Comportamento – Recorte Financeiro https://recortefinanceiro.linkan.com.br Blog Sat, 11 Jan 2025 14:59:38 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Por Que Muitos Perdem no Jogo dos Investimentos? https://recortefinanceiro.linkan.com.br/por-que-muitos-perdem-no-jogo-dos-investimentos/ Sat, 11 Jan 2025 14:59:38 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=1351 Recentemente, me deparei com um vídeo de uma entrevista muito interessante com Charles D. Ellis, um famoso autor e especialista em investimentos. Para minha surpresa, descobri que ele é o autor do livro Winning the Loser’s Game (“O Jogo do Perdedor”, em português), uma obra que influencia profundamente a forma como muitos enxergam o universo dos investimentos.

Até então, eu não sabia que essa analogia havia sido originalmente popularizada por Ellis. Anteriormente já havia encontrado essa comparação de que investir é, essencialmente, “o jogo do perdedor” em outros contextos, como na autobiografia de Guilherme Benchimol “Na Raça” e em diversas palestras e entrevistas de grandes investidores como Warren Buffett e Charlie Munger. Essa ideia é muito interessante pois nos ajuda a entender o comportamento dos mercados.

Ellis, em sua entrevista, aprofunda a explicação ao defender que estratégias simples e de baixo custo, como investir em fundos indexados, são mais eficazes para a grande maioria das pessoas do que tentar superar o mercado com uma gestão ativa.

Segundo ele, o segredo não está em vencer, mas em evitar perder. Um conceito que vai na contramão da obsessão por retornos extraordinários que tantos investidores perseguem.

Essa abordagem um tanto contraintuitiva nos faz questionar: será que estamos valorizado as escolhas erradas na busca pelo sucesso financeiro?

O Jogo do Perdedor e O Jogo do Vencedor

Para entender o que ele quer dizer com isso, precisamos entender a diferença entre um jogo do ganhador e um jogo do perdedor. Um exemplo claro disso é o tênis. Se você já assistiu ou jogou uma partida de tênis, você pode ter percebido que na verdade, existe dois jogos de tênis. Um deles é jogado por profissionais extremamente talentosos, enquanto o outro é jogado por amadores e todas as outras pessoas.

Apesar dos jogadores de ambos os jogos utilizarem os mesmos equipamentos e seguirem as mesmas regras, a natureza dos dois jogos é completamente diferente. Enquanto os profissionais “ganham” os pontos, os amadores “perdem” os pontos.

Jogadores profissionais de tênis fazem jogadas potentes e precisas, realizam longas e empolgantes trocas de bola. O ponto geralmente é conquistado quando um deles consegue colocar a bola fora do alcance do adversário. Esses atletas altamente habilidosos não costumam cometer erros.

O tênis amador é um jogo completamente diferente. Jogadas brilhantes, trocas de bola emocionantes, e recuperações milagrosas são raras. Por outro lado, é bastante comum a bola ser jogada na rede ou fora da linha. O jogador amador raramente vence o adversário; na verdade, ele está constantemente derrotando a si mesmo.

O amador que vence nesse jogo de tênis e alcança uma pontuação maior, simplesmente porque o oponente perde ainda mais pontos. Quanto mais um tenista amador tentar se assemelhar com um tenista profissional, mais as próprias dificuldades do jogo acabam favorecendo o adversário.

Para aquele jogador iniciante e que ainda não aprendeu a jogar, a melhor estratégia é devolver a bola dentro da quadra do que querer ficar tentando ganhar. Quanto mais tempo você manter a bola no jogo, mais chances o seu adversário terá de errar. E, quanto mais ele tentar, mais ele vai errar. Com isso, utilizar a estratégia do perdedor é o melhor caminho para o tenista amador.

Obviamente, as pessoas jogam para ganhar, especialmente as pessoas mais competitivas. O problema é que essas pessoas agem da maneira errada e acabam se distanciando cada vez mais de seus objetivos. Elas perdem constantemente, insistem no erro e, com o tempo, desistem do jogo. Essa é uma tendência natural do ser humano.

No entanto, existe um outro tipo de jogo do perdedor que continua a enganar a maioria das pessoas. É talvez o jogo mais emocionante de todos e atrai pessoas todos os dias por sua tentativa de ganhar o jogo aplicando a uma estratégia do jogo do vencedor. Infelizmente, por ser uma tarefa quase impossível, ela quase nunca funciona.

Este outro jogo do perdedor que estamos falando é o “jogo” dos investimentos.

Investimentos: O Jogo do Perdedor

Investir é um jogo do perdedor, tanto no nível amador quanto no nível profissional. Ao longo do tempo, caso você continue tentando obter retornos maiores que o mercado, você, em algum momento, será conduzido a resultados abaixo da média.

Tentar acertar o timing do mercado para comprar na baixa e vendar na alta, realizar trades, operar alavancado, utilizar o mercado de opções e outras estratégias ativas de gestão é o mesmo que tentar fazer o jogo do vencedor.

É comum que as pessoas interpretem seus sucessos no mercado como uma confirmação de suas habilidades excepcionais, de seu discernimento apurado e de sua capacidade analítica para encontrar “empresas baratas” e conseguir comprar na baixa e vender na alta. Por outro lado, as perdas são vistas como um indicativo de que é necessário aprimorar suas estratégias ou métodos de análise.

Esse comportamento de gestão ativa trata o investimento como se fosse um jogo de vencedores. No entanto, isso não corresponde à realidade. Lembre-se de que ninguém sabe o que vai acontecer no futuro, o futuro é imprevisível, ninguém nunca conseguiu realizar o market timing até hoje.

Em geral, investidores individuais não têm o conhecimento necessário em avaliação de empresas e análise fundamentalista para selecionar as ações mais promissoras do mercado. Mas não se preocupe com isso. Até mesmo os profissionais que recebem milhões para isso não obtêm resultados muito superiores.

Encarar os investimentos como o jogo do vencedor fará com que você tenha resultados medianos e abaixo do mercado por uma série de motivos:

  1. Foco no curto prazo: Tratar os investimentos como um “jogo do vencedor” incentiva o foco em movimentos rápidos e táticas de curto prazo, como comprar na baixa e vender na alta. Isso leva a decisões impulsivas, baseadas em previsões e tendências momentâneas, em vez de uma estratégia fundamentada no longo prazo.
  2. Tentativa de prever o mercado (market timing): Como mencionamos anteriormente, é impossível prever o futuro. Diversos estudos mostram que a maioria dos investidores que tentam realizar o market timing acabam perdendo as melhores oportunidades, normalmente por subestimarem a potencial de retorno de uma ação.
  3. Custos elevados: Quanto mais você operar, mais você vai gastar em taxas de corretagem e impostos. Isso é capaz de desfazer todos os seus lucros obtidos no curto prazo.
  4. Menor diversificação: Estratégias baseadas no “jogo do vencedor” frequentemente se concentram em poucas ações ou setores, aumentando o risco. Uma grande perda em um ativo específico, especialmente durante períodos em que o mercado como um todo está em alta, pode comprometer seus retornos por anos. Em alguns casos, a recuperação total pode nunca ser alcançada, deixando sua carteira permanentemente atrás do mercado.

Lembre-se do exemplo do tenista amador, quanto mais jogadas complexas você tentar fazer, mais você vai errar. Nos investimentos, é muito mais interessante você ter um resultado consistente por um período longo de tempo do que ficar tentando acertar e ter um grande retorno em um ano específico. Veja essa grande frase de Charlie Munger:

É impressionante quanta vantagem a longo prazo pessoas como nós obtiveram ao tentar ser consistentemente não estúpidas, em vez de tentar ser muito inteligentes.

Como Vencer o Jogo dos Investimentos?

Aqueles que ousam encarar o jogo do perdedor dos investimentos contam com a sorte de contar com algum princípios que podem fazê-los obter sucesso. E não se trata de ser inteligente, embora essa seja uma boa característica. Warren Buffett já dizia que “Não é necessário fazer coisas extraordinárias para obter resultados extraordinários”.

