Ações – Recorte Financeiro https://recortefinanceiro.linkan.com.br Blog Sat, 08 Feb 2025 10:00:00 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Conheça as Maiores Empresas Americanas https://recortefinanceiro.linkan.com.br/conheca-as-maiores-empresas-americanas/ https://recortefinanceiro.linkan.com.br/conheca-as-maiores-empresas-americanas/#respond Sat, 08 Feb 2025 10:00:00 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=1434 Recentemente tive uma conversa com um colega sobre investimentos e economia de forma geral, fui surpreendido quando ele me disse que não conhecia a Nvidia. Uma das maiores empresas do mundo e extremamente importante para o desenvolvimento de chips para o desenvolvimento da inteligência artificial.

A minha surpresa veio do fato de que este colega também trabalha no mercado financeiro e, pelo menos, já deveria ter ouvido falar sobre a empresa. Talvez tenha sido uma exceção, mas acredito que não.

De qualquer maneira, se a pessoa sequer conhece a empresa, ela tem menos chances ainda de investir nela. Infelizmente esse é um problema comum no Brasil, conforme mencionei no meu artigo sobre viéses cognitivos, o brasileiro possui uma grande Home Bias (a tendência dos investidores preferirem ativos financeiros de seu próprio país).

Ao não olhar o mercado americano e suas empresas, a maioria das pessoas está deixando passar excelentes oportunidades de investimento. Por isso decidi compilar aqui as maiores empresas americanas, o que elas fazem, e quanto suas ações renderam nos últimos anos para que você possa se familiarizar um pouco mais com elas.

Dados de 06/02/2025
Fonte: https://companiesmarketcap.com/

1) Apple (AAPL)

Principais produtos: iPhone, iPad, MacBook, Apple Watch, AirPods, HomePod, Apple TV, Vision Pro, Serviços Apple (AppStore, Licensing, Apple Care, Apple Music, iCloud).

No topo da nossa lista está a Apple, a única empresa dos Estados Unidos com um valor de mercado de US$ 3,5 trilhões. Como você deve saber, a Apple é uma desenvolvedora de hardware e software, conhecida por inovar e criar diversas tecnologias e sistemas operacionais, com foco especial em produtos voltados para o consumidor, como smartphones e computadores.

A Apple foi fundada em 1976 por Steve Jobs, Steve Wozniak e Ronald Wayne, abrindo seu capital em 1980 e ganhando destaque com o desenvolvimento e produção de seus primeiros computadores.

Em 1985, disputas internas levaram Wozniak a se afastar e Jobs a deixar a empresa para fundar a NeXT. Isso marcou um período difícil para a Apple nos anos 1990, com perda de mercado para a Microsoft e uma crise que quase resultou em falência em 1997.

No entanto, a aquisição da NeXT trouxe Jobs de volta e marcou o início de uma nova era. Nas décadas seguintes, a Apple se consolidou como líder do setor, impulsionada por inovações como o iPod, iPhone, iMac, Apple Watch e, mais recentemente, o Apple Vision Pro.

Frequentemente reconhecida como uma das marcas mais valiosas do mundo, a Apple se beneficia da forte lealdade de seus consumidores, conquistada por meio de produtos de alta qualidade e fácil usabilidade, apoiados por seus sistemas operacionais. Um dos fatores-chave para o crescimento exponencial da empresa tem sido a aquisição de startups e pequenas empresas de tecnologia, como a Beats Electronics e a própria NeXT. Essas aquisições permitem que a Apple incorpore novas tecnologias e inovações diretamente em seus produtos.

Desde 2011, a empresa é liderada por Tim Cook, que assumiu o cargo de CEO após a saída de Steve Jobs. Atualmente, a Apple emprega mais de 161 mil pessoas e conta com 530 lojas próprias ao redor do mundo, conforme dados de 2023.

Rentabilidade nos últimos 5 anos:

2) Nvidia (NVDA)

Principais produtos: Unidades de processamento gráfico (GPUs), plataformas de IA, tecnologia de direção autônoma, Omniverse.

Fundada em 1993 por Jensen Huang, Curtis Priem e Chris Malachowsky, a NVIDIA é uma líder global em GPUs, inteligência artificial (IA) e computação de alto desempenho. Com sede na Califórnia, a empresa abriu capital em 1999 e se destacou inicialmente no setor de placas gráficas para jogos.

Hoje, a NVIDIA domina áreas como IA, deep learning ou “aprendizado profundo” e processamento de dados, impulsionada por seu hardware avançado. Seus chips são essenciais para estruturas de IA e machine learning, ampliando sua atuação para setores como veículos autônomos, com a plataforma NVIDIA DRIVE, e simulação 3D, com o Omniverse.

O crescimento exponencial da inteligência artificial levou a um forte aumento na demanda pelos produtos da NVIDIA, que desempenham um papel essencial no desenvolvimento e na eficiência dos modelos de IA. Suas GPUs são amplamente reconhecidas como a melhor opção no mercado. Com a contínua expansão dos data centers globais, a necessidade por suas soluções avançadas deve crescer ainda mais nos próximos anos.

Impulsionada pelo boom da inteligência artificial, sua capitalização de mercado ultrapassou US$ 2,6 trilhões em 2024, consolidando sua posição como um dos principais nomes da revolução da IA.

Rentabilidade nos últimos 5 anos:

3) Microsoft (MSFT)

Principais produtos: Sistema operacional Windows, pacote Office, plataforma de nuvem Azure, Consoles e jogos Xbox, dispositivos Surface, Copilot

Fundada em 1975 por Bill Gates e Paul Allen, a Microsoft é uma das líderes globais em tecnologia e a segunda maior empresa dos Estados Unidos em valor de mercado. Sua sede fica em Redmond, Washington.

A empresa desenvolve softwares amplamente utilizados, como o sistema operacional Windows e a suíte Office, além de oferecer soluções em nuvem com o Azure. No segmento de consumo, destaca-se com os consoles Xbox, dispositivos Surface e ferramentas de IA, como o Copilot, integrado ao Microsoft 365.

Entre suas inovações recentes, está a incorporação dos modelos de linguagem da OpenAI no Bing e no navegador Edge, tornando a busca mais interativa. A Microsoft também investe fortemente em inteligência artificial, computação em nuvem e realidade mista.

Aquisições estratégicas reforçam sua atuação no setor corporativo. A empresa comprou o LinkedIn, o Skype e, recentemente, adquiriu a gigante dos games Activision Blizzard por US$ 69 bilhões.

Desde 2014, a Microsoft é liderada pelo CEO Satya Nadella, que impulsionou a transição para a nuvem e a inteligência artificial, consolidando seu legado de inovação.

Rentabilidade nos últimos 5 anos:

4) Amazon (AMZN)

Principais Produtos: Mercado online, Amazon Prime, Amazon Web Services (AWS), Kindle, alto-falantes inteligentes Echo, assistente de voz Alexa.

Fundada em 1994 por Jeff Bezos, a Amazon começou como uma livraria online e se tornou a maior varejista digital fora da China. O e-commerce é sua principal fonte de receita, vendendo desde eletrônicos até mantimentos, com grande participação de vendedores terceirizados.

A empresa revolucionou o varejo com entregas rápidas, preços competitivos e um vasto catálogo. O programa de assinatura Amazon Prime fortalece a fidelidade dos clientes, oferecendo frete grátis, streaming de vídeo e música.

