benefícios, pode gerar diversos problemas.

Veja o exemplo abaixo:

Perceba como essa carteira possui muitos ativos. Esse é um problema comum que pode ocorrer por vários motivos, como a falta de conhecimento sobre a construção de uma carteira de investimentos ou, devido a uma assessoria financeira mal orientada.

É comum que gerentes banco ou assessores de investimento sugiram uma grande quantidade de produtos para “diversificar” o portfólio do cliente, mas muitas vezes com o intuito de atingir suas próprias metas de vendas, e não com base nas necessidades e objetivos do investidor.

Obviamente, ter uma carteira pulverizada não é ideal. Isso porque ela acaba diluindo os potenciais ganhos, resultando em um retorno geral mais modesto, mesmo que alguns ativos individuais tenham um bom desempenho.

Em vez de concentrar seu capital em investimentos com maior potencial de valorização, a pulverização reduz o impacto positivo dos ativos que realmente se destacam. Quando se espalha o investimento entre muitos ativos, cada um deles exerce um efeito mais fraco sobre o desempenho geral da carteira.

O correto, portanto, seria concentrar os investimentos em poucos ativos ou fundos promissores e com baixa correlação entre si. Trazendo uma maior eficiência e potencial de retorno para a sua carteira enquanto ainda mantém um nível adequado de diversificação para controlar o risco. Lembre-se de que os fundos de investimento já possuem uma carteira diversificada de ativos sob gestão.

Com isso, não faz sentido investir em mais de um fundo de investimento com estratégia semelhante. Preste atenção também nas recomendações que você está recebendo, muitas vezes pode não ser do seu melhor interesse.

Não Investir em Ativos Dolarizados

O Brasil é um dos países com o maior viés domésticodo mundo. Também chamado de Home Bias, o viés doméstico é um viés cognitivo que faz com que o investidor concentre a grande maioria de seu dinheiro dentro do seu país, ignorando os benefícios de uma diversificação no exterior.

Observe no gráfico abaixo como, em média, 95% do patrimônio do brasileiro está alocado no Brasil.

Existem dois outros exemplos interessantes no gráfico. O primeiro é o da Rússia: imagine os investidores russos, que têm cerca de 98% de seus investimentos em rublos e, após o início da guerra na Ucrânia, viram a bolsa de valores do país ser fechada e presenciaram uma forte desvalorização cambial. Pode-se dizer que a grande maioria dos russos tiveram uma grande redução de seu patrimônio quando cotados em dólares.

Outro exemplo relevante são os Estados Unidos, onde aproximadamente 75% dos investimentos estão alocados internamente. Mesmo estando na maior economia global e no maior mercado acionário do mundo, os americanos tendem a diversificar mais do que muitos outros países com economias menores.

Por mais que o nosso país tenha algumas boas oportunidades de investimento, concentrar grande parte de seus investimentos no Brasil aumentará a volatilidade e o risco de sua carteira.

Lembre-se de que o Brasil, apesar de ser uma das maiores economias do mundo, ainda é um país emergente e enfrenta uma série de desafios estruturais que impactam sua atratividade no cenário global.

Problemas fiscais, instabilidade política e jurídica, burocracia excessiva, altos impostos, baixa inovação, protecionismo e outras interferências na economia são questões recorrentes que limitam o potencial de crescimento do país. Esses fatores tornam o Brasil um destino menos atraente para investidores estrangeiros, especialmente em tempos de incerteza.

Quando o mercado perde confiança, isso se reflete, por exemplo, na alta do dólar em relação ao real. Em 2024, por causa da crescente desconfiança fiscal em relação à dívida brasileira, o dólar registrou uma valorização superior a 21%, mostrando como a moeda americana se torna um “porto seguro” em tempos de turbulência econômica interna.

É curioso notar como a maioria das pessoas não percebe que, no longo prazo, o dólar sempre vai se valorizar contra a moeda brasileira. O motivo é muito simples, a meta de inflação do banco central brasileiro é de 3% ao ano (mas normalmente fica em 4,5% ao ano, o teto da meta), enquanto o banco central americano estabelece uma meta de inflação de 2% ao ano. Ou seja, a moeda brasileira sempre vai se desvalorizar de forma mais rápida que o dólar americano, pressionando o câmbio para cima.

Felizmente, hoje em dia é muito fácil contornar o risco Brasil e o problema da desvalorização cambial, investindo em ativos dolarizados. Isso pode ser feito de duas maneiras: investindo em fundos de investimento dolarizados aqui no Brasil ou abrindo uma conta internacional em um banco ou corretora, para acessar diretamente o mercado externo.

Investir no mercado americano oferece benefícios significativos, como proteção cambial, diversificação geográfica e acesso a empresas inovadoras e setores estratégicos. Além disso, a estabilidade econômica e jurídica dos EUA proporciona maior segurança, reduzindo o impacto das incertezas do Brasil e melhorando a rentabilidade da carteira no longo prazo.

De forma geral, recomenda-se alocar entre 10% e 20% do patrimônio em ativos dolarizados.

Conclusão

Esses foram alguns dos problemas extremamente comuns que encontrei ao lidar com investidores e clientes de um grande banco. De forma geral, pode-se dizer que esses problemas acontecem por conta da falta de conhecimento dos investidores, do medo de perder dinheiro, da má orientação financeira dos gerentes e assessores de investimentos e até mesmo da falta de interesse e preocupação das pessoas.

Para solucionar esses problemas e também conseguir melhores rentabilidades nos investimentos, é fundamental adquirir educação financeira para conseguir distinguir entre aquilo que faz sentido ou não para os seus objetivos. Entender seu perfil de risco, diversificar de forma inteligente e explorar oportunidades tanto no mercado nacional quanto no exterior são passos essenciais para melhorar seus resultados.

Caso você não tenha tempo nem interesse de tomar suas próprias decisões de investimentos, contrate um profissional da área de investimentos que realmente te atenda bem e preze pelo seu melhor interesse. Tome cuidado caso você esteja sendo assessorado por alguém que apenas te ofereça produtos e serviços desnecessários e que estão desalinhados com os seus objetivos, ele provavelmente está querendo apenas bater suas metas de vendas.