Charles D. Ellis sugere duas soluções para o problema do jogo do perdedor. Ou encarar o mercado através de fundos de índice ou seguir quatro princípios básicos.

1) Jogue o seu próprio jogo

Em outras palavras, conheça bem e domine o seu círculo de competência. Aprenda as lições fundamentais das finanças comportamentais, que muitas vezes sabotam o seu sucesso nos investimentos e o levam a tentar jogar o “Jogo dos Vencedores”.

2) Mantenha a simplicidade

Qual é o maior problema com os gestores profissionais de investimentos? Eles giram demais os ativos da carteira por conta das pressões de curto prazo dos seus cotistas e da necessidade de manter o patrimônio elevado do fundo. Felizmente esse não é um problema que você precisa enfrentar. Você não precisa tomar decisões de curto prazo nem se preocupar com a volatilidade momentânea, não há necessidade de sair de sua zona de conforto, você pode se dar ao luxo de esperar com calma.

A simplicidade, concentração e economia de tempo e esforço são características fundamentais dos grandes jogadores. Por outro lado, muitos se perdem em um grande labirinto de detalhes na busca pelo sucesso de vencer o mercado.

3) Mantenha uma posição defensiva

Charles Ellis argumenta que, devido à intensa concorrência no mercado, todo o esforço de pesquisa dos gestores ativos de fundos é concentrado em decisões de compra. No entanto, em um “jogo dos perdedores”, a maior parte do tempo deve ser dedicada às decisões de venda.

Os problemas que você enfrentará com seus investimentos no futuro já estão presentes em sua carteira atual. Se conseguir reduzir alguns desses problemas agora, estará em uma posição mais favorável para vencer esse jogo.

Elimine de sua carteira tudo o que estiver excessivamente alavancado ou que não contribua positivamente para a sociedade como um todo. Por exemplo, empresas e fundos de investimento alavancados ou negócios em setores prejudiciais, como tabaco e álcool. Deixe que outras pessoas escolham esses investimentos. Em outras palavras, permita que outros percam para que você possa ganhar.

Certifique-se de que é capaz de permanecer no jogo e de que cada decisão sua facilite os próximos passos.

4) Não leve para o lado pessoal

No mundo dos investimentos, trabalho duro não está correlacionado com melhores resultados. Seu sucesso como investidor não virá apenas de sua habilidade em analisar empresas, mas da sua capacidade de identificar oportunidades em áreas onde poucos estão prestando atenção.

A maioria das pessoas no mercado financeiro são “vencedores” que sempre se destacaram por serem brilhantes, articulados, disciplinados e dedicados.

Esses profissionais estão tão acostumados a alcançar resultados por meio do esforço que, quando enfrentam a realidade de que a maioria dos fundos administrados profissionalmente não supera consistentemente o desempenho médio do mercado, tendem a interpretar isso como um reflexo de falhas pessoais.

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Erros que Comprometem sua Carteira de Investimentos https://recortefinanceiro.linkan.com.br/erros-que-comprometem-sua-carteira-de-investimentos/ Sat, 04 Jan 2025 14:31:17 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=1335 Durante alguns meses, tive a oportunidade de trabalhar como assessor de investimentos em um grande banco no Brasil. Nesse período, fui responsável por uma carteira com cerca de 50 clientes, todos com investimentos superiores a R$ 500 mil.

Em pouco tempo percebi que, apesar das quantias consideráveis aplicadas, muitos estavam insatisfeitos com os resultados e a performance de suas carteiras. Ao analisar mais de perto, identifiquei padrões recorrentes entre os insatisfeitos: os erros mais comuns iam desde a falta de diversificação e uma alocação excessivamente conservadora até o risco excessivo, que comprometia a segurança do patrimônio.

Essa experiência como assessor me levou a uma nova etapa profissional, passando por uma gestora de recursos, onde aprofundei ainda mais minha compreensão sobre esses equívocos e como eles afetam o desempenho das carteiras. Ao longo do tempo, percebi que muitos desses erros poderiam ser evitados com um planejamento mais estruturado e uma visão mais clara dos objetivos e do perfil de risco de cada um.

Separei aqui os erros mais comuns cometidos na hora de montar uma carteira de investimentos, vamos entender como evitá-los para garantir um desempenho melhor e mais eficiente.

Não assumir nenhum risco

Uma das primeiras coisas que me chamaram a atenção ao receber minha base de clientes foi a quantidade de pessoas (mesmo endinheiradas) que não assumiam nenhum tipo de risco com seus investimentos.

Nunca me esqueço de um senhor que tinha todo o seu patrimônio, cerca de R$ 11 milhões, investido apenas em uma LCA do banco. Outro caso marcante foi o de um cliente com R$ 1,5 milhão na poupança. Casos como esses eram recorrentes: a maioria das pessoas mantinha seu dinheiro em produtos simples de renda fixa pós-fixada, sem diversificação.

O principal problema dessa estratégia é o baixo retorno. Esses investimentos estão atrelados a índices como o Selic ou o CDI, que, embora seguros, oferecem uma rentabilidade limitada. Produtos de renda fixa mais simples têm como objetivo principal manter o poder de compra ao longo do tempo, mas não são eficientes para multiplicar o patrimônio. Ao optar por essa abordagem conservadora, o investidor perde a oportunidade de alcançar um crescimento mais acelerado por meio de ativos com maior potencial de rentabilidade, como ações ou títulos de crédito privado.

Além disso, há o risco da inflação. Se ela ultrapassar os rendimentos da renda fixa, o poder de compra do seu dinheiro será diluído ao longo do tempo. Produtos de renda fixa pós-fixada podem não ser suficientes para proteger contra uma inflação alta.

Outro ponto crucial é o risco da desvalorização cambial. Ao “não assumir risco” em sua carteira, você também deixa de se proteger contra as flutuações da moeda. Em momentos de instabilidade econômica ou política, a desvalorização cambial pode destruir rapidamente o valor do seu patrimônio, além de ser um indicativo de inflação futura.

Um exemplo claro disso ocorreu em 2024, quando a moeda brasileira sofreu uma desvalorização de 21%. Investidores que não possuíam parte de sua carteira dolarizada enfrentaram uma redução de 21% no valor de seu patrimônio em dólares.

Portanto, pode-se afirmar que adotar uma postura de “não querer assumir riscos” é, na verdade, um dos maiores riscos que você pode tomar. A falta de diversificação e a relutância em explorar oportunidades mais rentáveis prejudicam sua segurança financeira e limitam seu potencial de crescimento.

Arriscar demais na Renda Fixa

Este é outro problema clássico. Quem nunca abriu a lista de fundos de renda fixa e pensou em investir naquele fundo que mais rendeu nos últimos meses? Ou pensou em investir naquela debênture suspeita com uma rentabilidade elevada?

Nos últimos anos, aprendi que, arriscar demais na renda fixa não faz sentido. A razão para isso é simples: a partir de determinado ponto, a relação risco-retorno da renda fixa deixa de ser vantajosa.

Lembre-se que todos os investimentos em renda fixa são empréstimos. Você está emprestando dinheiro a alguém (governo ou uma empresa) e, em troca, espera receber o principal de volta, acrescido de juros. A grande questão é que, quanto maior a rentabilidade de um título de renda fixa, maior é o risco do emissor. Em outras palavras, quando você busca uma rentabilidade mais alta, está, na prática, aceitando um risco maior de inadimplência.

Na renda fixa, existem basicamente dois cenários possíveis: ou o devedor paga o principal mais os juros, ou ele não paga e você sofre uma perda total ou parcial do valor investido. Com isso em mente, fica a pergunta: vale a pena arriscar perder o montante principal investido em troca de um pequeno acréscimo de 0,5% ou 1% na sua rentabilidade anual? Eu acredito que não.

Em primeiro lugar, é importante lembrar o principal objetivo da renda fixa: uma forma de preservar o seu poder de compra ao longo do tempo, garantindo que seus investimentos superem a inflação. A renda fixa tem um papel importante na carteira de todos os investidores, mas esse papel é, basicamente, de estabilização e proteção, não de maximização de retorno.