Além do varejo, a Amazon domina o setor de computação em nuvem com o Amazon Web Services (AWS), que fornece infraestrutura essencial para empresas globais. AWS é um dos negócios mais lucrativos da empresa, oferecendo serviços de IA, aprendizado de máquina (machine learning) e análise de dados.

A Amazon também investe em inteligência artificial. O assistente Alexa equipa milhões de dispositivos, enquanto sistemas de IA otimizam logística, recomendações de compra e gestão de armazéns. A empresa inova com robôs em seus centros de distribuição e entrega via drones com o Amazon Prime Air.

Além do digital, a Amazon expandiu para o varejo físico com as lojas sem caixa Amazon Go e a rede Whole Foods, adquirida em 2017. No entretenimento, o Prime Video concorre com Netflix e Disney+, consolidando a presença da empresa no streaming.

Rentabilidade nos últimos 5 anos:

5) Alphabet (GOOG)

Principais Produtos: Pesquisa Google, Gmail, YouTube, Google Cloud, smartphones Pixel, sistema operacional Android, Gemini AI, chatbot Bard AI.

Fundada em 1998 por Larry Page e Sergey Brin, a Alphabet Inc. começou como Google, uma empresa focada em mecanismos de busca. Seu sucesso levou à abertura de capital em 2004, consolidando sua posição como líder no mercado de buscas e ampliando sua atuação para diversas áreas tecnológicas.

Em 2015, a empresa passou por uma reestruturação e se tornou Alphabet Inc., melhorando a transparência e a gestão de seus negócios. Além do buscador, seus principais produtos incluem YouTube, Gmail, Google Maps, o sistema operacional Android e o Google Cloud, que oferece soluções de IA, aprendizado de máquina e análise de dados.

O modelo de negócios altamente lucrativo da Alphabet é impulsionado pelo marketing digital e pelo tráfego pago. A empresa domina o setor de publicidade online, gerando bilhões de dólares anualmente por meio de sua plataforma Google Ads, que exibe anúncios segmentados nos resultados de pesquisa e em diversos sites parceiros.

A Alphabet tem um forte foco em inteligência artificial. Em 2023, lançou o Bard, um chatbot de IA generativa, seguido pela plataforma Gemini. Além disso, a empresa vem integrando ferramentas de IA ao Google Search e ao Workspace, como Docs e Gmail.

Rentabilidade nos últimos 5 anos:

6) Meta Platforms (META)

Principais Produtos: Facebook, Instagram, WhatsApp, Messenger, Meta Quest VR, Oculus VR headsets.

Fundada em 2004 por Mark Zuckerberg e três colegas de Harvard, a Meta Platforms é dona de algumas das maiores redes sociais do mundo, como Facebook, Instagram e WhatsApp.

Assim como o Google domina o marketing digital e o tráfego pago em buscas online, a Meta lidera a publicidade baseada em interação social, monetizando o enorme engajamento de seus bilhões de usuários. Seu modelo de negócios é fortemente impulsionado pela venda de anúncios digitais, que representaram cerca de 98% de sua receita, totalizando mais de US$ 135 bilhões em 2024.

As plataformas da Meta conectam bilhões de usuários e são essenciais para empresas e organizações alcançarem grandes audiências. A empresa usa inteligência artificial para personalizar recomendações de conteúdo, otimizar anúncios e aprimorar a moderação de publicações.

Apesar de ter sido rebatizada como Meta em 2021 para refletir seu foco no metaverso, a empresa ainda enfrenta desafios financeiros com seus investimentos em realidade virtual.

Sob a liderança de Mark Zuckerberg, a Meta continua investindo em inovação, expandindo sua atuação em IA e no metaverso, ao mesmo tempo em que mantém suas redes sociais como seu principal motor de crescimento.

Rentabilidade nos últimos 5 anos:

7) Tesla (TSLA)

Principais Produtos: Veículos elétricos, painéis solares, direção totalmente autônoma (FSD), pontos de carregamento de veículos elétricos.

A Tesla, Inc. é uma empresa americana de veículos elétricos e energia limpa fundada em 2003 por Martin Eberhard e Marc Tarpenning. Elon Musk entrou logo depois como investidor e tornou-se CEO em 2008, liderando a expansão e inovação da empresa.

Seu modelo de negócios envolve a fabricação e venda direta de carros elétricos, além de soluções de energia solar e armazenamento. Diferente das montadoras tradicionais, a Tesla vende seus veículos online e em lojas próprias, sem intermediários.

A principal fonte de receita da empresa é a venda de veículos elétricos, como os modelos Model 3, Model Y, Model S e Model X. Os modelos mais acessíveis, Model 3 e Model Y, representam a maior parte das vendas.

Além dos carros, a Tesla atua no setor de energia com painéis solares e baterias como Powerwall e Megapack. No entanto, essa área ainda gera menos receita do que o segmento automotivo.

Sob a liderança de Elon Musk, a Tesla investe em baterias, direção autônoma e se expande globalmente com Gigafactories nos EUA, China e Alemanha. Em 2023, entregou 1,8 milhão de veículos. A empresa segue inovando com novos modelos, como o Cybertruck e o Tesla Semi, consolidando sua posição como líder em EVs e energia sustentável.

Rentabilidade nos últimos 5 anos:

8) Broadcom (AVGO)

Principais Produtos: Semicondutores, controladores de interface de rede, chips sem fio, software de infraestrutura.

A Broadcom foi fundada em 1961 como parte da divisão de semicondutores da Hewlett-Packard por Henry Nicholas e Henry Samueli. Desde então, a empresa se tornou uma das líderes globais em semicondutores e soluções de software de infraestrutura. Ela se expandiu ao longo do tempo por meio de aquisições estratégicas.

O modelo de negócios da Broadcom é centrado no design, desenvolvimento e fornecimento de semicondutores e soluções de software. Seus produtos incluem microprocessadores, amplificadores, chips de rede, dispositivos sem fio, roteadores, switches e soluções para data centers. A empresa atende a diversas indústrias, como telecomunicações, automotivo e eletrônicos de consumo.

A empresa é um fornecedor fundamental para tecnologias como 5G, Wi-Fi 6 e Bluetooth. A Broadcom também oferece soluções de software para gerenciamento de redes, dados e segurança, atendendo grandes empresas.

Uma das principais vantagens competitivas da Broadcom é seu portfólio diversificado de produtos e sua presença em setores-chave, como telecomunicações e computação em nuvem. Além disso, as aquisições estratégicas fortaleceram sua posição no mercado de segurança cibernética e software corporativo, ampliando suas oportunidades de crescimento.

Rentabilidade nos últimos 5 anos:

9) Berkshire Hathaway (BRK-B)

Principais Investimentos: Geico, Duracell, Kraft Heinz, Apple, American Express, Coca-Cola, Bank of America.

Fundada em 1839, a Berkshire Hathaway se tornou um gigante global sob a liderança de Warren Buffett, que assumiu o controle na década de 1960.

Como veículo de investimentos de Buffett, a empresa é onde ele coloca em prática sua filosofia de Value Investing, focada na aquisição de negócios sólidos e subvalorizados com potencial de crescimento a longo prazo. Ao longo dos anos, Buffett conquistou excelentes retornos, transformando a Berkshire em um dos conglomerados mais valiosos do mundo.