E você, caro leitor, enfrenta algum desses desafios em sua carteira de investimentos? Compartilhe sua experiência nos comentários abaixo!

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Como calcular e projetar a rentabilidade de uma carteira de investimentos? https://recortefinanceiro.linkan.com.br/como-calcular-e-projetar-a-rentabilidade-de-sua-carteira-de-investimentos/ Thu, 14 Nov 2024 01:40:41 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=1204 Um dos desafios mais comuns enfrentados pelos investidores é a falta de conhecimento sobre como calcular o retorno esperado de suas carteiras de investimento. Sem um entendimento claro de quanto seu dinheiro está realmente rendendo, você pode enfrentar maiores dificuldades para alcançar seus objetivos de longo prazo.

Em muitos casos, um simples ajuste na carteira pode gerar uma diferença significativa ao longo do tempo. Seja para atingir a independência financeira ou garantir uma aposentadoria confortável, entender e acompanhar o desempenho dos seus investimentos pode literalmente economizar anos no seu caminho para a realização desses objetivos.

Grande parte dessa dificuldade está no fato de que muitos investidores têm problemas em projetar o retorno real líquido de suas carteiras, ou seja, em calcular o rendimento após descontar o impacto da inflação e dos impostos. Esses fatores, muitas vezes ignorados, afetam diretamente o poder de compra dos ganhos obtidos. Sem essa visão precisa, o risco de superestimar a rentabilidade da carteira é alto, o que pode levar a um planejamento inadequado e frustrar planos importantes.

Como não temos como simular e projetar os retornos esperados de um investimento de renda variável, trouxe como exemplo uma situação fictícia que envolve apenas uma carteira composta por diferentes títulos de renda fixa.

Um caso fictício

O Sr. Zezinho é um funcionário público de 45 anos, com R$ 1,5 milhão investido, que gostaria de se aposentar daqui a 15 anos com uma renda mensal de R$ 15 mil, proveniente única e exclusivamente de sua carteira de investimentos. Ele consegue realizar aportes mensais de R$ 7.500 e se considera um investidor conservador. Atualmente, investe apenas em renda fixa, e sua carteira de investimentos está distribuída da seguinte maneira:

  • CDB Pós fixado com rendimento de 110% do CDI; 40% de sua carteira
  • LCA Pós fixada com rendimento de 92% do CDI; 20% de sua carteira
  • NTN-B principal que rende IPCA+ 5,5%; 40% de sua carteira

Se o Sr. Zezinho conseguir realizar seus aportes mensais e manter a mesma rentabilidade e peso dos ativos de sua carteira, ele conseguirá atingir seu objetivo e se aposentar daqui a 15 anos?

Para responder a essa pergunta, primeiro será necessário projetar a taxa de juros e a taxa de inflação para descobrir qual será sua rentabilidade real. Em seguida, descontamos o imposto de renda para determinar seu retorno real líquido de impostos. Com essa informação, será possível calcular o montante necessário para ele alcançar a renda mensal desejada. Acompanhe o passo a passo abaixo.

Taxa de Juros e Inflação

Existem duas principais maneiras de projetar os dados de juros e inflação para o futuro. A primeira é utilizar as estimativas disponíveis no Boletim Focus do Banco Central. A segunda é se basear nos dados históricos e projetá-los para o futuro. Particularmente, prefiro a segunda opção, por ser mais confiável e representar uma abordagem mais conservadora, e é essa que utilizarei para realizar os cálculos. Usaremos os dados históricos dos últimos 10 anos e projetaremos essa tendência para o futuro.

1º Passo: Juros

Para verificar a taxa de juros acumulada da Selic nos últimos 10 anos, é possível utilizar a calculadora do Banco Central.

Embora as taxas não sejam iguais, neste exemplo, vamos considerar que a Selic é equivalente ao CDI (na calculadora abaixo, você pode usar tanto a Selic quanto o CDI).

A taxa de juros acumulada no período de 10 anos foi de 142%. Vamos guardar e utilizar essa informação em breve.

2º Passo: Inflação

Utilizando a mesma calculadora do Banco Central, conseguimos os dados históricos da inflação acumulada (IPCA) no mesmo período de 10 anos.

Verifica-se que a Inflação (IPCA) acumulada no mesmo período foi de 78,2%.

Agora que temos os valores históricos de taxa de juros e inflação do período de 10 anos, vamos transformá-los em valores anuais e mensais. Para isso, precisamos utilizar a fórmula abaixo de taxa equivalente:

Onde:

iq: a taxa de juros que deseja encontrar;

it: a taxa de juros que você tem;

q: período que você quer;

t: período que você tem;

Resolvendo a fórmula, temos os seguintes valores:

Juros: 9,24% ao ano;
Inflação: 5,95% ao ano. Acredito que essa inflação está um pouco elevada, por isso, vou considerar uma taxa de inflação mais realista de 5,5% ao ano nos cálculos abaixo.

Imposto de Renda

Não esqueça de descontar o Imposto de Renda ao calcular o retorno líquido da carteira. Como o Sr. Zezinho planeja investir por 15 anos, utilizaremos a menor alíquota de IR aplicável a investimentos de renda fixa.

Vale lembrar que alguns produtos de investimento são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, como é o caso das LCAs. Abaixo, apresentamos uma tabela com as alíquotas do IR para referência:

Vamos aos cálculos

Agora que reunimos todas as informações necessárias, vamos inseri-las em uma planilha para calcular o retorno real líquido de cada ativo individualmente, bem como o retorno total da carteira.

Para encontrar o valor da última célula da planilha ‘Retorno Real Projetado aa’, precisamos descontar a inflação do valor líquido de IR. Para isso, não podemos esquecer de utilizar a fórmula abaixo:

Com o retorno real anual projetado (líquido de impostos) de cada produto em mãos, podemos calcular a média ponderada para determinar o retorno real da carteira de investimentos. No caso do Sr. Zezinho, sua carteira está projetada para alcançar um rendimento real de 3,66% ao ano — um excelente resultado para uma estratégia focada exclusivamente em ativos de renda fixa de baixo risco.

