Fundos de Investimento – Recorte Financeiro https://recortefinanceiro.linkan.com.br Blog Sun, 06 Oct 2024 15:38:56 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Vale a Pena Investir em Fundos de Índice? https://recortefinanceiro.linkan.com.br/vale-a-pena-investir-em-fundos-de-indice/ https://recortefinanceiro.linkan.com.br/vale-a-pena-investir-em-fundos-de-indice/#comments Sun, 06 Oct 2024 15:38:56 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=501 Quando o assunto é investir em ações, existem duas principais estratégias que são utilizadas. A primeira delas é o que chamamos de investimento ativo, ou seja, você vai selecionar ativamente um conjunto de ações e montar uma carteira. O objetivo dessa estratégia é ter retornos acima do índice de referência (benchmark) no longo prazo. No Brasil, o índice utilizado é o Ibovespa; nos Estados Unidos, o maior e mais importante índice é o S&P 500.

A segunda maneira de investir em ações é com a estratégia passiva. Nesse caso, acredita-se que obter retornos acima do mercado no longo prazo é uma tarefa muito difícil e que a maioria dos gestores de fundos de investimento não conseguem superar seus índices. Um fundo passivo investe nas mesmas ações e na mesma proporção que seu índice de referência. Por exemplo, se uma ação representa 5% de um índice, o fundo alocará aproximadamente 5% de seus recursos nessa ação.

Uma forma de seguir uma estratégia ativa de gestão é comprar ações sozinho e montar uma carteira, porém, para a maioria das pessoas, a forma mais comum de realizar uma estratégia ativa de investimentos é por meio de fundos de investimento. de realizar uma estratégia ativa de investimentos é por meio de fundos de investimento. Em um fundo, um gestor e uma equipe de analistas realizam análises de mercado, empresas e setores para encontrar as melhores oportunidades do momento. Para prestar esse serviço, o fundo cobra uma taxa de gestão e uma taxa de performance de seus cotistas. Via de regra, nos fundos de ações, essa taxa costuma ser 2% de gestão + 20% de performance.

É importante perceber que, com uma estratégia passiva, o fundo não possui grandes despesas operacionais, pois o gestor não está constantemente comprando e vendendo ações e, também, porque ele não precisa de uma equipe de analistas para seguir a estratégia. Consequentemente, a taxa de gestão desses fundos costuma ser muito baixa, geralmente abaixo de 0,30% ao ano.

O Problema da Consistência

O gráfico abaixo demonstra a porcentagem de fundos ativos americanos que investem em ações e que apresentaram um desempenho abaixo do índice S&P 500 ao longo dos anos.

Olhando o gráfico, você pode chegar à conclusão de que a grande maioria dos fundos ativos dos Estados Unidos não apresentam um bom retorno. Mesmo assim, 40% deles superaram o índice em 2023, e 49% superaram em 2022. Então, por que não investir nesses poucos fundos que superaram o índice?

O problema é que você não tem como saber com antecedência quais serão esses fundos para o próximo ano. Pouquíssimos fundos ativos que tiveram uma excelente performance em um ano acabam replicando o mesmo sucesso no ano seguinte.

A consistência dos retornos dos fundos passivos é uma de suas principais vantagens. Isso ocorre porque os fundos passivos têm uma estratégia clara: seguir o desempenho de um índice de mercado de forma fiel, sem tentar superá-lo. Essa abordagem gera previsibilidade e, na maioria das vezes, oferece retornos alinhados com o crescimento de longo prazo do mercado como um todo. Os Estados Unidos têm a maior economia do mundo e, consequentemente, as maiores empresas do mundo. Conforme a economia americana se desenvolve e novas tecnologias são descobertas, as empresas se beneficiam e crescem cada vez mais, valorizando suas ações

O retorno médio anualizado do S&P 500 desde seu início em 1928 até 31 de dezembro de 2023 é de 9,90%. Por mais que esse retorno não pareça muito alto, primeiro, temos que lembrar que ele está expresso em dólares e, segundo, o juro composto tem um poder enorme de multiplicação de patrimônio no longo prazo.