Em segundo lugar, existem opções de investimento menos arriscadas, como fundos de investimento e produtos bancários que oferecem rentabilidade de até 120% do CDI, com um risco relativamente controlado. Esses produtos podem entregar um retorno interessante sem a necessidade de assumir riscos excessivos.

Se você está buscando retornos mais elevados e está disposto a assumir maiores riscos, a renda variável é onde você deve buscar essas oportunidades. Na renda variável, a relação risco-retorno é mais equilibrada e, dependendo do perfil de risco, pode oferecer melhores resultados a longo prazo.

Por isso, preste muita atenção na hora de abrir a lista de fundos de renda fixa e escolher aquele com a maior rentabilidade dos últimos meses, ou ao considerar investir em debêntures ou outros títulos com elevadas taxas de rentabilidade. Por mais atraente que uma rentabilidade mais alta possa parecer, ela frequentemente está atrelada a um risco que pode não justificar o benefício adicional e você pode acabar tendo um belo prejuízo.

Carteira Pulverizada

A diversificação é uma das estratégias mais utilizadas para reduzir os riscos de uma carteira de investimentos. No entanto, há um limite para o quanto se pode diversificar sem que isso prejudique a sua rentabilidade. Exagerar na quantidade de ativos pode resultar em uma carteira pulverizada, que, em vez de trazer benefícios, pode gerar diversos problemas.

Veja o exemplo abaixo:

Perceba como essa carteira possui muitos ativos. Esse é um problema comum que pode ocorrer por vários motivos, como a falta de conhecimento sobre a construção de uma carteira de investimentos ou, devido a uma assessoria financeira mal orientada.

É comum que gerentes banco ou assessores de investimento sugiram uma grande quantidade de produtos para “diversificar” o portfólio do cliente, mas muitas vezes com o intuito de atingir suas próprias metas de vendas, e não com base nas necessidades e objetivos do investidor.

Obviamente, ter uma carteira pulverizada não é ideal. Isso porque ela acaba diluindo os potenciais ganhos, resultando em um retorno geral mais modesto, mesmo que alguns ativos individuais tenham um bom desempenho.

Em vez de concentrar seu capital em investimentos com maior potencial de valorização, a pulverização reduz o impacto positivo dos ativos que realmente se destacam. Quando se espalha o investimento entre muitos ativos, cada um deles exerce um efeito mais fraco sobre o desempenho geral da carteira.

O correto, portanto, seria concentrar os investimentos em poucos ativos ou fundos promissores e com baixa correlação entre si. Trazendo uma maior eficiência e potencial de retorno para a sua carteira enquanto ainda mantém um nível adequado de diversificação para controlar o risco. Lembre-se de que os fundos de investimento já possuem uma carteira diversificada de ativos sob gestão.

Com isso, não faz sentido investir em mais de um fundo de investimento com estratégia semelhante. Preste atenção também nas recomendações que você está recebendo, muitas vezes pode não ser do seu melhor interesse.

Não Investir em Ativos Dolarizados

O Brasil é um dos países com o maior viés domésticodo mundo. Também chamado de Home Bias, o viés doméstico é um viés cognitivo que faz com que o investidor concentre a grande maioria de seu dinheiro dentro do seu país, ignorando os benefícios de uma diversificação no exterior.

Observe no gráfico abaixo como, em média, 95% do patrimônio do brasileiro está alocado no Brasil.

Existem dois outros exemplos interessantes no gráfico. O primeiro é o da Rússia: imagine os investidores russos, que têm cerca de 98% de seus investimentos em rublos e, após o início da guerra na Ucrânia, viram a bolsa de valores do país ser fechada e presenciaram uma forte desvalorização cambial. Pode-se dizer que a grande maioria dos russos tiveram uma grande redução de seu patrimônio quando cotados em dólares.

Outro exemplo relevante são os Estados Unidos, onde aproximadamente 75% dos investimentos estão alocados internamente. Mesmo estando na maior economia global e no maior mercado acionário do mundo, os americanos tendem a diversificar mais do que muitos outros países com economias menores.

Por mais que o nosso país tenha algumas boas oportunidades de investimento, concentrar grande parte de seus investimentos no Brasil aumentará a volatilidade e o risco de sua carteira.

Lembre-se de que o Brasil, apesar de ser uma das maiores economias do mundo, ainda é um país emergente e enfrenta uma série de desafios estruturais que impactam sua atratividade no cenário global.

Problemas fiscais, instabilidade política e jurídica, burocracia excessiva, altos impostos, baixa inovação, protecionismo e outras interferências na economia são questões recorrentes que limitam o potencial de crescimento do país. Esses fatores tornam o Brasil um destino menos atraente para investidores estrangeiros, especialmente em tempos de incerteza.

Quando o mercado perde confiança, isso se reflete, por exemplo, na alta do dólar em relação ao real. Em 2024, por causa da crescente desconfiança fiscal em relação à dívida brasileira, o dólar registrou uma valorização superior a 21%, mostrando como a moeda americana se torna um “porto seguro” em tempos de turbulência econômica interna.

É curioso notar como a maioria das pessoas não percebe que, no longo prazo, o dólar sempre vai se valorizar contra a moeda brasileira. O motivo é muito simples, a meta de inflação do banco central brasileiro é de 3% ao ano (mas normalmente fica em 4,5% ao ano, o teto da meta), enquanto o banco central americano estabelece uma meta de inflação de 2% ao ano. Ou seja, a moeda brasileira sempre vai se desvalorizar de forma mais rápida que o dólar americano, pressionando o câmbio para cima.

Felizmente, hoje em dia é muito fácil contornar o risco Brasil e o problema da desvalorização cambial, investindo em ativos dolarizados. Isso pode ser feito de duas maneiras: investindo em fundos de investimento dolarizados aqui no Brasil ou abrindo uma conta internacional em um banco ou corretora, para acessar diretamente o mercado externo.

Investir no mercado americano oferece benefícios significativos, como proteção cambial, diversificação geográfica e acesso a empresas inovadoras e setores estratégicos. Além disso, a estabilidade econômica e jurídica dos EUA proporciona maior segurança, reduzindo o impacto das incertezas do Brasil e melhorando a rentabilidade da carteira no longo prazo.

De forma geral, recomenda-se alocar entre 10% e 20% do patrimônio em ativos dolarizados.

Conclusão

Esses foram alguns dos problemas extremamente comuns que encontrei ao lidar com investidores e clientes de um grande banco. De forma geral, pode-se dizer que esses problemas acontecem por conta da falta de conhecimento dos investidores, do medo de perder dinheiro, da má orientação financeira dos gerentes e assessores de investimentos e até mesmo da falta de interesse e preocupação das pessoas.

Para solucionar esses problemas e também conseguir melhores rentabilidades nos investimentos, é fundamental adquirir educação financeira para conseguir distinguir entre aquilo que faz sentido ou não para os seus objetivos. Entender seu perfil de risco, diversificar de forma inteligente e explorar oportunidades tanto no mercado nacional quanto no exterior são passos essenciais para melhorar seus resultados.

Caso você não tenha tempo nem interesse de tomar suas próprias decisões de investimentos, contrate um profissional da área de investimentos que realmente te atenda bem e preze pelo seu melhor interesse. Tome cuidado caso você esteja sendo assessorado por alguém que apenas te ofereça produtos e serviços desnecessários e que estão desalinhados com os seus objetivos, ele provavelmente está querendo apenas bater suas metas de vendas.

E você, caro leitor, enfrenta algum desses desafios em sua carteira de investimentos? Compartilhe sua experiência nos comentários abaixo!

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Caminhos para a Pobreza: O que Evitar? https://recortefinanceiro.linkan.com.br/caminhos-para-a-pobreza-o-que-evitar/ Sat, 14 Dec 2024 13:46:52 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=1258 Não é nenhum segredo que a maioria das pessoas desejam alcançar a prosperidade financeira ao longo de suas vidas, trabalhando duro para alcançar seus objetivos. Conquistar a riqueza é um desafio que exige dedicação, planejamento e, muitas vezes, uma boa dose de sorte.