Como mencionamos anteriormente, o Sr. Zezinho pretende se aposentar com uma renda mensal de R$ 15 mil. Sabemos também que sua carteira de investimentos terá uma rentabilidade real de 3,66% ao ano. Com essas informações, podemos calcular o patrimônio total necessário para que ele atinja essa renda mensal. Para isso, utilizaremos a fórmula a seguir:

Aplicando a fórmula com os dados disponíveis, chegamos a um valor de aproximadamente R$ 5 milhões. Esse é o patrimônio necessário para que o Sr. Zezinho possa garantir uma renda mensal de R$ 15 mil, considerando a rentabilidade real de 3,66% ao ano de sua carteira de investimentos.

Agora, vamos calcular o patrimônio final do Sr. Zezinho caso ele siga seu planejamento atual. Lembre-se de que ele possui um patrimônio inicial de R$ 1,5 milhões, realizará aportes mensais de R$ 7.500 e terá uma rentabilidade real de 3,66% ao ano. O cálculo será feito da seguinte maneira:

O resultado obtido foi de aproximadamente R$ 4.358.000,00. Esse valor é R$ 642.000,00 a menos do que o Sr. Zezinho precisaria para atingir sua meta. Com esse montante, ele teria uma renda mensal de cerca de R$ 13.000,00, o que significa que não conseguiria se aposentar com a renda desejada de R$ 15.000,00.

Soluções

Acabamos de ver que, com o planejamento atual, Zezinho não conseguiria atingir seus objetivos no prazo determinado de 15 anos. Existem algumas maneiras diferentes pelas quais ele ainda pode atingir seus objetivos, vamos verificar algumas delas.

1) Aumentar as contribuições.

A solução mais óbvia, porém não tão simples, seria aumentar os aportes mensais. Se as demais variáveis permanecerem inalteradas, o Sr. Zezinho precisaria elevar seus aportes para R$ 10.200,00 mensais para alcançar seu objetivo de aposentadoria em 15 anos. Essa diferença é bastante significativa em relação ao seu plano atual, o que torna essa alternativa um pouco desafiadora. Nesse cenário, talvez seja interessante explorar outras opções para atingir sua meta de maneira mais equilibrada.

2) Aumentar a rentabilidade.

Caso Zezinho não consiga aumentar seus aportes e ainda assim queira se aposentar após 15 anos, sua única alternativa será buscar retornos mais elevados. No entanto, isso exigiria assumir um nível maior de risco. Após realizar alguns cálculos, chegamos à conclusão de que ele precisaria de uma rentabilidade real anual de 5% para alcançar seu objetivo.

Uma forma de aumentar sua rentabilidade seria diversificar sua carteira com ativos de renda variável. Caso ele prefira continuar com a renda fixa, pode considerar investir em ativos de crédito privado, seja por meio de fundos de investimento ou por títulos individuais.

3) Postergar seus objetivos.

Caso não seja possível aumentar seus aportes e ele não queira assumir mais riscos nem alterar sua carteira de investimentos, sua última opção será adiar a aposentadoria por alguns anos até atingir a renda desejada. Mantendo as mesmas condições iniciais, ele alcançaria o patrimônio necessário de R$ 5 milhões em 17,5 anos, ou seja, apenas dois anos e meio a mais do que o planejado originalmente.

Em alguns casos, o tempo adicional para atingir os objetivos será pequeno, o que pode justificar esperar um pouco mais. Em outros, esse tempo pode ser muito grande, e será necessário buscar outra solução.

4) Encarar a realidade.

Em alguns casos, pode acontecer de o objetivo planejado estar fora da realidade. Imagine que o Sr. Zezinho tenha superestimado sua capacidade de aportar mensalmente R$ 7.500,00, mas na verdade consiga aportar apenas R$ 4.000,00. Nessa situação, mesmo que ele assuma mais riscos e consiga um retorno real de 6% ao ano, ainda assim não conseguirá atingir seu objetivo dentro de 15 anos.

Em algumas situações, os objetivos não estão alinhados com o perfil financeiro do investidor, seja por limitações nos aportes mensais ou por uma expectativa de retorno mais alta do que o mercado pode oferecer. Nesses casos, é importante encarar a realidade e se conformar com uma situação que, talvez, seja aquém do esperado, ajustando as metas para algo mais alcançável e compatível com as condições atuais.

Conclusão

Saber calcular e projetar a rentabilidade real de uma carteira de investimentos é essencial para um planejamento de longo prazo eficaz. Sem esse conhecimento, o investidor não consegue avaliar com precisão se está tomando o nível de risco adequado ou se precisa aumentar os aportes mensais. Pode até ser que ele tenha estabelecido um objetivo fora de sua realidade financeira.

Compreender como calcular e projetar a rentabilidade real permite que o investidor tome decisões informadas para otimizar seu retorno e ajustar seu planejamento de forma realista e alcançável. Sem essa clareza sobre a rentabilidade atual e projetada, é impossível construir um plano financeiro sólido e alinhado com suas metas de longo prazo.

Vale lembrar que é preciso tomar cuidado na hora de realizar qualquer cálculo ou projeção que envolva ativos de renda variável, pois seu retorno é imprevisível. Projeções desse tipo têm baixa precisão e tendem a ser enviesadas, refletindo as expectativas e crenças de quem as elaborou. Por isso, no exemplo desse artigo, utilizei apenas uma carteira de renda fixa.

A rentabilidade real da renda fixa é um pouco mais previsível pois conseguimos utilizar e projetar os dados históricos de juros e inflação com maior assertividade (recomendo utilizar os dados dos últimos 5 ou 10 anos, porém você também pode considerar os valores do Boletim Focus). Apesar de alguns títulos de renda fixa apresentarem volatilidade ao longo do período, sabemos de antemão qual será sua rentabilidade no vencimento.

Na hora de realizar seus próprios cálculos, recomendo que os faça em uma planilha do Excel. Não se esqueça de utilizar a fórmula de taxa equivalente, calcular a taxa real e também considerar a inflação.

Você já tinha calculado o retorno real da sua carteira? Alguma vez já tinha feito uma projeção para avaliar seus planos de longo prazo? Deixe abaixo nos comentários!