Por outro lado, como mencionamos acima, os fundos ativos costumam ser inconsistentes. Isso acontece porque os gestores tentam superar o mercado com base em previsões, mas o mercado é imprevisível e influenciado por uma série de fatores, como a economia global, a política e eventos inesperados. Mesmo que um fundo tenha um bom desempenho em um ano, é difícil manter essa performance de forma consistente, já que a estratégia que funcionou em um período pode não funcionar em outro; as premissas que deram certo em um ano não serão as mesmas para o próximo.

Outro ponto importante é que, mesmo que um gestor de um fundo ativo consiga superar seu índice de referência, ele precisa ter uma rentabilidade de pelo menos 2% acima do índice, pois essa é a taxa de gestão que normalmente é cobrada. Ou seja, mesmo que o gestor consiga uma rentabilidade de 1% acima do índice, o investidor terá uma rentabilidade abaixo do índice, por conta do custo da taxa de gestão.

Por mais que alguns grandes investidores tenham ficado famosos por terem retornos consistentes acima do mercado durante muito tempo, como por exemplo, Warren Buffet, Peter Lynch, Ray Dalio e Carl Icahn, a probabilidade é de que você tenha retornos abaixo da média. A maioria dos investidores é imediatista, toma decisões com base nas últimas notícias e adora seguir as tendências do momento. Some isso à incapacidade de verificar se uma ação está cara ou barata, e você tem a receita perfeita para ter retornos abaixo da média no longo prazo.

Um exemplo perfeito disso é o caso da Nvidia. Essa empresa americana de tecnologia desenvolve unidades de processamento gráfico (GPUs) e tecnologias de computação avançada. Ela já era uma empresa relativamente grande, mas cresceu de forma extremamente rápida nos últimos anos por conta de sua atuação na produção de chips e semicondutores para a área de Inteligência Artificial. Em 2023, a ação da empresa subiu mais de 238%. Tendo em vista que a ação já tinha se valorizado muito e que ela estava sendo negociada a múltiplos elevados, muitos gestores de fundos optaram por vender as ações. O problema é que, em 2024, até a data deste artigo, a ação se valorizou mais de 140%. Esses gestores que venderam as ações no começo do ano perderam essa rentabilidade adicional e, provavelmente, estão com uma rentabilidade abaixo do índice de referência.

Levando todos esses dados em consideração, um consenso vem se estabelecendo nos EUA de que a melhor maneira de investir em ações é por meio de fundos passivos. Em 2024, o montante total aplicado em fundos passivos dos EUA ultrapassou, pela primeira vez, o montante aplicado em fundos ativos; essa mudança de preferência cresce cada vez mais.

Observe no gráfico abaixo o saldo total de aplicações e resgates dos fundos ativos e passivos nos últimos anos. Podemos verificar claramente a tendência de maiores aplicações em fundos passivos.

Fundos de Índice no Brasil

No Brasil, os fundos de índice funcionam da mesma maneira; eles costumam ser mais diversificados que os fundos ativos, possuem uma baixa taxa de gestão e alta liquidez. O maior problema de investir nesses fundos no Brasil é que o nosso índice de ações, o Ibovespa, é mais concentrado em empresas de setores cíclicos, como commodities e bancos; isso faz com que o índice seja mais volátil do que seu par americano.

Outro problema é o ambiente econômico do Brasil. Nosso país enfrenta maior instabilidade econômica e política, com crises frequentes, alta inflação e vulnerabilidade a fatores externos, como variações nos preços de commodities. Isso reduz a confiança dos investidores internacionais e afeta o crescimento das empresas.

Além disso, o Brasil tem historicamente taxas de juros elevadas, o que torna os investimentos em renda fixa mais atraentes e reduz a demanda por ações. Nos Estados Unidos, as taxas de juros são mais baixas, incentivando os investidores a buscar retornos maiores no mercado acionário, o que impulsiona a valorização das ações.