A principal fonte de receita da Berkshire vem de suas subsidiárias, como GEICO, Dairy Queen e Duracell, além de investimentos estratégicos em empresas de capital aberto. Atualmente, detém 5,82% das ações da Apple, 20,29% da American Express e 9,25% da Coca-Cola, consolidando sua influência em grandes corporações.

Reconhecida por sua gestão financeira conservadora, grandes reservas de caixa e aquisições oportunas, especialmente em tempos de crise, a Berkshire mantém uma posição de destaque no mercado, com valor de mercado superior a US$ 1 trilhão. No entanto, a sucessão de Warren Buffett continua sendo um tema de grande interesse para investidores, com Greg Abel apontado como seu sucessor mais provável.

Rentabilidade nos últimos 5 anos:

10) Walmart (WMT)

Principais Produtos: Supermercados, clubes de compras (Sam’s Club), e-commerce, marcas próprias (Great Value, Equate, Member’s Mark).

O Walmart é uma varejista americana fundada em 1962 por Sam Walton. A empresa cresceu rapidamente e se tornou a maior rede de supermercados e lojas de desconto do mundo, operando milhares de unidades em diversos países.

Seu modelo de negócios é baseado na venda de produtos a preços baixos, viabilizada por compras em grande escala e pela sua eficiência logística. O Walmart opera lojas físicas, supermercados, clubes de compras e vem investindo fortemente no comércio eletrônico.

A principal fonte de receita da empresa vem da venda de produtos em suas lojas físicas, especialmente alimentos e itens de consumo diário. O e-commerce tem crescido, mas ainda representa uma parcela menor do faturamento total.

Entre suas principais subsidiárias está o Sam’s Club, uma rede de clubes de compras que oferece produtos em grandes quantidades a preços reduzidos para membros assinantes. Esse modelo fortalece o posicionamento do Walmart no varejo de atacado.

A principal vantagem competitiva do Walmart é sua escala operacional, que permite oferecer preços mais baixos que os concorrentes. Sua logística altamente eficiente e poder de negociação com fornecedores garantem margens competitivas e uma forte presença global.

Para a sua curiosidade, o Walmart é a empresa com o maior faturamento do mundo.

Rentabilidade nos últimos 5 anos:

Conclusão

As 10 maiores empresas americanas refletem a força da economia dos EUA, atuando em tecnologia, finanças, saúde e consumo. Seu sucesso vem da inovação, escalabilidade e adaptação ao mercado. A valorização de suas ações nos últimos anos demonstra a confiança dos investidores em seus modelos de negócios extremamente lucrativos e dominantes.

Como vocês podem ver, essas empresas tiveram uma valorização invejável nos últimos anos. Infelizmente a maioria dos brasileiros sequer investem em ações nacionais, quem dirá em ações internacionais e, consequentemente estão deixando passar uma ótima oportunidade de investimentos.

Explorar essas alternativas poderia proporcionar grandes ganhos e diversificação para quem deseja ampliar seu portfólio e aproveitar o crescimento global. O momento de olhar para além das fronteiras e diversificar seus investimentos além do Brasil é agora.

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Os Principais Tipos de Risco nos Investimentos https://recortefinanceiro.linkan.com.br/os-principais-tipos-de-risco-nos-investimentos/ Wed, 15 Jan 2025 10:00:08 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=1375 O que é Risco?

No mundo das finanças, o risco é a possibilidade de que o resultado de um investimento ou ganho seja diferente do esperado. Ele inclui, também, a chance de perder parte ou todo o valor inicialmente investido.

De forma mensurável, o risco é geralmente avaliado considerando comportamentos e resultados históricos. Uma métrica comum para quantificar o risco é o desvio padrão, que mede a volatilidade dos preços de um ativo em comparação às suas médias históricas em determinado período.

Compreender os fundamentos do risco e como ele é medido é essencial para gerenciá-lo de maneira eficaz. Conhecer os diferentes tipos de risco aplicáveis a cada cenário e as formas de mitigá-los permite que investidores e gestores evitem perdas desnecessárias.

Pontos importantes:

  • O risco pode ser entendido como a chance de que o ganho real de um investimento seja diferente do esperado.
  • Inclui a possibilidade de perda parcial ou total do investimento.
  • Há diversas formas de risco e métodos para quantificá-lo em análises.
  • Estratégias como diversificação e hedge ajudam a reduzir o risco.

Princípios Básicos Sobre Risco

Todos nós enfrentamos algum tipo de risco diariamente, seja ao dirigir, caminhar pela rua, planejar o uso de recursos ou investir. No universo dos investimentos, fatores como personalidade, estilo de vida e idade desempenham um papel fundamental na definição da gestão individual de risco. Cada investidor possui um perfil único de risco, que reflete sua disposição e capacidade de lidar com incertezas. Em geral, à medida que os riscos de um investimento aumentam, os investidores esperam retornos maiores como compensação.

Um conceito central em finanças é a relação entre risco e retorno: quanto maior o risco que um investidor está disposto a assumir, maior o potencial de retorno. Diferentes tipos de risco exigem diferentes níveis de compensação. Por exemplo, os títulos do Tesouro dos EUA são considerados investimentos extremamente seguros, oferecendo retornos mais baixos. Em contrapartida, um título corporativo apresenta um risco maior de inadimplência, devido à possibilidade de falência da empresa emissora, e, portanto, oferece um retorno mais alto como compensação ao investidor.

O risco é frequentemente avaliado por meio da análise de dados históricos e métricas quantitativas. Uma das métricas mais comuns em finanças é o desvio padrão, que mede a volatilidade dos valores de um ativo em relação à sua média histórica. Um desvio padrão elevado indica maior volatilidade e, consequentemente, maior risco associado.

Tanto investidores quanto gestores financeiros e empresas podem desenvolver estratégias para gerenciar os riscos relacionados aos seus investimentos e atividades. Diversas teorias, métricas e métodos foram desenvolvidos para medir, analisar e administrar riscos, como o desvio padrão, beta, Value at Risk (VaR) e o Modelo de Precificação de Ativos de Capital (CAPM). A medição e quantificação do risco permitem que investidores e gestores mitiguem parte das incertezas por meio de estratégias como a diversificação entre ativos descorrelacionados. Essas ferramentas (que veremos mais detalhadamente em uma próxima postagem) são essenciais para reduzir a exposição e alcançar maior segurança em decisões financeiras.

Existe Algum Investimento “Sem Risco”?

Apesar de nenhum investimento ser completamente isento de riscos, alguns ativos apresentam tão pouco risco prático que são considerados “livres de risco” ou “quase livres de risco”. Esses ativos são amplamente utilizados como referência (benchmark) para análise e medição de riscos no mercado financeiro.

Os ativos livres de risco geralmente oferecem uma taxa de retorno esperada com risco praticamente nulo. Investidores de diversos perfis utilizam esses instrumentos como reservas de emergência ou para alocar recursos que precisam ter uma liquidez imediata.

No mercado brasileiro, exemplos clássicos de ativos considerados livres de risco incluem o Tesouro Selic, que é um título público emitido pelo Tesouro Nacional, indexado à taxa básica de juros da economia (a Selic). Devido ao seu baixo risco de crédito e alta liquidez, o Tesouro Selic é amplamente utilizado como referência para investimentos de baixo risco. Outro exemplo são os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos por bancos, desde que estejam cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege valores de até R$ 250 mil por CPF e por instituição.