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Tudo Sobre Fundos de Investimentos https://recortefinanceiro.linkan.com.br/tudo-sobre-fundos-de-investimentos/ Thu, 12 Sep 2024 00:44:52 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=417 Um dos veículos mais populares para aplicação de recursos no Brasil são os fundos de investimento.  Um fundo de investimento é uma modalidade coletiva de aplicação de recursos financeiros, permitindo que várias pessoas invistam juntas em um único fundo.

Sua popularidade é um resultado de sua grande acessibilidade, diversificação de riscos e por proporcionar ao cotista uma equipe de gestão profissional e qualificada.

Todo fundo possui uma equipe de profissionais que são responsáveis por administrar e investir o dinheiro que foi aplicado no fundo em outros produtos financeiros, que podem variar conforme o tipo de fundo e sua estratégia. Existem fundos de ações, crédito privado, multimercado, imobiliários, entre outros.

É mais provável que uma equipe profissional composta por um gestor e vários analistas tenham uma performance melhor nos investimentos do que um indivíduo sozinho escolhendo os ativos de forma individual.

A diversificação também é um benefício muito importante. Suponha que você invista diretamente em títulos de crédito privado, muito provavelmente você teria que aplicar uma quantia considerável de dinheiro para obter apenas um título. Seu risco estaria exposto somente à esse único título. Em um fundo, esse risco é muito menor pois seu dinheiro será destinado à um conjunto de títulos, seu risco agora estaria espalhado em diversos títulos diferentes.

Os fundos de investimento são considerados muito acessíveis, pois é possível encontrar excelentes opções com aplicações mínimas em torno de R$100,00. Com esse baixo investimento inicial, você tem a oportunidade de investir em um ativo que talvez não conseguiria adquirir de forma individual.

Vamos verificar agora como os fundos de investimento funcionam e quais são seus diferentes tipos:

Constituição e Patrimônio

O fundo de investimento é formado a partir dos recursos aportados pelos diversos investidores, e ao aplicar dinheiro no fundo, cada investidor adquire cotas, que correspondem a uma fração do patrimônio total. O valor de cada cota é calculado dividindo o patrimônio líquido do fundo pelo número total de cotas em circulação. Quando o fundo apresenta uma boa performance, o valor das cotas aumenta; em caso de retornos negativos, o valor das cotas diminui.

Cotas abertas

A maioria dos fundos de investimento que não são negociados em bolsa funcionam no modelo de cotas abertas. Isso significa que, os investidores podem comprar ou resgatar suas cotas a qualquer momento, diretamente com o fundo. O fundo emite novas cotas quando um investidor compra e as “queima” quando um investidor resgata.

Nesse caso, o patrimônio do fundo é variável. Ele pode variar diariamente, dependendo das entradas (novos investidores comprando cotas) e saídas (investidores resgatando cotas).

Cotas fechadas

Nesse caso, existe um limite de emissão de cotas. As cotas geralmente são emitidas durante um período específico, geralmente no momento de criação do fundo ou em ofertas subsequentes.

Os investidores não podem resgatar suas cotas diretamente com o fundo antes do prazo de vencimento, que pode ser determinado por um prazo específico ou pela liquidação dos ativos do fundo.

O patrimônio desses fundos é fixo e permanece relativamente estável com o tempo, pois não há entradas ou saídas constantes de recursos.

Os fundos dessa categoria costumam ser negociados em bolsa de valores.

Um bom exemplo desta categoria são os fundos imobiliários. Os fundos imobiliários captam recursos e compram imóveis. Perceba que, não é possível que esse tipo de fundo funcione no sistema de cotas abertas. Quando você quisesse resgatar suas cotas, o que o fundo faria? Ele não tem como vender uma parte do imóvel para te devolver o dinheiro. Por isso, a quantidade de cotas continua fixa, seu patrimônio não se altera, e suas cotas são negociadas na bolsa de valores.

Gestão Profissional

Todos os fundos são geridos por uma equipe de profissionais, normalmente composta por um gestor e uma equipe de analistas. O gestor é quem toma as decisões de compra e venda, enquanto os analistas o ajudam na escolha dos ativos.

Cada fundo segue uma política de investimento que é pré-definida e disponível em seu regulamento. Os fundos são classificados de acordo com os ativos em que investem. Existem fundos de ações, de renda fixa, multimercados, entre outros. Veremos as características de cada um a seguir.

Principais tipos de fundos de investimentos:

Renda Fixa

Para ser classificado como renda fixa, o fundo precisa ter pelo menos 80% de seu patrimônio aplicado em ativos de renda fixa. Ainda dentro dessa categoria, os fundos podem ser subdivididos em algumas classes. As principais são:

  • Curto Prazo: Nesses fundos, os títulos de renda fixa podem ter um prazo de vencimento de no máximo 375 dias, e um prazo médio de vencimento inferior a 60 dias.
  • Referenciado: Pelo menos 95% dos ativos devem acompanhar o benchmark estabelecido.
  • Simples: Pelo menos 95% dos ativos são investidos em títulos públicos pós-fixados.
  • Crédito Privado: O fundo precisa ter no mínimo 50% de de títulos de crédito privado para ter essa denominação.

Ações

Fundos de ações precisam ter pelo menos 67% de seu patrimônio composto pelo seguinte conjunto de ativos financeiros: ações, ETFs de ações e BDRs. Embora possam investir em outras classes de ativos, a maioria dos fundos de ações investe apenas em ações e costuma manter algo em torno de 5% a 10% do patrimônio como caixa, em ativos de renda fixa.

Os fundos de ações buscam ter uma rentabilidade acima do índice Ibovespa.

Multimercados

Os fundos multimercados têm esse nome porque podem alocar seus recursos em qualquer classe de ativos, como renda fixa, renda variável, moedas, derivativos, entre outros. Normalmente, esse tipo de fundo segue uma das seguintes estratégias:

  • Alocação Macro
  • Long & Short
  • Multiestratégia
  • Quantitativos

É importante lembrar também que, normalmente, o benchmark dos fundos multimercados é o CDI. Por isso, eles costumam ser um pouco mais arriscados que os fundos de renda fixa, mas também apresentam menos volatilidade que os fundos de ações.