Veja abaixo as 20 maiores ações que compõem o Ibovespa e o S&P 500:

A primeira coisa que podemos perceber é que, como mencionado anteriormente, as maiores empresas brasileiras são do setor de commodities e do setor financeiro, além de o Ibovespa ser muito mais concentrado em poucas empresas. As 20 maiores ações representam 68,8% do índice. Por outro lado, o S&P 500 é muito mais diversificado; suas maiores ações são do ramo de tecnologia, e as 20 maiores ações representam 40,7% do índice.

De acordo com uma pesquisa de um escritório de investimentos, o Ibovespa apresentou um retorno de aproximadamente 11,9% ao ano desde 1994, no início do Plano Real. Por mais que esse resultado seja maior que os 10% do S&P 500, devemos lembrar que:

  1. A rentabilidade do Ibovespa é em Reais e o S&P 500 é em dólares;
  2. Grande parte dessa valorização está no período de 1994 – 2008 quando o Brasil presenciou uma fase de grande crescimento econômico;
  3. A rentabilidade anualizada do CDI desde 1994 foi de aproximadamente 15,5%;
  4. O IPCA anualizado desde 1994 foi de aproximadamente 6,9%;

Considerando essas informações, podemos chegar na conclusão de que ter investido no índice Ibovespa desde 1994 não teria sido um bom negócio. Sua rentabilidade seria menor que a da renda fixa no período.

Um ponto importante é que devemos prestar atenção ao efeito da desvalorização da moeda brasileira ao longo do tempo. Quando olhamos o gráfico de rentabilidade do Ibovespa, observamos que ele está no seu topo histórico. Porém, ao observar o Ibovespa cotado em dólares, percebe-se que seu topo histórico foi em 2008 e, atualmente, ele já se desvalorizou 70% em relação à sua máxima.

Veja abaixo a rentabilidade do Ibovespa cotado em dólares:

Conclusão

Após observar diversas estatísticas sobre a rentabilidade, eficiência e consistência dos fundos de índice, pode-se dizer que sim, vale a pena investir nesse tipo de fundo quando estamos falando sobre o mercado de ações americanas.

A economia americana é a maior e mais influente do mundo; as empresas americanas também são as maiores, mais inovadoras e mais lucrativas do mundo. Seguir o índice americano, como, por exemplo, o S&P 500, historicamente foi um bom negócio. Poucos fundos ativos de ações conseguem superar o índice e, mesmo que consigam em um ano, têm dificuldade de manter essa boa performance no longo prazo.

Ao investir em um fundo de índice de ações americanas você automaticamente já garante os seguintes benefícios:

  1. Maior diversificação de risco entre as maiores empresas americanas, no caso do S&P 500, as 500 maiores empresas;
  2. Custos baixos: você economiza uma quantidade significativa de dinheiro no longo prazo por conta das baixas taxas de gestão;
  3. Transparência de alocação: você sabe exatamente em quais empresas está investindo;
  4. Facilidade de acesso, qualquer um consegue acessar esses fundos através de uma corretora e contar com uma alta liquidez;
  5. Contar com um retorno histórico muito atrativo. Por mais que retornos passados não sejam garantias de retornos futuros, o índice de ações americanas se demonstrou muito resiliente ao longo dos anos.

Por outro lado, quando falamos sobre o Brasil, a melhor opção que temos até o momento é continuar utilizando fundos ativos de ações. É importante perceber que essa decisão não é porque os gestores de fundos do Brasil sejam melhores que os gestores americanos, mas sim porque nosso índice de ações não é bom.

O Ibovespa é um índice muito concentrado em poucas empresas de commodities e bancos, dois setores muito cíclicos. O índice apresenta baixa diversificação e, em diversas janelas de tempo, apresentou uma rentabilidade inferior à renda fixa. A economia brasileira também não é tão dinâmica quanto a americana; isso, somado a diversos outros problemas institucionais, faz com que o Brasil seja um lugar difícil para as empresas prosperarem.

No Brasil, os gestores ativos têm maior potencial de gerar um retorno acima do mercado, justamente pela ineficiência do mercado local e pela menor cobertura de analistas. A habilidade de um bom gestor em identificar empresas subvalorizadas, setores em crescimento ou tendências econômicas pode gerar resultados significativamente melhores do que o desempenho do índice Ibovespa.