No entanto, mesmo esses ativos têm riscos residuais. O Tesouro Selic, por exemplo, depende da solidez fiscal do governo federal, enquanto os CDBs podem expor o investidor ao risco de crédito acima do limite garantido pelo FGC. Ainda assim, por conta da confiança no governo e da proteção oferecida em caso de falência bancária, esses ativos continuam sendo fundamentais para estratégias de preservação de capital e controle de riscos no Brasil.

Risco e Horizonte de Tempo

O horizonte de tempo é um elemento crucial na avaliação e gestão de riscos nos investimentos. Quando um investidor precisa de recursos disponíveis a curto prazo, ele tende a evitar ativos de maior risco ou com baixa liquidez. Nessas situações, é mais provável que opte por instrumentos financeiros mais seguros, como ativos de alta liquidez e baixo risco.

Por outro lado, o horizonte de tempo pode influenciar significativamente a composição do portfólio de investimentos. Investidores mais jovens, que têm mais tempo até a aposentadoria, geralmente possuem maior tolerância ao risco, pois podem aguardar a recuperação de perdas e buscar retornos mais elevados em ativos de maior volatilidade. Já investidores mais próximos de alcançar seus objetivos financeiros, como aposentadoria, costumam preferir aplicações menos arriscadas, que garantam maior segurança e liquidez para o uso imediato dos recursos.

Diferença entre Risco Sistêmico e Não Sistêmico

O risco financeiro pode ser dividido em duas categorias principais: risco sistêmico e risco não sistêmico, cada um impactando os investimentos de maneiras diferentes.

O risco sistêmico refere-se ao impacto de eventos que afetam todo o mercado ou sistema financeiro. É um risco amplo, causado por fatores como crises econômicas, instabilidade política ou mudanças globais nas condições de mercado. Como exemplos, podemos citar a crise financeira de 2008 e a pandemia de COVID-19, que provocaram quedas generalizadas nos mercados. Chamamos esse tipo de risco de “não diversificável”, pois ele afeta todos os agentes do mercado e são imprevisíveis, sendo quase impossível de se proteger contra ele.

Por outro lado, o risco não sistêmico é específico de uma empresa, setor ou ativo. Ele está relacionado a fatores como má gestão, mudanças regulatórias ou problemas operacionais em uma organização. Por exemplo, uma queda nas ações de uma empresa devido a escândalos internos representa risco não sistêmico. Diferentemente do risco sistêmico, ele pode ser amplamente reduzido por meio da diversificação de portfólio, que distribui investimentos em diferentes empresas e setores.

Além dos riscos sistemáticos e não sistemáticos, vamos verificar os principais tipos específicos de risco, incluindo:

1) Risco de Crédito ou Default

O risco de crédito é a possibilidade de que um tomador de empréstimo não consiga cumprir suas obrigações financeiras, como o pagamento de juros ou o reembolso do valor principal de um título ou empréstimo. Esse tipo de risco é especialmente relevante para investidores em títulos de renda fixa, como títulos corporativos ou governamentais.

Títulos governamentais geralmente apresentam um risco de crédito baixo, o que explica seus retornos mais modestos. Já títulos corporativos podem ter um risco maior de inadimplência, mas oferecem taxas de juros mais altas para compensar esse risco.

Os títulos com menor risco de inadimplência são chamados grau de investimento, enquanto os de maior risco oferecem rendimentos elevados (high yield), atraindo investidores dispostos a aceitar mais risco em troca de retornos potencialmente maiores.

2) Risco de Liquidez

O risco de liquidez é a possibilidade de não conseguir vender um ativo rapidamente sem reduzir significativamente seu valor. Esse risco é mais relevante em ativos menos negociados, como imóveis ou ações de empresas pequenas.

Ativos altamente líquidos, como títulos públicos e ações de grandes empresas, são mais fáceis de converter em dinheiro rapidamente. Já ativos com menor liquidez podem exigir descontos para atrair compradores, diminuindo a rentabilidade do investidor.

3) Risco do País

O risco país refere-se à possibilidade de um país não honrar suas obrigações financeiras. Quando um país declara moratória, ocorre uma perda de confiança que afeta negativamente o desempenho de todos os ativos financeiros emitidos por ele, como ações e títulos de dívida.

Esse risco é mais comum em mercados emergentes ou países com déficits elevados, onde a instabilidade econômica pode aumentar as chances de calote ou crises financeiras.

4) Risco de Reinvestimento

Ocorre quando os rendimentos de um investimento precisam ser reinvestidos a taxas de retorno mais baixas do que as originalmente obtidas.

Por exemplo, imagine que você recebeu um pagamento de juros de uma NTN-B que você comprou com uma rentabilidade de IPCA+ 6%, mas na hora de reinvestir esse dinheiro você só consegue encontrar títulos de IPCA+ 3% no mercado.

5) Risco Cambial

Ao investir em outros países, é importante se lembrar de considerar o risco da variação cambial que podem afetar a sua rentabilidade final. Esse risco se aplica em todos os investimentos que são feitos em moeda diferente da sua moeda local.

Por exemplo, se um investidor americano aplicar em ativos em reais e a moeda brasileira se desvaloriza frente ao dólar, os ganhos podem ser reduzidos ou até se transformar em perdas.

6) Risco da Taxa de Juros

O risco da taxa de juros é a possibilidade de que o valor de um investimento mude devido a variações nas taxas de juros. Esse risco afeta tanto os títulos de renda fixa quanto a renda variável. Quando a taxa Selic sobe, os preços dos títulos públicos e privados no mercado secundário tendem a cair, pois novos títulos oferecem rendimentos mais altos. Por exemplo, se a Selic sobe, o Tesouro Prefixado perde valor, já que novos papéis oferecem retornos mais vantajosos. Quando a taxa Selic cai, esses mesmos títulos se valorizam.

Para ações e fundos imobiliários (FIIs), o aumento da taxa de juros pode reduzir os preços, pois torna a renda fixa mais atraente. Com juros mais altos, investidores migram para ativos de menor risco, como títulos de renda fixa, diminuindo a demanda por ações e FIIs. Além disso, empresas com alta dívida sofrem mais, já que o custo do crédito aumenta, o que afeta negativamente seu desempenho.

7) Risco da Empresa

O risco da empresa é o risco relacionado à saúde financeira e à operação de uma companhia. Ele envolve tanto os fatores internos quanto externos. Mesmo em condições de mercado favoráveis, uma gestão ineficiente ou decisões erradas podem gerar prejuízos, fazendo com que o valor das ações caia.

Esse risco pode ser mitigado através de uma boa governança corporativa, diversificação de produtos e serviços, e acompanhamento constante dos fatores que afetam o mercado em que a empresa atua.

Relação de Risco e Retorno

O conceito de risco e retorno está diretamente relacionado à ideia de equilíbrio entre o quanto o investidor está disposto a arriscar e os retornos que ele espera obter. De maneira geral, quanto menor o risco de um investimento, menores serão as possibilidades de retorno, enquanto investimentos mais arriscados podem oferecer uma maior rentabilidade, mas também com o risco de perdas significativas.

Cada investidor precisa avaliar sua própria tolerância ao risco, que dependerá de diversos fatores, como sua idade, objetivos financeiros, necessidade de liquidez e perfil pessoal. Esses fatores influenciam diretamente na escolha do tipo de investimento e no risco que o investidor está disposto a assumir para atingir os retornos desejados.