Fundos Imobiliários – FIIs

Conforme vimos anteriormente no artigo sobre renda variável, esse tipo de fundo pode investir em imóveis e também em títulos de dívida relacionados ao mercado imobiliário. Os fundos que investem majoritariamente em imóveis são chamados de fundos de ‘tijolo’, enquanto aqueles que investem predominantemente em ativos de crédito imobiliário são chamados de fundos de ‘papel’.

Taxas nos Fundos de Investimento

Fundos de investimento possuem custos tanto com gestores e analistas quanto com despesas operacionais, que incluem custódia, auditoria, administração e outros serviços necessários para o funcionamento do fundo.

Por isso, existe uma taxa de gestão anual cobrada dos cotistas. Essa taxa é expressa como um percentual sobre o patrimônio líquido do fundo e é deduzida diariamente do valor das cotas, afetando assim a rentabilidade líquida do investidor.

Por exemplo, é comum que fundos multimercados e de ações cobrem uma taxa de gestão de 2% ao ano. Na prática, essa taxa é calculada e aplicada diariamente. Uma taxa anual de 2% equivale a aproximadamente 0,0054% ao dia. Isso significa que, nesse exemplo, 0,0054% do valor total da sua aplicação no fundo é deduzido diariamente como taxa de gestão.

Além da taxa de gestão, também existe a taxa de performance. Essa taxa é uma cobrança adicional aplicada em alguns fundos de investimento como forma de remunerar o gestor por superar um determinado índice de referência, o famoso benchmark. Trata-se de um bônus que o gestor recebe quando o fundo apresenta um desempenho superior ao esperado.

Novamente, em fundos multimercados e de ações, a taxa de performance costuma ser de 20%.

Como funciona na prática: imagine que você tenha investido R$ 100 mil em um fundo de ações. Durante o ano, o fundo teve um rendimento de 20%, enquanto o benchmark, o Ibovespa, teve um rendimento de 10%. Nesse caso, a taxa de performance seria cobrada apenas sobre os 10% que excederam o benchmark, ou seja, 20% sobre R$ 10 mil, totalizando R$ 2 mil.

Impostos nos Fundos de Investimento

Lembrando que a cobrança de impostos só incide em cima dos lucros e não do valor total aplicado. Todos os impostos nos fundos de investimento são recolhidos na fonte

Nos fundos de renda fixa e multimercados, a tributação é feita de acordo com a tabela regressiva de IR da mesma maneira que acontece com os títulos de renda fixa. Quanto mais tempo você permanecer investido, menor serão os impostos.

Nos fundos de renda fixa, também existe a cobrança de IOF em aplicações com menos de 30 dias de acordo com a tabela abaixo:

A tributação nos fundos de ações é relativamente mais simples, já que há apenas a incidência de uma alíquota fixa de 15% sobre o lucro obtido, independentemente do período em que o capital permaneceu investido no fundo. Além disso, os fundos de ações não estão sujeitos à tributação de come-cotas.

Imposto Come-cotas

O governo, sempre buscando arrecadar mais, não quer esperar até o momento do resgate para cobrar impostos sobre as aplicações. O come-cotas é uma antecipação do recolhimento do Imposto de Renda que ocorre em fundos de renda fixa e multimercados. Ele é cobrado no último dia útil dos meses de maio e novembro de cada ano, ou no momento do resgate, se realizado antes dessas datas.

O IR antecipado é calculado com base na menor alíquota para cada tipo de fundo. Em fundos de curto prazo, a cobrança é de 20% sobre os ganhos, e em fundos de longo prazo, é de 15%.

Essa cobrança pode ser um pouco confusa, pois não reduz simplesmente o valor da sua aplicação.

A diferença é que essa tributação incide diretamente na quantidade de cotas dos fundos e não sobre o valor delas. Na prática, o cotista terá uma redução no número de cotas que possui em seus fundos.

Imagine que você tenha aplicado R$ 100 mil em um fundo de renda fixa no início do ano. Na aplicação, cada cota tinha o valor de R$ 1, ou seja, você adquiriu 100 mil cotas do fundo. No fim de maio, sua rentabilidade acumulada foi de 10%, e seu montante total agora é de R$ 110 mil. Você continua possuindo 100 mil cotas, mas agora cada cota vale R$ 1,10.

O come-cotas incidirá sobre os R$ 10.000 de lucro, resultando em um imposto de 15%, o que equivale a R$ 1.500. Como esse imposto reduz a quantidade de cotas e não o valor da sua aplicação, você teria perdido cerca de 1.363 cotas.

Com isso, no primeiro dia de junho você estaria com a seguinte posição:

  • Valor total: R$ 108.500,00
  • Quantidade de cotas: 98.637
  • Valor da cota: R$ 1,10

Conclusão

Os fundos de investimento podem ser uma excelente ferramenta para diversificação, pois oferecem acesso a diversos mercados e investimentos que muitas pessoas não conseguiriam acessar de forma individual.

A equipe de gestão profissional também pode ser um diferencial na hora de alocar os recursos e atingir uma melhor relação entre risco e retorno.

Contudo, as taxas de gestão, performance e impostos podem fazer com que a rentabilidade da aplicação fique aquém das expectativas. Por isso, para encontrar um bom fundo de investimento, é importante analisar e comparar a rentabilidade entre diferentes fundos, verificar seu histórico, sua política de investimentos e avaliar se o fundo tem sido capaz de superar seu benchmark de forma consistente.

Além disso, considere fatores como a experiência da equipe de gestão, a transparência na comunicação com os investidores e as condições de mercado que podem influenciar o desempenho futuro.

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Curva de Juros e os Títulos do Tesouro Direto https://recortefinanceiro.linkan.com.br/curva-de-juros-e-os-titulos-do-tesouro-direto/ Wed, 21 Aug 2024 01:26:16 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=219 É importante compreender o funcionamento de cada um dos Títulos do Tesouro direto, pois cada um deles reage de maneira diferente às variações na curva de juros.

A curva de juros futuros no Brasil representa as expectativas do mercado sobre as taxas de juros que serão praticadas em diferentes prazos no futuro. Ela é construída com base nos preços dos contratos de juros futuros negociados na B3 (Bolsa de Valores do Brasil).