No entanto, a batalha pela riqueza é apenas metade da jornada. Saber administrar a riqueza e conseguir mantê-la ao longo do tempo é um desafio igualmente importante, senão maior.

A grande maioria dos conteúdos disponíveis sobre finanças pessoais se concentra em estratégias para aumentar a renda, investir melhor e acumular patrimônio. Poucos abordam a questão de como evitar os hábitos e comportamentos que podem levar à perda de tudo o que foi conquistado.

Obviamente, ninguém quer ficar pobre, mas também é muito importante saber as maneiras como você pode acabar pobre e com dificuldades financeiras, para que você possa evitar seguir o mesmo caminho. Afinal, como você pode evitar um erro se você sequer consegue identificá-lo? Então aqui estão 7 maneiras de como você pode acabar empobrecendo.

1) Mente Fechada / Falta de Interesse

Se você está lendo este artigo, parabéns! Você acabou de evitar a primeira maneira de ficar pobre. Ter uma mente fechada significa que você não quer aprender sobre outras coisas, especialmente quando se trata de dinheiro. Sem conhecimento sobre finanças, planejamento financeiro ou investimentos, nada pode ser feito. A verdade é que, infelizmente, a maioria das pessoas ainda não possui um conhecimento básico sobre finanças pessoais.

É importante lembrar que educação financeira não se trata de aprender como trabalhar no mercado financeiro. Trata-se de aprender a administrar seu dinheiro e fazer com que seu patrimônio cresça. Quando você não tem um planejamento para o seu dinheiro, não estabelece objetivos, não cria um orçamento e sequer poupa, você é basicamente um “analfabeto financeiro”, e isso é um grande problema.

De vez em quando, escuto algumas pessoas dizerem que educação financeira é uma perda de tempo e que seus ensinamentos não são válidos para as pessoas mais pobres. Ao ouvir isso, sempre me lembro do livro A Psicologia Financeira e da história de um sujeito chamado Ronald Read.

Ronald veio de uma família pobre dos Estados Unidos e trabalhou grande parte da vida como atendente em um posto de gasolina e como zelador. O mais impressionante é que, quando ele morreu em 2014, seu patrimônio era de mais de 8 milhões de dólares. Seus parentes mais próximos não acreditavam: como ele conseguiu acumular tudo isso? Ganhando pouco mais que um salário mínimo, Ronald viveu uma vida simples e sempre destinava uma pequena parcela de seu salário para investir em ações.

Se ele não entendesse a importância de investir e de como administrar seu dinheiro, não teria morrido rico com 8 milhões de dólares. Com esse dinheiro, ele provavelmente era mais rico que seu gerente, que provavelmente ganhava 4 ou 5 vezes seu salário.

Caso você seja uma das pessoas que não entende o propósito da educação financeira, lembre-se do exemplo de Ronald Read e do que é possível atingir seguindo os conceitos básicos de finanças pessoais.

Ronald Read 1921 – 2014

2) Gaste Mais do que Ganha

Esse aqui é o caso mais clássico, simples e rápido de se ficar pobre.

Nunca fomos tão bombardeados por propagandas e promoções incentivando o consumo como nos dias de hoje. A popularização dos smartphones e a integração das redes sociais ao nosso cotidiano tornaram os estímulos ao gasto ainda mais presentes. Todos nós já vimos algum “influencer” ostentando seus carros de luxo, suas roupas de grife e viagens caras, o que torna tentador viver um estilo de vida semelhante.

Digamos que você passe a viver esse estilo de vida luxuoso que é exibido nas redes sociais e comece a gastar cada vez mais do seu salário com jantares chiques, roupas da moda e os diversos produtos do momento. O que acontece na maioria dos casos quando o seu dinheiro acaba? Em vez de cortar gastos, você passa a utilizar cada vez mais o cartão de crédito ou a pegar dinheiro emprestado para manter esse estilo de vida. Pode parecer bom por um momento, mas, com o tempo, as contas se acumulam e os juros começam a pesar.

De acordo com uma pesquisa da FecomercioSP realizada anualmente, em dezembro de 2024, cerca de 70% dos lares no Brasil têm algum tipo de dívida. Destes, 25% têm pagamentos em atraso e 10% já enfrentam dificuldades para quitar seus débitos. O cartão de crédito é o principal instrumento de endividamento, principalmente quando utilizado para parcelamentos de longo prazo.

Você pode argumentar que a economia está ruim atualmente. Crise, inflação, tudo parece estar contra você. No entanto, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Mercado Livre, cerca de 85% das pessoas planejavam fazer compras e aproveitar as promoções da Black Friday em 2024. A maioria das pessoas está endividada e, mesmo assim, continua gastando como se não fosse nada demais.

Esse é um problema global e não apenas do Brasil. O maior desafio é que vivemos em um cenário de crise constante, mas queremos gastar como se estivéssemos em uma economia em crescimento.

3) Gaste Muito em Passivos

Antes de continuar, é importante esclarecer: passivos são coisas que você compra e que não trazem dinheiro para você.

Por exemplo, se você comprar uma casa e colocá-la para alugar, ela gerará uma renda do aluguel. Nesse caso, a casa é um ativo. Mas, se você comprar uma casa apenas para morar, ela custará dinheiro devido a manutenções, impostos e outros gastos necessários. Nesse caso, ela será um passivo, pois não gera renda.

O mesmo se aplica aos carros. Muitas pessoas gostam de carros mais caros e acreditam que eles serão um bom investimento. É importante lembrar que os carros se desvalorizam muito rápido. Você perde cerca de 10% do preço de um carro zero quilômetro assim que sai da concessionária com ele. Lembre-se: independentemente de ser uma BMW ou um Fiat Uno, o carro ainda te levará ao seu destino.

A maioria das pessoas precisa de um carro para trabalhar e viver suas vidas, seja ele um passivo ou não, e isso está tudo bem. O importante é lembrar que, se o seu orçamento está apertado, não gaste mais do que o necessário com um carro, ou, pior ainda, financie um carro caro. Em vez disso, compre um carro mais simples ou usado. Mantenha o mínimo possível de passivos financeiros em sua vida.

No futuro, quando você for bem-sucedido e tiver bastante dinheiro, poderá comprar o que quiser. Entretanto, adquirir muitos passivos, especialmente quando seu orçamento é limitado, dificultará o acúmulo de patrimônio e fará com que você esteja constantemente à beira da pobreza.

4) Cultive Vícios

A maneira mais rápida de ficar pobre, com alguma “diversão” ao longo do caminho, é cultivando vícios. Jogos de azar, drogas, álcool, prostituição e outros maus hábitos são um combo mortal para sua vida e, principalmente, para sua carteira.

Imagine que você seja viciado em drogas: elas não apenas destroem seu corpo, como também são caras. Adicione à conta os eventuais gastos com tratamentos, hospitais e medicamentos, e você estará perdendo dinheiro muito rapidamente.

O vício em apostas e jogos de azar pode parecer uma maneira emocionante de ganhar uma bolada de dinheiro, mas, na verdade, a casa sempre tem a vantagem. Você pode contar com a sorte e ganhar de vez em quando, mas a maioria dos jogadores não calcula quanto dinheiro gastou para obter aquele prêmio. Se você precisou gastar R$ 500 para ganhar R$ 100, obviamente não foi um bom negócio.

Junto com os exemplos anteriores, há também o vício em prostituição. Gastar seu dinheiro com prostitutas não só pode arruinar sua família, como também pode deixá-lo sem nada após uma separação. Além disso, você ainda corre o risco de contrair doenças. Esse é um caminho que não traz nada além de arrependimentos.

Um exemplo real e famoso no Brasil é o caso de Antônio Domingos. Ele era um jovem humilde de 19 anos que ganhou na loteria o equivalente a R$ 30 milhões em 1983. Em vez de planejar como poderia usar o dinheiro para transformar a vida dele e de sua família, decidiu gastá-lo com mulheres, festas e luxos, sem investir nada. O resultado não poderia ser diferente: seus dias de luxo e gastança duraram pouco menos de cinco anos. Antônio perdeu tudo e voltou a viver com um salário mínimo, trabalhando como garçom em um restaurante.