Investimentos com maior volatilidade, por exemplo, podem ter uma probabilidade de retorno maior, mas isso não significa que um retorno elevado seja garantido. Existe sempre uma margem de incerteza, e os resultados podem variar. Por outro lado, investimentos com menor risco tendem a oferecer retornos mais estáveis, porém em níveis mais baixos.

Além disso, a ideia de uma taxa de retorno “sem risco” pode ser utilizada como base para comparar investimentos. Esse retorno mínimo seria o esperado em um cenário sem nenhuma possibilidade de perda, representando o piso no qual qualquer investimento deveria superar para ser considerado vantajoso em relação ao risco que implica.

Conclusões

Todos enfrentamos riscos no dia a dia, seja ao dirigir, andar pelas ruas do Brasil, investir ou gerenciar um negócio. No mercado financeiro, o risco é a possibilidade de que o retorno de um investimento seja diferente do esperado, o que pode resultar em perdas.

A melhor forma de lidar com esses riscos é avaliá-los regularmente e diversificar os investimentos. Embora a diversificação não garanta lucros, ela ajuda a reduzir as perdas e aumentar as chances de bons resultados, alinhando-se aos objetivos e ao nível de risco desejado. Encontrar o equilíbrio entre risco e retorno é essencial para atingir os objetivos financeiros de forma mais segura.

Quais estratégias você considera mais eficazes para equilibrar risco e retorno em seus investimentos? Deixe abaixo nos comentários!

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Por Que Muitos Perdem no Jogo dos Investimentos? https://recortefinanceiro.linkan.com.br/por-que-muitos-perdem-no-jogo-dos-investimentos/ Sat, 11 Jan 2025 14:59:38 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=1351 Recentemente, me deparei com um vídeo de uma entrevista muito interessante com Charles D. Ellis, um famoso autor e especialista em investimentos. Para minha surpresa, descobri que ele é o autor do livro Winning the Loser’s Game (“O Jogo do Perdedor”, em português), uma obra que influencia profundamente a forma como muitos enxergam o universo dos investimentos.

Até então, eu não sabia que essa analogia havia sido originalmente popularizada por Ellis. Anteriormente já havia encontrado essa comparação de que investir é, essencialmente, “o jogo do perdedor” em outros contextos, como na autobiografia de Guilherme Benchimol “Na Raça” e em diversas palestras e entrevistas de grandes investidores como Warren Buffett e Charlie Munger. Essa ideia é muito interessante pois nos ajuda a entender o comportamento dos mercados.

Ellis, em sua entrevista, aprofunda a explicação ao defender que estratégias simples e de baixo custo, como investir em fundos indexados, são mais eficazes para a grande maioria das pessoas do que tentar superar o mercado com uma gestão ativa.

Segundo ele, o segredo não está em vencer, mas em evitar perder. Um conceito que vai na contramão da obsessão por retornos extraordinários que tantos investidores perseguem.

Essa abordagem um tanto contraintuitiva nos faz questionar: será que estamos valorizado as escolhas erradas na busca pelo sucesso financeiro?

O Jogo do Perdedor e O Jogo do Vencedor

Para entender o que ele quer dizer com isso, precisamos entender a diferença entre um jogo do ganhador e um jogo do perdedor. Um exemplo claro disso é o tênis. Se você já assistiu ou jogou uma partida de tênis, você pode ter percebido que na verdade, existe dois jogos de tênis. Um deles é jogado por profissionais extremamente talentosos, enquanto o outro é jogado por amadores e todas as outras pessoas.

Apesar dos jogadores de ambos os jogos utilizarem os mesmos equipamentos e seguirem as mesmas regras, a natureza dos dois jogos é completamente diferente. Enquanto os profissionais “ganham” os pontos, os amadores “perdem” os pontos.

Jogadores profissionais de tênis fazem jogadas potentes e precisas, realizam longas e empolgantes trocas de bola. O ponto geralmente é conquistado quando um deles consegue colocar a bola fora do alcance do adversário. Esses atletas altamente habilidosos não costumam cometer erros.

O tênis amador é um jogo completamente diferente. Jogadas brilhantes, trocas de bola emocionantes, e recuperações milagrosas são raras. Por outro lado, é bastante comum a bola ser jogada na rede ou fora da linha. O jogador amador raramente vence o adversário; na verdade, ele está constantemente derrotando a si mesmo.

O amador que vence nesse jogo de tênis e alcança uma pontuação maior, simplesmente porque o oponente perde ainda mais pontos. Quanto mais um tenista amador tentar se assemelhar com um tenista profissional, mais as próprias dificuldades do jogo acabam favorecendo o adversário.

Para aquele jogador iniciante e que ainda não aprendeu a jogar, a melhor estratégia é devolver a bola dentro da quadra do que querer ficar tentando ganhar. Quanto mais tempo você manter a bola no jogo, mais chances o seu adversário terá de errar. E, quanto mais ele tentar, mais ele vai errar. Com isso, utilizar a estratégia do perdedor é o melhor caminho para o tenista amador.

Obviamente, as pessoas jogam para ganhar, especialmente as pessoas mais competitivas. O problema é que essas pessoas agem da maneira errada e acabam se distanciando cada vez mais de seus objetivos. Elas perdem constantemente, insistem no erro e, com o tempo, desistem do jogo. Essa é uma tendência natural do ser humano.

No entanto, existe um outro tipo de jogo do perdedor que continua a enganar a maioria das pessoas. É talvez o jogo mais emocionante de todos e atrai pessoas todos os dias por sua tentativa de ganhar o jogo aplicando a uma estratégia do jogo do vencedor. Infelizmente, por ser uma tarefa quase impossível, ela quase nunca funciona.

Este outro jogo do perdedor que estamos falando é o “jogo” dos investimentos.

Investimentos: O Jogo do Perdedor

Investir é um jogo do perdedor, tanto no nível amador quanto no nível profissional. Ao longo do tempo, caso você continue tentando obter retornos maiores que o mercado, você, em algum momento, será conduzido a resultados abaixo da média.

Tentar acertar o timing do mercado para comprar na baixa e vendar na alta, realizar trades, operar alavancado, utilizar o mercado de opções e outras estratégias ativas de gestão é o mesmo que tentar fazer o jogo do vencedor.

É comum que as pessoas interpretem seus sucessos no mercado como uma confirmação de suas habilidades excepcionais, de seu discernimento apurado e de sua capacidade analítica para encontrar “empresas baratas” e conseguir comprar na baixa e vender na alta. Por outro lado, as perdas são vistas como um indicativo de que é necessário aprimorar suas estratégias ou métodos de análise.

Esse comportamento de gestão ativa trata o investimento como se fosse um jogo de vencedores. No entanto, isso não corresponde à realidade. Lembre-se de que ninguém sabe o que vai acontecer no futuro, o futuro é imprevisível, ninguém nunca conseguiu realizar o market timing até hoje.

Em geral, investidores individuais não têm o conhecimento necessário em avaliação de empresas e análise fundamentalista para selecionar as ações mais promissoras do mercado. Mas não se preocupe com isso. Até mesmo os profissionais que recebem milhões para isso não obtêm resultados muito superiores.