Investir em fundos ativos tende a ser mais vantajoso no Brasil porque o mercado é menos eficiente, menos diversificado e mais volátil. Isso cria oportunidades para gestores de fundos ativos gerarem retornos superiores, principalmente ao navegar pelas peculiaridades do mercado local. Nos Estados Unidos, a eficiência, a ampla diversificação e os baixos custos dos fundos passivos geralmente os tornam a melhor opção para a maioria dos investidores, pois superam muitos fundos ativos em longo prazo.

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Tudo Sobre Fundos de Investimentos https://recortefinanceiro.linkan.com.br/tudo-sobre-fundos-de-investimentos/ Thu, 12 Sep 2024 00:44:52 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=417 Um dos veículos mais populares para aplicação de recursos no Brasil são os fundos de investimento.  Um fundo de investimento é uma modalidade coletiva de aplicação de recursos financeiros, permitindo que várias pessoas invistam juntas em um único fundo.

Sua popularidade é um resultado de sua grande acessibilidade, diversificação de riscos e por proporcionar ao cotista uma equipe de gestão profissional e qualificada.

Todo fundo possui uma equipe de profissionais que são responsáveis por administrar e investir o dinheiro que foi aplicado no fundo em outros produtos financeiros, que podem variar conforme o tipo de fundo e sua estratégia. Existem fundos de ações, crédito privado, multimercado, imobiliários, entre outros.

É mais provável que uma equipe profissional composta por um gestor e vários analistas tenham uma performance melhor nos investimentos do que um indivíduo sozinho escolhendo os ativos de forma individual.

A diversificação também é um benefício muito importante. Suponha que você invista diretamente em títulos de crédito privado, muito provavelmente você teria que aplicar uma quantia considerável de dinheiro para obter apenas um título. Seu risco estaria exposto somente à esse único título. Em um fundo, esse risco é muito menor pois seu dinheiro será destinado à um conjunto de títulos, seu risco agora estaria espalhado em diversos títulos diferentes.

Os fundos de investimento são considerados muito acessíveis, pois é possível encontrar excelentes opções com aplicações mínimas em torno de R$100,00. Com esse baixo investimento inicial, você tem a oportunidade de investir em um ativo que talvez não conseguiria adquirir de forma individual.

Vamos verificar agora como os fundos de investimento funcionam e quais são seus diferentes tipos:

Constituição e Patrimônio

O fundo de investimento é formado a partir dos recursos aportados pelos diversos investidores, e ao aplicar dinheiro no fundo, cada investidor adquire cotas, que correspondem a uma fração do patrimônio total. O valor de cada cota é calculado dividindo o patrimônio líquido do fundo pelo número total de cotas em circulação. Quando o fundo apresenta uma boa performance, o valor das cotas aumenta; em caso de retornos negativos, o valor das cotas diminui.

Cotas abertas

A maioria dos fundos de investimento que não são negociados em bolsa funcionam no modelo de cotas abertas. Isso significa que, os investidores podem comprar ou resgatar suas cotas a qualquer momento, diretamente com o fundo. O fundo emite novas cotas quando um investidor compra e as “queima” quando um investidor resgata.

Nesse caso, o patrimônio do fundo é variável. Ele pode variar diariamente, dependendo das entradas (novos investidores comprando cotas) e saídas (investidores resgatando cotas).

Cotas fechadas

Nesse caso, existe um limite de emissão de cotas. As cotas geralmente são emitidas durante um período específico, geralmente no momento de criação do fundo ou em ofertas subsequentes.

Os investidores não podem resgatar suas cotas diretamente com o fundo antes do prazo de vencimento, que pode ser determinado por um prazo específico ou pela liquidação dos ativos do fundo.

O patrimônio desses fundos é fixo e permanece relativamente estável com o tempo, pois não há entradas ou saídas constantes de recursos.

Os fundos dessa categoria costumam ser negociados em bolsa de valores.