Esse é um exemplo perfeito de como os vícios podem destruir sua vida e suas finanças.

5) “Esquemas” para Ganhar Dinheiro Rápido

Quem não gostaria de encontrar uma maneira rápida e fácil de enriquecer, não é mesmo? Infelizmente, a realidade é que mais de 99% desses “esquemas para ganhar dinheiro rápido” se assemelham mais a “armadilhas para ficar pobre rapidamente”.

Esses esquemas costumam atrair pessoas com promessas de altos retornos e pouco ou nenhum risco, mas, na prática, acabam sendo negócios extremamente arriscados ou até fraudes. No final, a maioria desses esquemas é influenciada e sustentada pelo efeito manada e pelo “medo de ficar de fora”. Se todos os seus amigos estão “investindo” em algo que promete alto retorno sem risco algum, mesmo sem entender direito do que se trata, você não vai querer ser o único a ficar de fora.

Lembre-se de que não existe “almoço grátis”. Tudo o que rende acima da taxa de juros envolve algum grau de risco. A pressa por resultados imediatos pode obscurecer sua visão das possíveis consequências negativas, como a perda de todo o capital investido ou até o envolvimento em atividades ilegais.

Alguns exemplos de “esquemas para enriquecer rápido” que ficaram famosos no Brasil incluem pirâmides financeiras e investimentos fraudulentos disfarçados de oportunidades seguras.

Por fim, algo que você deve considerar é: se ficar rico fosse realmente tão fácil, por que as pessoas por trás desses esquemas precisariam de você? Elas provavelmente guardariam essa “fórmula mágica” para si e ganhariam muito dinheiro sozinhas, não é mesmo? Mesmo que alguns desses esquemas sejam legais (como o marketing multinível), você ainda deve ter cuidado.

Sempre faça suas próprias pesquisas e avalie cuidadosamente antes de “investir” em qualquer coisa que prometa altos retornos com baixos riscos.

6) Nunca Economize Dinheiro

Se você quiser empobrecer tendo algumas “surpresas” ao longo do caminho, nunca economize dinheiro. Um dos erros mais comuns cometidos por pessoas sem educação financeira é gastar todo o dinheiro sem poupar nada. A maioria das pessoas pensa apenas no presente e no curto prazo, sem se planejar para o futuro.

Você provavelmente já ouviu algum “influencer” dizer: “Não deixe seu dinheiro parado na conta do banco, invista para que ele possa trabalhar por você”. Por mais que investir possa contribuir para o aumento do patrimônio, é importante lembrar que há sempre algum risco envolvido. Além disso, os retornos podem variar, e os investimentos podem não ter liquidez imediata para serem resgatados em momentos de emergência.

Por isso, é fundamental economizar dinheiro especificamente para montar um fundo de emergência. Um fundo de emergência é uma reserva destinada exclusivamente a cobrir despesas inesperadas, como, por exemplo, demissão de um emprego, emergências médicas, acidentes ou períodos de crise.

O consenso padrão sugere que esse fundo seja suficiente para cobrir de três a seis meses de despesas. Quanto mais você economizar, melhor.

Por exemplo, se você ficar desempregado de repente, o fundo de emergência poderá cobrir suas despesas por um período, enquanto você procura outro emprego. Caso não tenha um fundo de emergência, você poderá acabar falido e precisará recorrer a empréstimos com altas taxas de juros — uma situação da qual muitas pessoas têm dificuldade de sair.

Sem um fundo de emergência, você corre o risco de ficar pobre com a primeira despesa inesperada que surgir. Ignorar o hábito de economizar pode fazer com que você empobreça muito rapidamente.

7) Acompanhe Influências Negativas

Existe um ditado famoso que diz: “Se você é a pessoa mais inteligente na sala, você está na sala errada.”

Esse ditado sugere que você deve buscar estar junto de pessoas mais inteligentes e experientes do que você, pois elas podem oferecer ideias valiosas e influenciá-lo positivamente a buscar mais qualificação. Seus amigos e o seu círculo social têm um grande impacto na sua vida.

Se você só anda com “gamers”, suas conversas serão centradas em jogos. Se você for amigo de investidores de sucesso, provavelmente discutirá estratégias de investimento. Mas, se você se cercar de pessoas viciadas em apostas e drogas, é provável que acabe adotando os mesmos comportamentos.

Um exemplo real e conhecido por muitos é o caso de Tiger Woods, um dos maiores jogadores de golfe da história. Ele venceu inúmeros campeonatos, conseguiu patrocínios de grandes marcas, era admirado por fãs ao redor do mundo e acumulou uma grande fortuna. No entanto, ele acabou se tornando amigo de outros atletas famosos, como os jogadores de basquete Charles Barkley e Michael Jordan, conhecidos por seus problemas com apostas.

Com o tempo, essas amizades influenciaram Tiger a apostar também. Ele começou com apostas pequenas, mas, inevitavelmente, passou a fazer apostas cada vez maiores. Seus problemas com apostas resultaram em grandes perdas financeiras. Embora o valor exato seja incerto, estima-se que ele tenha perdido pelo menos 50 milhões de dólares nessa “brincadeira”.

Esse exemplo mostra como estar cercado de influências negativas pode trazer sérias consequências. Por isso, é essencial escolher com sabedoria o seu círculo social e buscar relacionamentos positivos e benéficos.

Conclusão

Essas são as principais maneiras que podem contribuir para o seu empobrecimento. Em vez de focar apenas em como ficar rico, é essencial também compreender e evitar os grandes erros que podem levar à pobreza.

Você pode acreditar que fez um ótimo trabalho ao acumular um belo patrimônio a ponto de se considerar rico, mas, se continuar cometendo muitos dos erros mencionados neste artigo, talvez seja hora de mudar suas atitudes. Lembre-se de que ficar rico é apenas uma batalha vencida; a outra, igualmente importante, é manter sua riqueza ao longo do tempo.

Muitas pessoas ricas perderam tudo porque caíram nessas armadilhas. Não deixe que o mesmo aconteça com você!

Você já cometeu algum desses erros? Conseguiu superá-los? Deixe abaixo nos comentários!

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Os Axiomas de Zurique – Resumo https://recortefinanceiro.linkan.com.br/os-axiomas-de-zurique-resumo/ Fri, 08 Nov 2024 01:46:28 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=1159 Publicado em 1985 pelo jornalista e escritor Max Gunther, este livro é uma coletânea de ensinamentos e práticas de investimento que seu pai, Franz Heinrich (Frank Henry), um banqueiro suíço, utilizava no dia a dia. Com exemplos práticos e casos reais (ainda muito atuais), o autor argumenta que o principal fator para alcançar riqueza e felicidade é a maneira como se administra os riscos na vida.

Um axioma é uma afirmação básica aceita como verdadeira sem necessidade de prova e que serve como ponto de partida para desenvolver outras ideias e teorias. No caso do livro, os axiomas são práticas e conhecimentos amplamente utilizados no mercado financeiro pelos bancos suíços. O livro traz 12 grandes axiomas e 16 pequenos axiomas que explicam mais detalhadamente ou complementam os grandes axiomas. Todos os axiomas são aplicáveis não apenas para ações, mas com qualquer tipo de especulação.

O autor deixa bem clara sua opinião de que, independentemente do nome que você dê à sua atividade no mercado, seja investidor, trader, especulador, apostador ou qualquer outra coisa, se você está arriscando seu dinheiro com o objetivo de ganhar mais em um futuro incerto, isso é uma forma de aposta, glamourosa ou não.

1º Axioma: Sobre Risco

“Preocupação não é doença, mas sinal de saúde. Se você não está preocupado, não está arriscando o suficiente”

Na hora de investir, muitas pessoas querem obter retornos sem assumir riscos. No entanto, risco e retorno estão diretamente relacionados, não importa o quanto você tente manipular um deles, também afetará o outro. Poucos são capazes de entender isso.