Encarar os investimentos como o jogo do vencedor fará com que você tenha resultados medianos e abaixo do mercado por uma série de motivos:

  1. Foco no curto prazo: Tratar os investimentos como um “jogo do vencedor” incentiva o foco em movimentos rápidos e táticas de curto prazo, como comprar na baixa e vender na alta. Isso leva a decisões impulsivas, baseadas em previsões e tendências momentâneas, em vez de uma estratégia fundamentada no longo prazo.
  2. Tentativa de prever o mercado (market timing): Como mencionamos anteriormente, é impossível prever o futuro. Diversos estudos mostram que a maioria dos investidores que tentam realizar o market timing acabam perdendo as melhores oportunidades, normalmente por subestimarem a potencial de retorno de uma ação.
  3. Custos elevados: Quanto mais você operar, mais você vai gastar em taxas de corretagem e impostos. Isso é capaz de desfazer todos os seus lucros obtidos no curto prazo.
  4. Menor diversificação: Estratégias baseadas no “jogo do vencedor” frequentemente se concentram em poucas ações ou setores, aumentando o risco. Uma grande perda em um ativo específico, especialmente durante períodos em que o mercado como um todo está em alta, pode comprometer seus retornos por anos. Em alguns casos, a recuperação total pode nunca ser alcançada, deixando sua carteira permanentemente atrás do mercado.

Lembre-se do exemplo do tenista amador, quanto mais jogadas complexas você tentar fazer, mais você vai errar. Nos investimentos, é muito mais interessante você ter um resultado consistente por um período longo de tempo do que ficar tentando acertar e ter um grande retorno em um ano específico. Veja essa grande frase de Charlie Munger:

É impressionante quanta vantagem a longo prazo pessoas como nós obtiveram ao tentar ser consistentemente não estúpidas, em vez de tentar ser muito inteligentes.

Como Vencer o Jogo dos Investimentos?

Aqueles que ousam encarar o jogo do perdedor dos investimentos contam com a sorte de contar com algum princípios que podem fazê-los obter sucesso. E não se trata de ser inteligente, embora essa seja uma boa característica. Warren Buffett já dizia que “Não é necessário fazer coisas extraordinárias para obter resultados extraordinários”.

Charles D. Ellis sugere duas soluções para o problema do jogo do perdedor. Ou encarar o mercado através de fundos de índice ou seguir quatro princípios básicos.

1) Jogue o seu próprio jogo

Em outras palavras, conheça bem e domine o seu círculo de competência. Aprenda as lições fundamentais das finanças comportamentais, que muitas vezes sabotam o seu sucesso nos investimentos e o levam a tentar jogar o “Jogo dos Vencedores”.

2) Mantenha a simplicidade

Qual é o maior problema com os gestores profissionais de investimentos? Eles giram demais os ativos da carteira por conta das pressões de curto prazo dos seus cotistas e da necessidade de manter o patrimônio elevado do fundo. Felizmente esse não é um problema que você precisa enfrentar. Você não precisa tomar decisões de curto prazo nem se preocupar com a volatilidade momentânea, não há necessidade de sair de sua zona de conforto, você pode se dar ao luxo de esperar com calma.

A simplicidade, concentração e economia de tempo e esforço são características fundamentais dos grandes jogadores. Por outro lado, muitos se perdem em um grande labirinto de detalhes na busca pelo sucesso de vencer o mercado.

3) Mantenha uma posição defensiva

Charles Ellis argumenta que, devido à intensa concorrência no mercado, todo o esforço de pesquisa dos gestores ativos de fundos é concentrado em decisões de compra. No entanto, em um “jogo dos perdedores”, a maior parte do tempo deve ser dedicada às decisões de venda.

Os problemas que você enfrentará com seus investimentos no futuro já estão presentes em sua carteira atual. Se conseguir reduzir alguns desses problemas agora, estará em uma posição mais favorável para vencer esse jogo.

Elimine de sua carteira tudo o que estiver excessivamente alavancado ou que não contribua positivamente para a sociedade como um todo. Por exemplo, empresas e fundos de investimento alavancados ou negócios em setores prejudiciais, como tabaco e álcool. Deixe que outras pessoas escolham esses investimentos. Em outras palavras, permita que outros percam para que você possa ganhar.

Certifique-se de que é capaz de permanecer no jogo e de que cada decisão sua facilite os próximos passos.

4) Não leve para o lado pessoal

No mundo dos investimentos, trabalho duro não está correlacionado com melhores resultados. Seu sucesso como investidor não virá apenas de sua habilidade em analisar empresas, mas da sua capacidade de identificar oportunidades em áreas onde poucos estão prestando atenção.

A maioria das pessoas no mercado financeiro são “vencedores” que sempre se destacaram por serem brilhantes, articulados, disciplinados e dedicados.

Esses profissionais estão tão acostumados a alcançar resultados por meio do esforço que, quando enfrentam a realidade de que a maioria dos fundos administrados profissionalmente não supera consistentemente o desempenho médio do mercado, tendem a interpretar isso como um reflexo de falhas pessoais.

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Erros que Comprometem sua Carteira de Investimentos https://recortefinanceiro.linkan.com.br/erros-que-comprometem-sua-carteira-de-investimentos/ Sat, 04 Jan 2025 14:31:17 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=1335 Durante alguns meses, tive a oportunidade de trabalhar como assessor de investimentos em um grande banco no Brasil. Nesse período, fui responsável por uma carteira com cerca de 50 clientes, todos com investimentos superiores a R$ 500 mil.

Em pouco tempo percebi que, apesar das quantias consideráveis aplicadas, muitos estavam insatisfeitos com os resultados e a performance de suas carteiras. Ao analisar mais de perto, identifiquei padrões recorrentes entre os insatisfeitos: os erros mais comuns iam desde a falta de diversificação e uma alocação excessivamente conservadora até o risco excessivo, que comprometia a segurança do patrimônio.

Essa experiência como assessor me levou a uma nova etapa profissional, passando por uma gestora de recursos, onde aprofundei ainda mais minha compreensão sobre esses equívocos e como eles afetam o desempenho das carteiras. Ao longo do tempo, percebi que muitos desses erros poderiam ser evitados com um planejamento mais estruturado e uma visão mais clara dos objetivos e do perfil de risco de cada um.

Separei aqui os erros mais comuns cometidos na hora de montar uma carteira de investimentos, vamos entender como evitá-los para garantir um desempenho melhor e mais eficiente.

Não assumir nenhum risco

Uma das primeiras coisas que me chamaram a atenção ao receber minha base de clientes foi a quantidade de pessoas (mesmo endinheiradas) que não assumiam nenhum tipo de risco com seus investimentos.

Nunca me esqueço de um senhor que tinha todo o seu patrimônio, cerca de R$ 11 milhões, investido apenas em uma LCA do banco. Outro caso marcante foi o de um cliente com R$ 1,5 milhão na poupança. Casos como esses eram recorrentes: a maioria das pessoas mantinha seu dinheiro em produtos simples de renda fixa pós-fixada, sem diversificação.

O principal problema dessa estratégia é o baixo retorno. Esses investimentos estão atrelados a índices como o Selic ou o CDI, que, embora seguros, oferecem uma rentabilidade limitada. Produtos de renda fixa mais simples têm como objetivo principal manter o poder de compra ao longo do tempo, mas não são eficientes para multiplicar o patrimônio. Ao optar por essa abordagem conservadora, o investidor perde a oportunidade de alcançar um crescimento mais acelerado por meio de ativos com maior potencial de rentabilidade, como ações ou títulos de crédito privado.