Veja abaixo um exemplo da curva de juros futuros no dia 19/08/2024

O importante a notar é que as taxas de juros mudam de valor para prazos diferentes. Se a curva de juros futuros estiver inclinada para cima, indica que o mercado espera um aumento das taxas de juros ao longo do tempo (dizemos que a curva está abrindo). Se a curva for descendente, o mercado espera uma queda (dizemos que a curva está fechando). Uma curva estável sugere que as taxas de juros devem permanecer próximas aos níveis atuais.

O Banco central do Brasil (BACEN) se reúne a cada 45 dias para definir a taxa de juros da economia (Taxa Selic). A curva de juros é justamente a estimativa do mercado para a média da Taxa Selic até determinado vencimento. A expectativa do mercado é muito influenciada pela política monetária do Governo, cujo principal instrumento é justamente a alteração na taxa Selic.

Quando a inflação está elevada, o Banco Central geralmente aumenta a taxa Selic para tentar controlá-la. Em contrapartida, se a inflação estiver baixa e a economia desacelerada, o Banco Central pode reduzir a Selic para estimular a atividade econômica.

Essas ações influenciam as expectativas do mercado sobre a trajetória das taxas de juros, o que forma a chamada curva de juros. Se o mercado prevê um aumento da inflação no futuro, a curva de juros tende a subir, refletindo a expectativa de que o Banco Central aumentará os juros para conter essa inflação.

Vale destacar que o Banco Central controla diretamente apenas a taxa de juros de curto prazo, ou seja, a Selic. A curva de juros, que representa as expectativas sobre as taxas de juros no futuro, é determinada pelo mercado com base em suas previsões sobre a economia e a inflação.

Títulos Prefixados

Assim como já vimos no artigo anterior, na categoria de prefixados nós já sabemos a rentabilidade e o prazo do título antes de realizarmos a aplicação. É importante saber que o título prefixado sempre tem um valor de venda de R$1.000,00. Ou seja, sempre que chegar no vencimento, esse título vai ter o valor de mil reais.

Sabendo antecipadamente os juros que serão pagos, o prazo de vencimento e também o seu valor no vencimento, o único fator variável deste título é o seu valor presente, ou seja, seu preço. Verifique abaixo a fórmula utilizada para calcular o preço de um título prefixado que não paga cupons:

Onde:

n = Número de períodos até o vencimento

P = Preço atual do título

F = Valor de face, o valor que será pago no vencimento (nesse caso sabemos que é R$1.000).

i = Taxa de juros (taxa de desconto) anual prefixada.

Vamos usar como exemplo os seguintes valores:

n = 5 anos.
F = Valor de face, o valor que será pago no vencimento (nesse caso sabemos que é R$1.000).
i = Taxa de juros anual de 9,5%.

Nesse cenário teríamos:

Resolvendo esse cálculo, conclui-se que o preço desse título seria de R$635,23.

A taxa de juros que determina o preço dos títulos prefixados é derivada diretamente da curva de juros que discutimos anteriormente.

Por exemplo, a taxa de negociação de um título prefixado com prazo de 2 anos reflete a estimativa do mercado sobre qual será a taxa de juros média durante esse período.

Se a expectativa para a Selic ao longo desses 2 anos for de uma média de 7,5% ao ano, o título será negociado com essa taxa de 7,5% ao ano.

Com isso, podemos extrair uma observação muito importante. Em um cenário de expectativa de aumento da taxa de juros, o que acontece com o preço do título prefixado? Vamos utilizar agora as mesmas variáveis e mudar somente o juros, que ao invés de 9,5% agora será 14%.

Perceba que nesse cenário, o preço do título cai para R$519,37. Para que esse título tenha o valor de mil reais no vencimento, com o prazo inalterado e uma maior taxa de juros, seu preço terá que ser menor.

O contrário também é valido. Em um cenário de queda da taxa de juros, o preço do título prefixado aumenta.

Por isso, existe uma relação inversamente proporcional entre a taxa de juros e o preço do título prefixado. Quando os juros aumentam, o preço do título prefixado cai. Por outro lado, quando os juros diminuem, o preço do título prefixado sobe.

Pode parecer um pouco confuso e contraintuitivo de primeira, mas faça alguns cálculos e veja como as variações nos juros impactam os preços dos títulos. (E também como esse impacto é muito mais significativo em prazos mais longos)

Mito dos prefixados

Vamos aproveitar agora para quebrar um mito que muitas pessoas ainda acreditam pelo simples fato de não entenderem como esse produto funciona. Veja o exemplo abaixo de um investidor chamado Poupador Jr.

Poupador Jr. adquire um título prefixado na seguinte situação:

Prazo = 5 anos
Taxa de juros = 10% ao ano

Utilizando a fórmula, o título do investidor terá o valor de R$620,92.

Após um ano, o cenário econômico mudou drasticamente. A taxa de juros caiu para incríveis 2%. Poupador Jr. está todo feliz e diz:

Adquiri meu título prefixado a uma taxa de 10% e agora os juros estão em 2%. Vou levar meu título até o vencimento, assim estou garantindo minha taxa de 10% e me beneficio de ter “travado” essa taxa em um patamar elevado.

A realidade é que, com a taxa de 2%, seu título terá uma rentabilidade de 2% ao ano, e não mais de 10%. Lembre-se de que o valor nominal do título no vencimento é sempre de mil reais. O que aconteceu foi que o seu título se valorizou, e com isso sua rentabilidade agora será menor. Veja o quanto teria sido seu ganho nesse cenário:

O preço do título nesse cenário, após um ano, seria de R$923,83. Ou seja, ele teria tido um lucro de R$302,91, isso é o equivalente a 48,8%.

Com isso, faria mais sentido ele vender seu título e embolsar esse lucro do que esperar mais 4 anos tendo um retorno baixo de 2%.

Títulos Pós-Fixados

O Tesouro Selic é o título do Tesouro Direto com rendimento pós-fixado e é considerado o mais conservador de todos.

Esse título é o mais seguro pois é quase impossível o investidor ter prejuízo, independentemente das flutuações na Taxa Selic ou nas taxas de mercado.