“É claro que todos querem ganhar. Mas nem todos querem apostar, e é aí que está a diferença de maior magnitude. Muitas pessoas, provavelmente a maioria, querem ganhar sem apostar.”

As pessoas também querem ganhar sem ter preocupações. Elas montam uma carteira de investimentos que as possibilite ter “uma boa noite de sono” porque isso oferece maior segurança.

Este axioma propõe o oposto. A preocupação faz parte de uma vida de aventuras, uma que toma riscos pessoais. De outra maneira, uma vida assumindo riscos é uma vida rica. Uma vida que foge dos riscos é chata e pobre. A lógica é a mesma na hora de cuidar do seu dinheiro. Para ficar rico é necessário tomar riscos, e o preço que se paga ao tomar mais riscos é a preocupação. Se você não está preocupado, está arriscando pouco.

1º Axioma Menor: Só aposte o que valer a pena
2° Axioma Menor: Resista à tentação das diversificações

Os dois pequenos axiomas explicam que, quanto maior sua diversificação, menor será sua exposição aos possíveis ganhos. Imagine que você tenha 100 ações, se tudo se manter constante e apenas uma dela cair pela metade, no total você perderá apenas 0,5%. Apesar da grande queda de 50% dessa ação, o seu impacto será insignificante. Essa matemática pode parecer interessante para algumas pessoas, mas se uma queda de 50% é praticamente insignificante para seus retornos, qualquer valorização significativa também será.

Neste mesmo exemplo, se uma ação dobrar de preço, ela terá um peso de 2% da carteira. Apesar dessa valorização de 100%, seu impacto é muito pequeno. Se os retornos são insignificantes, por que investir dessa maneira? Qualquer posição deve ser grande o suficiente para te fornecer um belo retorno, mas não tão grande para te destruir financeiramente.

2º Axioma: Ganância

“Sempre realize seus lucros cedo demais”

Isso pode parecer muito simples e fácil, mas como você sabe quando é o “cedo demais”? Como saber a hora de vender? A ideia é vender antes de se atingir o topo, o valor máximo. Para responder essas perguntas, precisamos verificar o pequeno axioma 3:

3° Axioma Menor: Entre no negócio sabendo o quanto quer ganhar; quando chegar lá, caia fora

Na especulação não existe um objetivo claro e específico, por isso você mesmo precisa definir seu objetivo e se manter focado nesse objetivo. Quando você atingir tal objetivo, o autor diz que você deveria se recompensar por isso, compre alguma coisa, saia para jantar ou aproveite um período de férias.

Por exemplo, imagine que você invista em uma empresa X e, previamente, estabeleça que você a venderá quando atingir um lucro de 50%. Quando atingir essa marca, você vende a ação e se recompensa com o lucro.

3º Axioma: Esperança

“Quando o barco começar a afundar, não reze. Abandone-o”

Este axioma é sobre se salvar quando você perceber que está errado ou quando as coisas não estiverem funcionando. Quando uma de suas especulações não estiver indo da maneira esperada, você precisa verificar o por quê, e se perguntar se é provável que a situação melhore. Talvez sua opinião inicial esteja errada, e, se ela realmente estiver, é melhor aceitar uma pequena perda para se salvar de uma maior ainda.

4° Axioma Menor: Aceite as pequenas perdas com um sorriso, como fatos da vida. Conte incorrer em várias, enquanto espera um grande ganho.

Para fugir das grandes perdas, é necessário que você supere os seguintes obstáculos:

  1. Medo do arrependimento: Isso acontece ao vender com prejuízo e, logo depois, o ativo se recuperar, perdendo a chance de aproveitar essa alta. Recuperações existem, mas nem sempre são frequentes ou rápidas o bastante para justificar a espera. Investimentos malsucedidos geralmente têm problemas que “demoram para aparecer e desaparecer.”
  2. Muito doloroso: Evitar a dor de assumir um prejuízo, mantendo o investimento na esperança de recuperar o valor. Ao evitar essa dor, você também evita outras oportunidades que poderiam compensar a perda mais rapidamente. Não há regra que diga que é preciso recuperar o dinheiro da mesma forma que foi perdido.
  3. Admitir que você está errado: É idiota proteger o seu ego quando há muito dinheiro em jogo. Os mercados eventualmente humilham a todos. Espere que isso aconteça com você também.

4º Axioma: Previsões

“O comportamento do ser humano não é previsível. Desconfie de quem afirma que conhece o futuro”

Não dê ouvidos aos “profetas da economia”, aos gurus de investimentos, aos “investidores de sucesso” ou qualquer outra pessoa que diga ter uma fórmula mágica para o sucesso. Não existe bola de cristal, as previsões, projeções e consensos normalmente erram, e erram feio. Tenha isso em mente quando for especular.

5º Axioma: Padrões

“Até começar a parecer ordem, o caos não é perigoso”

No mundo dos investimentos, alguns padrões aparecem de tempos em tempos. Esses padrões nunca duram por muito tempo e, se eles durarem, você não pode basear suas estratégias neles. Tome cuidado com qualquer conselho que se baseia em padrões passados. Os pequenos axiomas abaixo falam um pouco sobre alguns desses padrões que sempre aparecem para nos coibir.

5° Axioma Menor: Cuidado com a armadilha do Historiador.
Essa é a crença de que a história sempre se repete.

6° Axioma Menor: Cuidado com a ilusão do Grafista.
Parecido com a armadilha do historiador, essa crença se baseia em gráficos bonitos, rentabilidade e dados históricos.

7° Axioma Menor: Cuidado com a ilusão de Correlação e a ilusão de Causalidade.
Faz parte da natureza humana criar conexões de causalidade, até mesmo onde elas não existem.

8° Axioma Menor: Cuidado com a Falácia do Jogador.
Em momentos de sorte, não arrisque além do normal. Lembre-se de sua estratégia e do seu objetivo.

6º Axioma: Mobilidade

“Evite lançar raízes. Elas tolhem seus movimentos”

Evite se apegar ao familiar, pois, nos investimentos, coisas familiares muitas vezes trazem conforto e podem gerar vínculos emocionais. Você acaba criando um sentimento de lealdade ou nostalgia, o que torna mais difícil vender.

Na realidade, nenhum investimento é bom o suficiente para nunca ser vendido. Até o melhor investimento tem um preço no qual faz sentido vender. O lado negativo da relutância em vender são as oportunidades perdidas, que podem ser melhores do que seu investimento atual.

9° Axioma Menor: Numa operação que não deu certo, não se deixe apanhar por sentimentos como lealdade ou saudade.
10° Axioma Menor: Jamais hesite em sair de um negócio se algo mais atraente aparecer à sua frente.

7º Axioma: Intuição

“Só se pode confiar num palpite que possa ser explicado”

Esse é talvez o axioma mais difícil de ser explicado. Basicamente, existem 3 maneiras de analisar os palpites e seus sentimentos. Você pode desacreditá-los cegamente, acreditar cegamente ou tentar entender o por quê você os está sentindo. Em alguns momentos você será capaz de explicar seus sentimentos, outras vezes você vai saber que você sabe, mas não vai saber “como” ou “por que”.

Tome cuidado com os palpites e mantenha-se preocupado.

11° Axioma Menor: Jamais confunda palpite com esperança.

8º Axioma: Religião e Ocultismo

“É improvável que os planos de Deus para o Universo inclua o de fazer você ficar rico”

12° Axioma Menor: Se astrologia funcionasse, todos os astrólogos seriam ricos.
Essa lógica também se aplica à cartas de Tarot, magia negra, ou qualquer outra coisa que envolva eventos paranormais para conhecer o futuro.

13° Axioma Menor: Não é necessário exorcizar uma superstição. Podemos curti-la, desde que ela conheça o seu lugar.
Como sempre, mantenha-se preocupado. Não deixe que nada te faça ficar em um estado de “não preocupação”.

9º Axioma: Otimismo e Pessimismo

“Otimismo significa esperar o melhor, mas confiança significa saber como se lidará com o pior. Jamais faça uma jogada por otimismo apenas.”