Além disso, há o risco da inflação. Se ela ultrapassar os rendimentos da renda fixa, o poder de compra do seu dinheiro será diluído ao longo do tempo. Produtos de renda fixa pós-fixada podem não ser suficientes para proteger contra uma inflação alta.

Outro ponto crucial é o risco da desvalorização cambial. Ao “não assumir risco” em sua carteira, você também deixa de se proteger contra as flutuações da moeda. Em momentos de instabilidade econômica ou política, a desvalorização cambial pode destruir rapidamente o valor do seu patrimônio, além de ser um indicativo de inflação futura.

Um exemplo claro disso ocorreu em 2024, quando a moeda brasileira sofreu uma desvalorização de 21%. Investidores que não possuíam parte de sua carteira dolarizada enfrentaram uma redução de 21% no valor de seu patrimônio em dólares.

Portanto, pode-se afirmar que adotar uma postura de “não querer assumir riscos” é, na verdade, um dos maiores riscos que você pode tomar. A falta de diversificação e a relutância em explorar oportunidades mais rentáveis prejudicam sua segurança financeira e limitam seu potencial de crescimento.

Arriscar demais na Renda Fixa

Este é outro problema clássico. Quem nunca abriu a lista de fundos de renda fixa e pensou em investir naquele fundo que mais rendeu nos últimos meses? Ou pensou em investir naquela debênture suspeita com uma rentabilidade elevada?

Nos últimos anos, aprendi que, arriscar demais na renda fixa não faz sentido. A razão para isso é simples: a partir de determinado ponto, a relação risco-retorno da renda fixa deixa de ser vantajosa.

Lembre-se que todos os investimentos em renda fixa são empréstimos. Você está emprestando dinheiro a alguém (governo ou uma empresa) e, em troca, espera receber o principal de volta, acrescido de juros. A grande questão é que, quanto maior a rentabilidade de um título de renda fixa, maior é o risco do emissor. Em outras palavras, quando você busca uma rentabilidade mais alta, está, na prática, aceitando um risco maior de inadimplência.

Na renda fixa, existem basicamente dois cenários possíveis: ou o devedor paga o principal mais os juros, ou ele não paga e você sofre uma perda total ou parcial do valor investido. Com isso em mente, fica a pergunta: vale a pena arriscar perder o montante principal investido em troca de um pequeno acréscimo de 0,5% ou 1% na sua rentabilidade anual? Eu acredito que não.

Em primeiro lugar, é importante lembrar o principal objetivo da renda fixa: uma forma de preservar o seu poder de compra ao longo do tempo, garantindo que seus investimentos superem a inflação. A renda fixa tem um papel importante na carteira de todos os investidores, mas esse papel é, basicamente, de estabilização e proteção, não de maximização de retorno.

Em segundo lugar, existem opções de investimento menos arriscadas, como fundos de investimento e produtos bancários que oferecem rentabilidade de até 120% do CDI, com um risco relativamente controlado. Esses produtos podem entregar um retorno interessante sem a necessidade de assumir riscos excessivos.

Se você está buscando retornos mais elevados e está disposto a assumir maiores riscos, a renda variável é onde você deve buscar essas oportunidades. Na renda variável, a relação risco-retorno é mais equilibrada e, dependendo do perfil de risco, pode oferecer melhores resultados a longo prazo.

Por isso, preste muita atenção na hora de abrir a lista de fundos de renda fixa e escolher aquele com a maior rentabilidade dos últimos meses, ou ao considerar investir em debêntures ou outros títulos com elevadas taxas de rentabilidade. Por mais atraente que uma rentabilidade mais alta possa parecer, ela frequentemente está atrelada a um risco que pode não justificar o benefício adicional e você pode acabar tendo um belo prejuízo.

Carteira Pulverizada

A diversificação é uma das estratégias mais utilizadas para reduzir os riscos de uma carteira de investimentos. No entanto, há um limite para o quanto se pode diversificar sem que isso prejudique a sua rentabilidade. Exagerar na quantidade de ativos pode resultar em uma carteira pulverizada, que, em vez de trazer benefícios, pode gerar diversos problemas.

Veja o exemplo abaixo:

Perceba como essa carteira possui muitos ativos. Esse é um problema comum que pode ocorrer por vários motivos, como a falta de conhecimento sobre a construção de uma carteira de investimentos ou, devido a uma assessoria financeira mal orientada.

É comum que gerentes banco ou assessores de investimento sugiram uma grande quantidade de produtos para “diversificar” o portfólio do cliente, mas muitas vezes com o intuito de atingir suas próprias metas de vendas, e não com base nas necessidades e objetivos do investidor.

Obviamente, ter uma carteira pulverizada não é ideal. Isso porque ela acaba diluindo os potenciais ganhos, resultando em um retorno geral mais modesto, mesmo que alguns ativos individuais tenham um bom desempenho.

Em vez de concentrar seu capital em investimentos com maior potencial de valorização, a pulverização reduz o impacto positivo dos ativos que realmente se destacam. Quando se espalha o investimento entre muitos ativos, cada um deles exerce um efeito mais fraco sobre o desempenho geral da carteira.

O correto, portanto, seria concentrar os investimentos em poucos ativos ou fundos promissores e com baixa correlação entre si. Trazendo uma maior eficiência e potencial de retorno para a sua carteira enquanto ainda mantém um nível adequado de diversificação para controlar o risco. Lembre-se de que os fundos de investimento já possuem uma carteira diversificada de ativos sob gestão.

Com isso, não faz sentido investir em mais de um fundo de investimento com estratégia semelhante. Preste atenção também nas recomendações que você está recebendo, muitas vezes pode não ser do seu melhor interesse.

Não Investir em Ativos Dolarizados

O Brasil é um dos países com o maior viés domésticodo mundo. Também chamado de Home Bias, o viés doméstico é um viés cognitivo que faz com que o investidor concentre a grande maioria de seu dinheiro dentro do seu país, ignorando os benefícios de uma diversificação no exterior.

Observe no gráfico abaixo como, em média, 95% do patrimônio do brasileiro está alocado no Brasil.

Existem dois outros exemplos interessantes no gráfico. O primeiro é o da Rússia: imagine os investidores russos, que têm cerca de 98% de seus investimentos em rublos e, após o início da guerra na Ucrânia, viram a bolsa de valores do país ser fechada e presenciaram uma forte desvalorização cambial. Pode-se dizer que a grande maioria dos russos tiveram uma grande redução de seu patrimônio quando cotados em dólares.

Outro exemplo relevante são os Estados Unidos, onde aproximadamente 75% dos investimentos estão alocados internamente. Mesmo estando na maior economia global e no maior mercado acionário do mundo, os americanos tendem a diversificar mais do que muitos outros países com economias menores.

Por mais que o nosso país tenha algumas boas oportunidades de investimento, concentrar grande parte de seus investimentos no Brasil aumentará a volatilidade e o risco de sua carteira.

Lembre-se de que o Brasil, apesar de ser uma das maiores economias do mundo, ainda é um país emergente e enfrenta uma série de desafios estruturais que impactam sua atratividade no cenário global.

Problemas fiscais, instabilidade política e jurídica, burocracia excessiva, altos impostos, baixa inovação, protecionismo e outras interferências na economia são questões recorrentes que limitam o potencial de crescimento do país. Esses fatores tornam o Brasil um destino menos atraente para investidores estrangeiros, especialmente em tempos de incerteza.

