FII – Recorte Financeiro https://recortefinanceiro.linkan.com.br Blog Tue, 27 Aug 2024 01:46:52 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Introdução à Renda Variável https://recortefinanceiro.linkan.com.br/introducao-a-renda-variavel/ https://recortefinanceiro.linkan.com.br/introducao-a-renda-variavel/#comments Tue, 27 Aug 2024 01:46:52 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=268 Assim como você já pode ter imaginado pelo nome dessa categoria de investimento, a renda variável é o tipo de investimento em que o retorno varia ao longo do tempo. Mas por que isso acontece? Ao contrário da renda fixa onde a rentabilidade e o prazo de vencimento são conhecidos previamente, na renda variável os ganhos ou perdas dependem de diversos fatores como por exemplo: o desempenho das empresas, cenário econômico local e global, eventos globais, entre outros.

Como vimos anteriormente, a renda fixa se assemelha com um empréstimo, por isso possui maior previsibilidade de retorno. No caso da renda variável estamos falando, na maior parte das vezes, sobre a aquisição de bens e ativos. E o que seriam esses bens e ativos? Podem ser ações, imóveis, fundos de investimentos, commodities, moedas e derivativos.

Vamos analisar quais são os principais ativos de renda variável.

Ações

Uma ação representa uma participação na propriedade de uma empresa, incluindo um direito sobre os lucros e os ativos. Quando você compra uma ação você se torna dono de uma parte dessa empresa. Como dono de uma empresa, você tem basicamente duas maneiras de ser remunerado:

  1. Apreciação da ação/empresa: Você compra uma ação por R$100 e, conforme a empresa vai crescendo e apresentando maiores lucros, seu preço também aumenta. Você pode optar por vender essa ação a um preço mais alto e obter um lucro nessa operação.
  2. Recebimento de parte dos lucros: Todas as empresas visam o lucro. E o que elas fazem com esse lucro? Ou reinvestem de volta no negócio visando crescer cada vez mais, ou elas repassam esse dinheiro para o acionista na forma de dividendos.

É importante entender que, diferentemente de um CDB ou um título público, ações não possuem prazo de vencimento. Ações continuarão existindo enquanto a empresa existir, ou como dizemos no mercado, existirá na perpetuidade.

Na bolsa de valores, as ações são identificadas por meio de códigos que chamamos de tickers. Esses tickers são compostos de 4 letras e um ou dois números. Por exemplo, o banco Santander é representado pelo código SANB3, SANB4 ou SANB11. No geral, existem 3 tipos de ações:

  1. Ordinárias (ON): As ações ordinárias são aquelas que dão direito de voto para o acionista. Quem possui a maioria das ações ordinárias é quem de fato controla e manda na empresa. Ações ordinárias sempre terminam com o número 3 na bolsa de valores. Por exemplo, SANB3 é a ação ordinária do Santander. Outro atributo deste tipo de ação é que, por lei, existe um direito de tag along de no mínimo 80%. Isso significa que, caso o controlador da empresa decida vender a empresa por R$100 por ação, você como acionista minoritário tem o direito de receber no mínimo R$80 por ação.
  1. Preferenciais (PN): As ações preferenciais terminam com os números 4, 5 ou 6. Este tipo de ação não dá nenhum direito de voto ao acionista. Ou seja, mesmo que você adquira todas as ações preferenciais da empresa, continuará sem ter nenhum poder de decisão. Então, por que investir nesse tipo de ação? Porque ela oferece preferência no recebimento de dividendos. Você acaba recebendo mais dividendos do que os acionistas de ações ordinárias e de forma antecipada. Nessa modalidade, o direito de tag along também é variável.
  1. Units: Ações units sempre terminam com o número 11. São basicamente uma combinação de ações ON e PN. Algumas empresas podem ter baixa liquidez em suas ações ON e PN quando negociadas separadamente. Ao combiná-las em units, as empresas conseguem aumentar a liquidez, tornando o ativo mais atrativo para os investidores. No caso do Santander, sua ação unit SANB11 é composta por uma ação ON e uma ação PN.

É importante lembrar que na B3, a bolsa de valores do Brasil, as ações podem ser negociadas em lotes-padrão ou no mercado fracionário. Um lote-padrão de ações é composto por 100 ações da empresa, ou seja, ao comprar ou vender ações em lote-padrão você estará negociando múltiplos de 100 ações.

Por exemplo, se as ações ordinárias do Santander (SANB3) estiverem cotadas a R$10, ao comprá-las você adquirirá 100 ações, totalizando um investimento de R$1.000.

Mas e se você quiser comprar menos de um lote? Nesse caso você pode negociar no mercado fracionário. Nesse mercado você negocia as ações individualmente. Você pode negociar de 1 à 99 ações. Para negociar no mercado fracionário basta adicionar a letra “F” no final do código das ações. Por exemplo: SANB3F, SANB4F, SANB11F, etc.

Quais são os principais impostos envolvidos nas operações com ações?

Imposto de Renda (IR):

  • Isenção: Para vendas mensais de ações que totalizem até R$ 20.000,00, o investidor é isento de Imposto de Renda sobre o lucro dessas operações. Apenas para operações normais, acima de um dia. Day trade não possui essa isenção.
  • Alíquota: 15% sobre o lucro líquido em operações comuns (quando as ações são vendidas em prazos superiores a um dia).
  • Alíquota em Day Trade: 20% sobre o lucro líquido em operações de day trade (compra e venda de ações no mesmo dia).