Como vimos anteriormente, no Título Prefixado sabemos exatamente o seu valor no vencimento. (R$1.000,00)

No título pós-fixado, a situação é diferente. Sabemos exatamente o valor dele hoje, mas não sabemos o seu valor no futuro.

Os títulos pós-fixados (Tesouro Selic) possuem uma rentabilidade que é atrelada à taxa Selic e seu preço é atualizado diariamente. Por isso que, quando a taxa de juros (Selic) cai, você não perde dinheiro. O que acontece é que a sua aplicação passa a ter uma rentabilidade menor.

A única situação em que se poderia perder dinheiro com um título pós-fixado seria se a Selic se tornasse negativa, algo que nunca ocorreu na história da economia brasileira.

Títulos Indexados à Inflação

Os títulos indexados à inflação combinam características dos títulos prefixados e pós-fixados.

Esses títulos remuneram uma taxa de juros real ao investidor. A taxa de juros real nada mais é do que uma taxa de juros acima da inflação.

Por exemplo, se um investimento rende 5% ao ano e a inflação no mesmo período é de 3%, a taxa de juros real seria de 2%.
Na verdade o juros real seria um pouco menor que 2% pois precisamos utilizar a fórmula abaixo para calculá-la, mas vocês entenderam o raciocínio.

Um exemplo de remuneração dos títulos indexados à inflação é IPCA+ 4% a.a. Com essa aplicação, o investidor seria remunerado com a inflação do período e um adicional de 4% a.a de juros reais.

Um ponto positivo desse título é que ele protege o poder de compra do investidor, garantindo um retorno de 4% independente da inflação do período.

Por exemplo, caso o investidor tivesse investido em um título prefixado que remunerasse 8% a.a, e a inflação durante o período fosse 10% a.a, haveria uma perda de poder de compra e uma destruição de valor para o investidor.

A parcela de IPCA do título se comporta como um título pós-fixado. O valor nominal do título é ajustado diariamente com base na variação do IPCA, o que significa que o principal do título vai aumentando de acordo com a inflação.

A outra parcela do título indexado à inflação são os juros reais, e eles se comportam da mesma maneira que os títulos prefixados.

Em termos simples, a taxa de rentabilidade real é calculada pela diferença entre a trajetória esperada da Selic e a expectativa de inflação. Assim como nos títulos prefixados, essa taxa é negociada diariamente no mercado, ajustando-se conforme as expectativas econômicas futuras.

Existem dois tipos de títulos indexados à inflação: o Tesouro IPCA+ e o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais.

Como você pode imaginar, o título IPCA+ paga os juros acumulados somente no vencimento. Enquanto o título com juros semestrais faz pagamentos semestrais dos juros acumulados.

A única diferença é que, ao receber parte do retorno do ativo antes do vencimento, você também precisa pagar impostos sobre esses rendimentos antecipados, o que pode não ser a melhor opção.

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Introdução à Renda Fixa e ao Tesouro Direto https://recortefinanceiro.linkan.com.br/introducao-a-renda-fixa-e-tesouro-direto/ Thu, 15 Aug 2024 01:37:00 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=163 Você já deve ter ouvido alguém falar que o Brasil é o país da Renda Fixa, afinal de contas nosso país tem um histórico de possuir elevadas taxas de juros. Mas o que isso quer dizer exatamente? Você saberia explicar o que é a chamada “Renda Fixa”? Como esse investimento funciona e quais são seus tipos? No artigo de hoje vamos buscar responder essas perguntas.

O que é Renda Fixa?

Pode-se dizer que, de forma geral, existem duas modalidades de investimentos:

  1. Renda Fixa: é o tipo de investimento onde já sabemos, previamente, as condições de rentabilidade, o prazo de pagamento, e as obrigações do devedor. Exemplo de ativos incluem Títulos Públicos, Certificados de Depósitos Bancários (CDB), Letra de Crédito Imobiliário (LCI), Debêntures, etc.
  2. Renda Variável: é o tipo de investimento onde só ficaremos sabendo da rentabilidade depois de realizado o investimento. Normalmente, esse tipo de investimento também apresenta maior volatilidade. Exemplo de ativos incluem Ações e Fundos Imobiliários.

Devido às características mais previsíveis dos ativos de Renda Fixa, essa modalidade é vista como mais conservadora em comparação aos ativos de renda variável. De forma simplificada, o investimento em Renda Fixa funciona como um empréstimo.
Observe dois conceitos importantes sobre esse tipo de investimento:

  • Investidor: é quem está emprestando o dinheiro.
  • Emissor: é quem emite os títulos e está recebendo o dinheiro.

Modalidade de Investimentos em Renda Fixa

Agora que você já sabe que, ao investir em Renda Fixa, está emprestando seu dinheiro a um emissor, é fundamental verificar se esse emissor será capaz de cumprir suas obrigações e devolver o valor investido, acrescido dos juros. O principal risco de um investimento em Renda Fixa é o risco de crédito (levar um calote). Quanto mais confiável for o emissor, menor será o risco envolvido.

Além disso, antes de investir em um título de Renda Fixa, é essencial entender alguns detalhes importantes, como:

  • Quais serão os juros? (Por exemplo, um título público que remunera em 8% ao ano)
  • Qual o vencimento da aplicação? (Por exemplo, título público com vencimento em 2030)
  • Qual será o cronograma de pagamento, ou amortização? (Por exemplo, título público com pagamentos semestrais ou apenas no vencimento)

De forma geral, existem apenas três tipos de emissores:

  1. Governos
  2. Bancos
  3. Empresas

Os títulos de dívida desses emissores podem ser remunerados de diferentes maneiras, tais como:

  • Taxa Prefixada (Exemplo: 10% a.a)
  • Taxa Pós-Fixada (Exemplo: 100% do CDI)
  • Indexados à inflação, ou híbridos (Exemplo: IPCA + 5% a.a)

Quando a remuneração dos títulos está atrelada a algum índice, dizemos que eles estão indexados a esse índice. Por exemplo, um título que paga 110% do CDI está indexado ao CDI. Um título que paga IPCA+ 5% está indexado ao IPCA.