Pode-se dizer que sempre houve um certo otimismo nos Estados Unidos, as pessoas acreditam que a economia continuará crescendo, o futuro sempre tende a ser melhor e todos os eventuais problemas serão resolvidos. No mundo dos negócios, sabemos que os resultados das empresas são imprevisíveis. Com isso, percebemos que o otimismo pode causar problemas. O mesmo sentimento que nos deixa mais confiante com o futuro e nossos resultados é capaz de levar à ruína financeira se sair do controle.

Quando você estiver otimista, tente julgar se esse sentimento bom é realmente justificado pelos fatos. Pelo menos metade das vezes, não será.

10º Axioma: Consenso

“Fuja da opinião da maioria. Provavelmente está errada.”

Se a maioria sempre estivesse certa, a maioria das pessoas também estariam ricas. Sabemos que esse não é o caso.

14° Axioma Menor: Jamais embarque nas especulações da moda. Com frequência, a melhor hora de se comprar alguma coisa é quando ninguém a quer.

É difícil seguir esse pequeno axioma, por mais que todos saibam que o ideal seria comprar na baixa e vender na alta, os preços baixos significam que ninguém quer tal ação e vice-versa. É importante desenvolver suas próprias ideias, os melhores negócios são aqueles que estão baratos por serem desacreditados. Lembre-se da frase de Warren Buffet “Seja agressivo quando todos estão com medo, e tenha cautela quando todo mundo estiver muito eufórico”.

11º Axioma: Teimosia

“Se não deu certo da primeira vez, esqueça.”

Você especula no mercado para ganhar dinheiro, nunca se esqueça disso. Não faz diferença se o seu dinheiro está vindo da ação X ou Y. Tenha cuidado com o pensamento de que determinada ação “te deve algo”. Caso esteja perdendo muito, aceite a derrota e parta para a próxima.

15° Axioma Menor: Jamais tente salvar um mau investimento fazendo ‘’preço médio’’.

O motivo pelo qual devemos evitar fazer “preço médio” é porque acabamos nos enganando de que o investimento valeu a pena. Imagine que o preço de uma ação tenha caído pela metade, continuar comprando no preço de R$ 50 não muda o fato de que você inicialmente pagou R$ 100 e está perdendo dinheiro.

“Fazer preço médio” confunde o nosso julgamento e faz com que você se esqueça do 3º axioma sobre esperança, “Quando o barco começar a afundar, não reze. Abandone-o”.

12º Axioma: Planejamento

“Planejamentos a longo prazo geram a perigosa crença de que o futuro está sob controle. É importante jamais levar muito a sério os seus planos a longo prazo, nem os de quem quer que seja.”

Quanto maior for o seu período de planejamento, maior será a probabilidade de algo inesperado acontecer. Por exemplo, em 2024 a moeda brasileira, o Real, completou 30 anos e já se desvalorizou mais de 80%. Será que daqui 30 anos ainda teremos o Real? O dólar continuará existindo? Não há como saber.

Planejamentos de longo prazo não são capazes de lidar com os eventos inesperados, eles fazem com que você fique paralisado. Um bom especulador reage ao que acontece no presente, aproveita as oportunidades quando elas aparecem e foge do perigo quando ele se torna iminente. Não fique preso, não se enraíze.

14° Axioma Menor: Fuja de investimentos a longo prazo.

Todos os investimentos devem ser, pelo menos periodicamente, reavaliados. Não existe “ação para sempre”, tudo tem seu preço, se estiver muito valorizada, venda. Com o tempo, o mundo muda, novos investimentos e ações promissoras sempre aparecem, lembre-se de aproveitar as oportunidades que aparecerem.

Se você gostou deste livro, também vai gostar das outras sugestões da nossa biblioteca.

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O que são Vieses Cognitivos e como eles impactam seus investimentos? https://recortefinanceiro.linkan.com.br/o-que-sao-vieses-cognitivos-e-como-eles-impactam-seus-investimentos/ https://recortefinanceiro.linkan.com.br/o-que-sao-vieses-cognitivos-e-como-eles-impactam-seus-investimentos/#comments Mon, 04 Nov 2024 02:08:14 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=1090 Conforme aprendemos mais sobre investimentos, mercado financeiro e economia, percebemos algo curioso: ter sucesso ao investir e obter bons resultados no longo prazo não depende apenas de conhecimento técnico ou de habilidades analíticas. Embora seja importante entender produtos de investimento, riscos e estratégias de diversificação, o que realmente faz a diferença é o seu comportamento e suas tomadas de decisão em momentos críticos do mercado.

Na teoria, é claro que procuramos usar dados e análises para tomar decisões racionais e rentáveis. Contudo, na prática, nossas emoções e percepções muitas vezes interferem, e tendências psicológicas nos levam a agir de maneira contrária ao que seria mais vantajoso. É comum que investidores, mesmo bem informados, acabem adotando comportamentos impulsivos ou extremamente cautelosos, afastando-se dos princípios que melhorariam suas chances de sucesso.

Neste contexto, compreender a própria psicologia se torna tão importante quanto dominar os conceitos técnicos de investimentos. Ao reconhecer as armadilhas emocionais e os vieses cognitivos que afetam nossas escolhas, aumentamos nossa capacidade de tomar decisões mais assertivas, evitando reações impulsivas e comportamentos que podem te prejudicar financeiramente.

Definição de Viés Cognitivo

Um viés cognitivo é uma tendência mental que influencia nosso pensamento, percepção e tomada de decisões de maneira inconsistente ou irracional. Esses vieses são atalhos mentais (ou heurísticas) que nosso cérebro utiliza para simplificar o processamento de informações e reagir rapidamente a situações, mas eles nem sempre conduzem a conclusões precisas. Os vieses cognitivos podem nos levar a interpretações distorcidas ou a julgamentos incorretos sobre informações, eventos ou pessoas.

Veremos abaixo quais são os vieses cognitivos mais comuns nos investimentos.

Aversão à Perda

Aversão à perda se refere à tendência do ser humano de se importar mais com as perdas do que com os ganhos de mesma magnitude. Por exemplo, perder mil reais tende a provocar um desconforto mais intenso do que a alegria proporcionada por ganhar mil reais. Este viés cognitivo faz com que as pessoas se preocupem muito mais com o tamanho das possíveis perdas do que com os potenciais ganhos, por mais que estes sejam mais atraentes.

Um exemplo clássico é que esse comportamento leva muitas pessoas a manterem investimentos que estão gerando prejuízo, na esperança de que, eventualmente, possam recuperar as perdas. Acredito que essa atitude nem sempre está relacionada ao medo de assumir o prejuízo, mas sim à dificuldade em aceitar que tomamos uma decisão incorreta. Reconhecer um erro é normal e faz parte do processo de aprendizado. Quando um investimento está com grande prejuízo e não há sinais de recuperação, faz mais sentido vender e buscar oportunidades mais promissoras.

A aversão à perda também explica por que muitos investidores preferem ficar somente na segurança da renda fixa e evitam diversificar suas carteiras. Por mais que a renda fixa ofereça baixo risco de prejuízo, escolher sempre o investimento mais conservador resultará em oportunidades de ganhos perdidas a longo prazo, especialmente ao deixar de lado investimentos mais rentáveis.

Ancoragem

Este viés indica que costumamos confiar completamente na primeira informação que recebemos sobre um assunto, independentemente de quão confiável ela seja. Essa primeira impressão possui um grande impacto, fica gravada no nosso cérebro e a utilizamos como referência principal na hora de tomar decisões.

Nos investimentos esse viés costuma ser prejudicial pois faz com que investidores se apeguem a um valor ou a um dado inicial e ignorem novas informações que poderiam alterar a avaliação daquele investimento.

Por exemplo, imagine que você tenha comprado um fundo imobiliário por R$ 10,00 que foi o preço pelo qual ele costumava ser negociado no passado. Mesmo que o preço desse fundo caia para R$ 7,00, por qualquer motivo, você pode ainda considerar os R$ 10,00 como o valor “justo” ou “ideal”. Isso ocorre porque você “ancorou” suas expectativas na informação de que o fundo custa R$ 10,00, fazendo com que acredite que o preço deve retornar a esse patamar. Essa mentalidade pode levá-lo a manter uma posição em prejuízo, na esperança de que o preço se recupere.