Um bom exemplo desta categoria são os fundos imobiliários. Os fundos imobiliários captam recursos e compram imóveis. Perceba que, não é possível que esse tipo de fundo funcione no sistema de cotas abertas. Quando você quisesse resgatar suas cotas, o que o fundo faria? Ele não tem como vender uma parte do imóvel para te devolver o dinheiro. Por isso, a quantidade de cotas continua fixa, seu patrimônio não se altera, e suas cotas são negociadas na bolsa de valores.

Gestão Profissional

Todos os fundos são geridos por uma equipe de profissionais, normalmente composta por um gestor e uma equipe de analistas. O gestor é quem toma as decisões de compra e venda, enquanto os analistas o ajudam na escolha dos ativos.

Cada fundo segue uma política de investimento que é pré-definida e disponível em seu regulamento. Os fundos são classificados de acordo com os ativos em que investem. Existem fundos de ações, de renda fixa, multimercados, entre outros. Veremos as características de cada um a seguir.

Principais tipos de fundos de investimentos:

Renda Fixa

Para ser classificado como renda fixa, o fundo precisa ter pelo menos 80% de seu patrimônio aplicado em ativos de renda fixa. Ainda dentro dessa categoria, os fundos podem ser subdivididos em algumas classes. As principais são:

  • Curto Prazo: Nesses fundos, os títulos de renda fixa podem ter um prazo de vencimento de no máximo 375 dias, e um prazo médio de vencimento inferior a 60 dias.
  • Referenciado: Pelo menos 95% dos ativos devem acompanhar o benchmark estabelecido.
  • Simples: Pelo menos 95% dos ativos são investidos em títulos públicos pós-fixados.
  • Crédito Privado: O fundo precisa ter no mínimo 50% de de títulos de crédito privado para ter essa denominação.

Ações

Fundos de ações precisam ter pelo menos 67% de seu patrimônio composto pelo seguinte conjunto de ativos financeiros: ações, ETFs de ações e BDRs. Embora possam investir em outras classes de ativos, a maioria dos fundos de ações investe apenas em ações e costuma manter algo em torno de 5% a 10% do patrimônio como caixa, em ativos de renda fixa.

Os fundos de ações buscam ter uma rentabilidade acima do índice Ibovespa.

Multimercados

Os fundos multimercados têm esse nome porque podem alocar seus recursos em qualquer classe de ativos, como renda fixa, renda variável, moedas, derivativos, entre outros. Normalmente, esse tipo de fundo segue uma das seguintes estratégias:

  • Alocação Macro
  • Long & Short
  • Multiestratégia
  • Quantitativos

É importante lembrar também que, normalmente, o benchmark dos fundos multimercados é o CDI. Por isso, eles costumam ser um pouco mais arriscados que os fundos de renda fixa, mas também apresentam menos volatilidade que os fundos de ações.

Fundos Imobiliários – FIIs

Conforme vimos anteriormente no artigo sobre renda variável, esse tipo de fundo pode investir em imóveis e também em títulos de dívida relacionados ao mercado imobiliário. Os fundos que investem majoritariamente em imóveis são chamados de fundos de ‘tijolo’, enquanto aqueles que investem predominantemente em ativos de crédito imobiliário são chamados de fundos de ‘papel’.

Taxas nos Fundos de Investimento

Fundos de investimento possuem custos tanto com gestores e analistas quanto com despesas operacionais, que incluem custódia, auditoria, administração e outros serviços necessários para o funcionamento do fundo.

Por isso, existe uma taxa de gestão anual cobrada dos cotistas. Essa taxa é expressa como um percentual sobre o patrimônio líquido do fundo e é deduzida diariamente do valor das cotas, afetando assim a rentabilidade líquida do investidor.

Por exemplo, é comum que fundos multimercados e de ações cobrem uma taxa de gestão de 2% ao ano. Na prática, essa taxa é calculada e aplicada diariamente. Uma taxa anual de 2% equivale a aproximadamente 0,0054% ao dia. Isso significa que, nesse exemplo, 0,0054% do valor total da sua aplicação no fundo é deduzido diariamente como taxa de gestão.

Além da taxa de gestão, também existe a taxa de performance. Essa taxa é uma cobrança adicional aplicada em alguns fundos de investimento como forma de remunerar o gestor por superar um determinado índice de referência, o famoso benchmark. Trata-se de um bônus que o gestor recebe quando o fundo apresenta um desempenho superior ao esperado.