Dividendos recebidos de empresas brasileiras são isentos de Imposto de Renda, válido apenas para pessoas físicas.
Distribuição de proventos na forma de Juros Sobre Capital Próprio (JCP) possuem 15% de Imposto de Renda retido na fonte.

Existe também a Compensação de Prejuízos.
Prejuízos apurados em um mês podem ser compensados com lucros futuros em meses subsequentes, reduzindo a base de cálculo do Imposto de Renda. A compensação pode ser feita tanto para operações comuns quanto para day trade, mas não entre os dois tipos de operação (ou seja, prejuízo em day trade só pode compensar lucro de day trade).

Fundos Imobiliários (FII’s)

Fundos imobiliários são extremamente populares no Brasil e vem crescendo cada vez mais. Os fundos imobiliários (FII’s) são uma forma de investimento coletivo que permite aos investidores aplicarem recursos em imóveis ou em ativos relacionados ao setor imobiliário. Assim como nas ações, você tem duas maneiras de ganhar dinheiro investindo em FII’s, através da valorização das cotas e com a distribuição de rendimentos. Devido à estabilidade dos imóveis, a valorização das cotas dos fundos imobiliários tende a ser menos expressiva e, de forma geral, menos voláteis do que as ações. Por isso, os rendimentos mensais representam a maior parte dos ganhos.

O que acontece na prática é que o fundo de investimentos capta o dinheiro dos investidores e em troca entrega cotas para eles. Com esse dinheiro o fundo geralmente compra imóveis, terrenos ou renda fixa atrelada ao crédito imobiliário. Assim, os FII’s se dividem principalmente em dois tipos: fundos de papel e fundos de tijolo. Cada tipo possui características e objetivos distintos.

Tijolo:

  • Tem esse nome pois ele investe majoritariamente em ativos fixos, imóveis. Esses imóveis podem ser prédios corporativos, galpões logísticos, shoppings, hospitais, hotéis, apartamentos residenciais e até mesmo cemitérios. Permitem que os investidores participem do mercado imobiliário sem a necessidade de adquirir um imóvel diretamente.
  • Veja abaixo a carteira de um fundo de tijolo em shoppings.

Papel:

  • Os fundos de papel tem esse nome pois investem em títulos, notoriamente os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI’s). Esses títulos são emitidos com lastro em diversos empreendimentos imobiliários e seus aluguéis. os CRI’s são títulos com aplicação mínimo elevado e normalmente não estão acessíveis ao pequeno investidor, portanto os FII’s são uma maneira prática de acessar esse mercado.
  • Veja abaixo a carteira de um fundo de papel.
Carteira de um fundo de papel que investe em Certificados de Recebíveis Imobiliários, CRI’s. Observe a diversificação que foi feita em diversos segmentos do mercado imobiliário.

Qual é a diferença entre investir direto em um imóvel ou investir em FII’s?

Sendo proprietário de um imóvel você participa de todas as decisões referentes a obras reformas e melhorias mesmo que tenha uma imobiliária por trás auxiliando. Você também participa das negociações de preços de aluguel e condições para a entrada e saída de inquilinos.

Nos FII’s, ao investir você se torna dono de uma parte do fundo e não do imóvel, portanto as decisões são compartilhadas com outros cotistas. Os FII’s possuem equipes de administradores e gestores que possuem experiência no mercado imobiliário e que cuidam do portfólio de imóveis e analisam novas oportunidades. Normalmente possuem mais conhecimento do mercado e mais poder de negociação do que um indivíduo sozinho.

Os FII’s possibilitam uma maior diversificação em segmentos do setor imobiliário com um capital menor. Com apenas R$10,00 você já pode ser cotista de diversos fundos. Até o momento desse artigo, os proventos dos FII’s são isentos de imposto de renda para as pessoas físicas desde que respeitadas outros requisitos para a isenção (tamanho do fundo, etc). Por outro lado, os aluguéis de investimento direto em imóveis sofrem tributação conforme a renda.

Enquanto a maioria do investimento direto em imóveis se limita ao setor residencial, os FII’s exploram diversos segmentos e reduzem o risco de se ter apenas um inquilino.

Pontos Positivos Fundos de Tijolo:

  • Os imóveis tendem a repor a inflação no longo prazo por serem ativos reais. O cotista também recebe proventos que são os aluguéis recebidos e são isentos de IR para a pessoa física.
  • Equipe de gestão pode ser capaz de fazer bons negócios.
  • Vacância controlada.
  • Decisões dos cotistas.

Pontos Positivos Fundos de Papel:

  • Distribuem os juros recebidos corrigidos por indexadores como o IPCA, IGP-M e CDI. Como a correção da inflação também é distribuída como rendimento, isso pode levar a um rendimento maior em relação aos fundos de tijolo no curto prazo, porém diminui o patrimônio do FII no médio prazo. Por isso, esses fundos costumam fazer emissões com mais frequência para captar mais recursos e continuar investindo.

Em ambos os casos, apesar do cotista não ter grandes ganhos de capital no longo prazo com a valorização das cotas, o patrimônio pode crescer exponencialmente com a reaplicação dos proventos. Por isso os fundos imobiliários são uma boa opção para o investidor que quer diversificar no setor imobiliário e o reinvestimento da renda recebida ajuda a turbinar o acúmulo de patrimônio.

Na bolsa de valores, os FIIs são negociados com um código composto por quatro letras seguido pelo número 11, por exemplo: MXRF11. Diferentemente das ações, os FIIs são comprados de forma unitária, o que significa que você pode adquirir cotas individuais.

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