Este viés prejudica o julgamento racional e impede que os investidores avaliem criticamente o verdadeiro potencial de um investimento, independente de pontos de referência arbitrários.

Excesso de Confiança

O viés de excesso de confiança é a tendência que temos de superestimas nossas habilidades ou conhecimentos, isso pode ter grande impacto em nossas ações e resultados.

Imagine que você, coincidentemente, comece a investir em ações durante o início de um bull market (mercado em alta). Após um ano, você verifica que obteve um retorno acumulado de 40%. Essa performance impressionante faz com que você se sinta um gênio dos investimentos, levando-o a superestimar suas habilidades e a assumir riscos cada vez maiores. Você decide investir ainda mais em ações e começa a usar alavancagem (não faça isso, por favor).

Confiando em sua suposta genialidade, você acredita que é capaz de superar o mercado e acaba ignorando os princípios fundamentais de diversificação. Quando o mercado entra em um período de queda, você se depara com a dura realidade de que seu sucesso anterior foi, na verdade, impulsionado pelas condições favoráveis do mercado e não por suas habilidades como investidor.

Como resultado de sua excessiva confiança e dos riscos que assumiu, você sofre perdas significativas, que, além de anularem os ganhos obtidos anteriormente, também te deixaram no prejuízo.

É fundamental reconhecer e controlar o seu excesso de confiança para manter uma abordagem equilibrada nos investimentos, tenha cuidado para não assumir riscos maiores do que o necessário.

Viés de Confirmação

Também conhecido como viés confirmatório, esse é um dos vieses mais comuns e podemos observá-lo todos os dias. Esse viés faz com que as pessoas busquem e favoreçam informações que confirmem suas crenças e opiniões pré-existentes.

Embora esse tipo de comportamento seja mais frequentemente observado nas áreas política, científica e acadêmica, ele também se manifesta nos investimentos. No mercado financeiro, esse comportamento pode fazer com que investidores busquem notícias e análises que reforcem sua perspectiva otimista ou pessimista em relação a uma ação específica ou tendência de mercado.

Consequentemente, os investidores que ignoram ou minimizam a relevância de informações que contradizem seu ponto de vista podem acabar assumindo grandes riscos ou abrir mão de grandes oportunidades.

Efeito Manada

O efeito manada se refere à tendência dos investidores de seguirem e copiarem o que a maioria das outras pessoas está fazendo. Esse comportamento, muitas vezes está relacionado ao medo de “ficar de fora” (também conhecido como FOMO — Fear of Missing Out) ou de se prejudicar em relação aos demais.

Esse comportamento é perigoso porque, ao seguir a manada, os investidores podem ignorar os fundamentos dos ativos, levando a decisões impulsivas e muitas vezes irracionais.

Por exemplo, é justamente quando o mercado está em alta e as ações já se valorizaram consideravelmente que muitas pessoas começam a investir mais, motivadas pelo medo de “ficar de fora” desse movimento de alta. No entanto, se pararmos para pensar, o pior momento para investir é quando os preços já subiram — ainda assim, é assim que a maioria tende a se comportar.

Falácia do Custo Irrecuperável

Por que você continua fazendo “preço médio” naquele investimento horroroso que continua dando prejuízo? Talvez seja por causa desse viés cognitivo. A falácia do custo irrecuperável é o viés cognitivo que leva uma pessoa a insistir em uma decisão com base nos recursos já investidos, mesmo que ela seja desfavorável.

Quanto mais tempo ou dinheiro você aplicou em um determinado ativo, maior a tendência de enxergá-lo de forma positiva, ignorando sinais de que ele pode não ser uma boa escolha. Nos investimentos, esse viés pode levar indivíduos a continuar comprando um ativo de baixo desempenho para fazer “preço médio” e tentar compensar perdas passadas.

Efeito de Enquadramento

Este é um viés cognitivo em que a forma como uma informação é apresentada – o “enquadramento” – influencia a tomada de decisão. No contexto dos investimentos, esse viés pode levar uma pessoa a tomar decisões diferentes com base em como os ganhos ou perdas são descritos.

Por exemplo, um investidor pode reagir de forma mais favorável a uma aplicação apresentada como “com 80% de chance de sucesso” do que a uma apresentada como “com 20% de chance de fracasso”, embora ambas as informações sejam, essencialmente, equivalentes.

Esse viés é muito utilizado por gerentes de bancos e assessores de investimentos na hora de vender aquele produto horroroso para você. “Mas veja bem, esse COE tem capital protegido. É risco zero”.

Efeito Halo

Este é um viés cognitivo em que uma impressão positiva ou negativa sobre uma característica de uma pessoa, empresa ou produto se estende a outras características, influenciando nossa percepção geral. Esse efeito faz com que, ao observarmos uma qualidade atraente (como sucesso financeiro ou um histórico de bons resultados), automaticamente atribuímos outras qualidades positivas ao mesmo alvo, sem base concreta.

Nos investimentos, o efeito de halo pode levar uma pessoa a acreditar que uma empresa bem-sucedida em uma área também será bem-sucedida em outras. Um exemplo comum é quando investidores assumem que empresas grandes e populares, como gigantes de tecnologia, são sempre bons investimentos, ignorando possíveis riscos financeiros ou desafios de mercado. Esse viés pode resultar em decisões enviesadas, em que a avaliação de risco e retorno não é realista, apenas porque uma característica positiva inicial “contamina” a visão do investidor sobre o todo.

Como Minimizar os Vieses Cognitivos?

Educação Financeira

O primeiro passo para tomar melhores decisões financeiras é por meio da educação financeira. Ao entender os conceitos básicos de finanças pessoais, os diferentes tipos de investimentos e os riscos envolvidos, você estará mais preparado para identificar e contornar os vieses cognitivos.

A educação financeira também ajuda a desmistificar crenças populares e falsas promessas, permitindo que você tome decisões mais racionais, baseadas em fatos e não se deixe levar pelas emoções do momento. Caso esteja interessado em ampliar seu conhecimento sobre finanças e investimentos, compilei uma série de livros na nossa biblioteca virtual que certamente poderão te ajudar.

Estratégia e Diversificação

Uma maneira simples e eficaz de minimizar o impacto dos vieses cognitivos é estabelecer uma estratégia de diversificação e segui-la independentemente do cenário atual. Por exemplo, imagine que você diversifique sua carteira de investimentos da seguinte forma: 50% em renda fixa e 50% em renda variável. Ao aderir a essa estratégia, você estará menos propenso a tomar decisões precipitadas baseadas nas emoções do momento, pois seu foco estará em manter-se dentro dos parâmetros estabelecidos.

Aumentando a diversificação e seguindo uma estratégia de alocação, como a mencionada acima, você reduz o impacto de decisões enviesadas relacionadas a um ativo específico, equilibrando os riscos e evitando a concentração em investimentos que possam estar sujeitos a vieses, como o excesso de confiança.

Busque Ajuda de um Profissional

A melhor forma de evitar os vieses cognitivos pode ser simplesmente delegar essa responsabilidade. Se você não tem interesse por investimentos e finanças ou não dispõe de tempo e paciência para organizar sua carteira, contar com a ajuda de um bom profissional de investimentos pode ser uma excelente alternativa.

Um consultor de investimentos oferece uma visão externa e imparcial, ajudando a identificar possíveis vieses cognitivos que podem influenciar suas decisões. Ele cria um plano de investimentos personalizado, alinhado aos seus objetivos, perfil de risco e horizonte de tempo. Além disso, o consultor auxilia na manutenção da disciplina, evitando decisões impulsivas e promovendo uma gestão mais equilibrada da carteira.

Você já conhecia algum desses vieses cognitivos? Já percebeu algum deles influenciando suas decisões de investimento? Compartilhe sua experiência nos comentários abaixo!

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