Benchmark

Obter um retorno de 10% em um investimento é bom ou ruim? Se você respondeu “depende”, está no caminho certo! Quando se trata de investimentos, avaliar a qualidade de uma decisão exige comparações. A rentabilidade absoluta de um investimento, como os 10%, por si só não revela muito. Para entender se o desempenho é satisfatório, é preciso compará-lo com um parâmetro que indique se o investimento está indo bem ou mal. Para isso, utilizamos um parâmetro de comparação chamado de benchmark.

Um benchmark é uma referência ou um padrão utilizado para medir o desempenho de um investimento ou de uma carteira de investimentos. Ele serve como uma base de comparação, permitindo avaliar se um investimento está superando, acompanhando ou ficando aquém das expectativas.

Falando sobre Renda Fixa, o benchmark padrão é o governo, pois ele é considerado o emissor mais seguro de uma economia. Por isso os títulos emitidos pelo governo são chamados de “livre de risco”. Essa segurança se deve ao fato de que, em caso de dificuldades, o governo tem algumas alternativas para honrar suas dívidas, como aumentar impostos, emitir moeda ou captar empréstimos internacionais. Em teoria, isso faz do governo o emissor com a menor probabilidade de inadimplência.

Nas finanças, existe uma relação fundamental entre risco e retorno. No caso dos investimentos em Renda Fixa, quanto maior o risco de o emissor não cumprir suas obrigações, maior será o retorno exigido (os juros). Como o governo é considerado o emissor mais seguro, qualquer outro emissor precisaria oferecer uma taxa de juros mais alta para o mesmo período de tempo.

Por exemplo, se o governo oferece 8% ao ano para um título com vencimento em 2030, todos os outros emissores teriam que pagar mais de 8% ao ano para títulos com vencimento também em 2030. Faz sentido assumir um risco maior apenas se houver a perspectiva de um retorno maior.

Um exemplo prático: não faz sentido investir em um CDB de um grande banco que oferece 90% do CDI, quando é possível investir em títulos do governo que rendem 100% do CDI. Nesse caso, quem optasse pelo CDB estaria assumindo mais risco por um retorno menor, o que não é uma escolha lógica.

Tesouro Direto

O Governo emite Títulos de Dívida para obter recursos emprestados para diversas finalidades, como financiar déficits orçamentários, realizar investimentos, entre outros. Para isso, o Tesouro Nacional coloca à disposição na plataforma do Tesouro Direto títulos com condições específicas de empréstimo, incluindo taxas de remuneração e prazos (por exemplo, uma taxa de 10% ao ano por 5 anos).

Os investidores acessam a plataforma, verificam as condições oferecidas e, se os termos atenderem suas expectativas de retorno e prazos, compram os títulos, fornecendo assim o dinheiro ao governo.

Resumindo, a emissão de Títulos de Dívida é uma forma de financiamento para o governo. Ao adquirir um Título de Dívida no Tesouro Direto, você empresta dinheiro ao governo brasileiro. Em troca, você receberá o valor emprestado de volta, acrescido dos juros acordados.

Benefícios de Investir no Tesouro Direto

Acessibilidade:

  • Você pode começar a investir com apenas 50 reais. Isso representa uma excelente opção para pequenos investidores, já que, em outras modalidades, é muito provável que com essa mesma quantia, os retornos sejam menores e os custos mais elevados.
  • Por exemplo, você conseguiria adquirir um CDB ou uma LCI que ofereça 100% do CDI com apenas 30 reais? Difícil.

Transparência:

  • Você pode acessar a página oficial do governo (aqui) para verificar a rentabilidade dos diferentes títulos públicos, assim você não fica dependendo de bancos e corretoras para definí-los.
  • Essa é uma vantagem extremamente importante, considerando que, na maioria dos outros investimentos realizados no mercado de balcão, o pequeno investidor acaba sendo sujeito ao pagamento de “taxas ocultas” por meio de preços menos favoráveis e com isso passa a ter uma menor rentabilidade.

Liquidez:

  • Caso você queira vender seu título antes do seu prazo de vencimento, o governo garante liquidez para esta operação.
  • Novamente, caso você queira vender outros ativos de Renda Fixa de forma antecipada, o banco ou intermediário pode aplicar “taxas ocultas”, o que pode acabar penalizando esse tipo de operação.
  • Sobre essas “taxas ocultas” me refiro exclusivamente a taxas de liquidação, e não a oscilações de preços decorrentes de marcação a mercado.
  • A liquidez do Tesouro Direto é de D+1, o que significa que o dinheiro estará disponível em sua conta um dia útil após a solicitação do resgate.

Segurança:

  • Sabemos que o risco do governo quebrar e te dar um calote é baixo (risco de crédito). Mas existe um item adicional de segurança no Tesouro Direto que é importante: falência de intermediadores.
  • Caso seu banco ou sua corretora entre em falência, nada impacta seus investimentos, pois ele estará custodiado na B3.

Impostos que incidem na Renda Fixa

Assim como acontece em diversas áreas no Brasil, o governo também aplica impostos sobre os investimentos. Na Renda Fixa, os dois principais tributos são o IOF e o Imposto de Renda. (Há também o “come-cotas”, que será abordado em nosso artigo sobre fundos de investimento.)

IOF

  • O IOF é o imposto sobre operação financeira, é um dos impostos que incidem sobre o Tesouro Direto e também em outras modalidades de Renda Fixa, mas ele pode ser evitado. Para evitar esse imposto basta permanecer investido por mais de 30 dias. O IOF é cobrado em alíquota decrescente de acordo com o prazo de seu investimento, chegando a zero após 30 dias.
  • Importante saber que o IOF é cobrado somente sobre o rendimento da aplicação e não sobre o valor total que foi aplicado.

Imposto de Renda – IR

  • O Imposto de Renda também incide somente sobre a rentabilidade da sua aplicação e não sobre o valor total.
  • O pagamento do IR ocorre apenas em alguns momentos como: na venda do título, no recebimento de cupons de juros ou no vencimento do título. Essa cobrança é feita de forma automática, o imposto fica retido na fonte.
  • Quanto mais tempo você permanecer na sua aplicação, menor será a alíquota de IR.
  • A alíquota funciona conforme a tabela abaixo:

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