Novamente, em fundos multimercados e de ações, a taxa de performance costuma ser de 20%.

Como funciona na prática: imagine que você tenha investido R$ 100 mil em um fundo de ações. Durante o ano, o fundo teve um rendimento de 20%, enquanto o benchmark, o Ibovespa, teve um rendimento de 10%. Nesse caso, a taxa de performance seria cobrada apenas sobre os 10% que excederam o benchmark, ou seja, 20% sobre R$ 10 mil, totalizando R$ 2 mil.

Impostos nos Fundos de Investimento

Lembrando que a cobrança de impostos só incide em cima dos lucros e não do valor total aplicado. Todos os impostos nos fundos de investimento são recolhidos na fonte

Nos fundos de renda fixa e multimercados, a tributação é feita de acordo com a tabela regressiva de IR da mesma maneira que acontece com os títulos de renda fixa. Quanto mais tempo você permanecer investido, menor serão os impostos.

Nos fundos de renda fixa, também existe a cobrança de IOF em aplicações com menos de 30 dias de acordo com a tabela abaixo:

A tributação nos fundos de ações é relativamente mais simples, já que há apenas a incidência de uma alíquota fixa de 15% sobre o lucro obtido, independentemente do período em que o capital permaneceu investido no fundo. Além disso, os fundos de ações não estão sujeitos à tributação de come-cotas.

Imposto Come-cotas

O governo, sempre buscando arrecadar mais, não quer esperar até o momento do resgate para cobrar impostos sobre as aplicações. O come-cotas é uma antecipação do recolhimento do Imposto de Renda que ocorre em fundos de renda fixa e multimercados. Ele é cobrado no último dia útil dos meses de maio e novembro de cada ano, ou no momento do resgate, se realizado antes dessas datas.

O IR antecipado é calculado com base na menor alíquota para cada tipo de fundo. Em fundos de curto prazo, a cobrança é de 20% sobre os ganhos, e em fundos de longo prazo, é de 15%.

Essa cobrança pode ser um pouco confusa, pois não reduz simplesmente o valor da sua aplicação.

A diferença é que essa tributação incide diretamente na quantidade de cotas dos fundos e não sobre o valor delas. Na prática, o cotista terá uma redução no número de cotas que possui em seus fundos.

Imagine que você tenha aplicado R$ 100 mil em um fundo de renda fixa no início do ano. Na aplicação, cada cota tinha o valor de R$ 1, ou seja, você adquiriu 100 mil cotas do fundo. No fim de maio, sua rentabilidade acumulada foi de 10%, e seu montante total agora é de R$ 110 mil. Você continua possuindo 100 mil cotas, mas agora cada cota vale R$ 1,10.

O come-cotas incidirá sobre os R$ 10.000 de lucro, resultando em um imposto de 15%, o que equivale a R$ 1.500. Como esse imposto reduz a quantidade de cotas e não o valor da sua aplicação, você teria perdido cerca de 1.363 cotas.

Com isso, no primeiro dia de junho você estaria com a seguinte posição:

  • Valor total: R$ 108.500,00
  • Quantidade de cotas: 98.637
  • Valor da cota: R$ 1,10

Conclusão

Os fundos de investimento podem ser uma excelente ferramenta para diversificação, pois oferecem acesso a diversos mercados e investimentos que muitas pessoas não conseguiriam acessar de forma individual.

A equipe de gestão profissional também pode ser um diferencial na hora de alocar os recursos e atingir uma melhor relação entre risco e retorno.

Contudo, as taxas de gestão, performance e impostos podem fazer com que a rentabilidade da aplicação fique aquém das expectativas. Por isso, para encontrar um bom fundo de investimento, é importante analisar e comparar a rentabilidade entre diferentes fundos, verificar seu histórico, sua política de investimentos e avaliar se o fundo tem sido capaz de superar seu benchmark de forma consistente.

Além disso, considere fatores como a experiência da equipe de gestão, a transparência na comunicação com os investidores e as condições de mercado que podem influenciar o desempenho futuro.

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