Quando o mercado perde confiança, isso se reflete, por exemplo, na alta do dólar em relação ao real. Em 2024, por causa da crescente desconfiança fiscal em relação à dívida brasileira, o dólar registrou uma valorização superior a 21%, mostrando como a moeda americana se torna um “porto seguro” em tempos de turbulência econômica interna.

É curioso notar como a maioria das pessoas não percebe que, no longo prazo, o dólar sempre vai se valorizar contra a moeda brasileira. O motivo é muito simples, a meta de inflação do banco central brasileiro é de 3% ao ano (mas normalmente fica em 4,5% ao ano, o teto da meta), enquanto o banco central americano estabelece uma meta de inflação de 2% ao ano. Ou seja, a moeda brasileira sempre vai se desvalorizar de forma mais rápida que o dólar americano, pressionando o câmbio para cima.

Felizmente, hoje em dia é muito fácil contornar o risco Brasil e o problema da desvalorização cambial, investindo em ativos dolarizados. Isso pode ser feito de duas maneiras: investindo em fundos de investimento dolarizados aqui no Brasil ou abrindo uma conta internacional em um banco ou corretora, para acessar diretamente o mercado externo.

Investir no mercado americano oferece benefícios significativos, como proteção cambial, diversificação geográfica e acesso a empresas inovadoras e setores estratégicos. Além disso, a estabilidade econômica e jurídica dos EUA proporciona maior segurança, reduzindo o impacto das incertezas do Brasil e melhorando a rentabilidade da carteira no longo prazo.

De forma geral, recomenda-se alocar entre 10% e 20% do patrimônio em ativos dolarizados.

Conclusão

Esses foram alguns dos problemas extremamente comuns que encontrei ao lidar com investidores e clientes de um grande banco. De forma geral, pode-se dizer que esses problemas acontecem por conta da falta de conhecimento dos investidores, do medo de perder dinheiro, da má orientação financeira dos gerentes e assessores de investimentos e até mesmo da falta de interesse e preocupação das pessoas.

Para solucionar esses problemas e também conseguir melhores rentabilidades nos investimentos, é fundamental adquirir educação financeira para conseguir distinguir entre aquilo que faz sentido ou não para os seus objetivos. Entender seu perfil de risco, diversificar de forma inteligente e explorar oportunidades tanto no mercado nacional quanto no exterior são passos essenciais para melhorar seus resultados.

Caso você não tenha tempo nem interesse de tomar suas próprias decisões de investimentos, contrate um profissional da área de investimentos que realmente te atenda bem e preze pelo seu melhor interesse. Tome cuidado caso você esteja sendo assessorado por alguém que apenas te ofereça produtos e serviços desnecessários e que estão desalinhados com os seus objetivos, ele provavelmente está querendo apenas bater suas metas de vendas.

E você, caro leitor, enfrenta algum desses desafios em sua carteira de investimentos? Compartilhe sua experiência nos comentários abaixo!

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Como encontrar os melhores fundos de ações? https://recortefinanceiro.linkan.com.br/como-encontrar-os-melhores-fundos-de-acoes/ Tue, 29 Oct 2024 01:41:16 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=640 Ao contrário do que muita gente ainda acredita no Brasil, investir em ações é uma das melhores maneiras de se acumular e aumentar patrimônio no longo prazo.

Ao investir em ações de uma empresa, você basicamente se torna sócio do negócio e receberá uma porcentagem dos lucros na mesma proporção do seu investimento. Por isso, é muito importante entender onde você está investindo e o por que. Ao colocar o seu dinheiro em uma empresa, esperamos que ela continue crescendo, seja bem administrada e entregue uma boa lucratividade ao longo do tempo.

Uma das maiores dúvidas ao começar a investir é “qual ação escolher e por que? “. Uma maneira simples de resolver esse problema é investir por meio de fundos de investimento, acredito que, para a maioria das pessoas, essa seja a melhor opção de investimento.

Por que Investir em Fundos de Ações?

Se você optar por investir diretamente em ações, será necessário selecionar as empresas, avaliar se estão com preços atrativos ou elevados, analisar o seu potencial de crescimento e montar uma carteira diversificada.

Esse processo exige conhecimento, esforço e demanda tempo. Além disso, caso você seja como a maioria dos brasileiros e aporte mensalmente até R$3.000, será difícil alcançar uma diversificação adequada, o que pode aumentar os riscos e prejudicar seus rendimentos.

Com esse valor de aporte, pode ser difícil adquirir um lote inteiro de algumas ações e, para ter uma diversificação adequada é necessário comprar mais de uma ação por mês. Para fazer isso, o mercado fracionário será a única opção.

O problema é que fazer várias compras no mercado fracionário não é eficiente, seus custos operacionais serão muito elevados e vão impactar sua rentabilidade.

Um fundo de investimento (gestão ativa) é capaz de solucionar todos esses problemas. Independente do valor aplicado, você estará investindo em uma carteira de ações, garantindo assim os benefícios da diversificação. A equipe de gestão cuidará da seleção das ações e da estratégia de investimentos, fazendo com que a rentabilidade do fundo, na maioria das vezes, seja superior à sua carteira individual de ações.

Porém, com tantos fundos disponíveis no mercado, como encontrar os melhores? Vamos verificar qual os critérios que você precisa levar em consideração na hora de escolher um bom fundo.

1. Fundos Independentes

Fundos de investimento independentes são geridos por gestoras que não pertencem a grandes instituições financeiras, como bancos ou seguradoras e, por isso, possuem algumas vantagens e benefícios, como por exemplo:

  1. Gestão especializada: É comum que gestoras independentes se especializem em áreas específicas do mercado. Por exemplo, algumas gestoras só operam com renda fixa, outras só ações ou só multimercado;
  2. Agilidade: Por serem menores e menos burocráticas, as gestoras podem responder de forma mais rápida às mudanças no mercado;
  3. Skin in the game: Nas gestoras independentes é comum que os gestores tenham o próprio capital investido no fundo, garantindo um maior alinhamento de interesses;
  4. Foco na performance: Toda a receita da gestora depende do sucesso e da performance do fundo, por isso elas tendem a ser mais agressivas na busca por rentabilidade.

Essas características fazem com que os fundos independentes tenham, na média, uma performance melhor que fundos que pertencem a bancos, corretoras e seguradoras.

2. Estratégia

Existem várias maneiras de se ganhar dinheiro com ações, e por isso é fundamental entender a estratégia do fundo.

Alguns fundos evitam determinados setores, outros investem exclusivamente em empresas grandes ou pequenas, enquanto alguns focam apenas em empresas que pagam muitos dividendos. Sem compreender a estratégia do fundo, é difícil entender de onde vem sua rentabilidade.

É comum que gestores prefiram manter a volatilidade do fundo baixa para não assustar os cotistas. Para isso, eles montam uma carteira bem diversificada, com uma grande quantidade de ações de diferentes empresas. Consequentemente, a rentabilidade tende a não se desviar muito do mercado.

Por outro lado, alguns gestores buscam obter a maior rentabilidade possível, independentemente da volatilidade. Para isso, investem em uma carteira mais concentrada, com poucas ações de empresas menores ou com forte desconto.

A gestão pode ter uma filosofia de “Value Investing”, focada na compra de ações subvalorizadas pelo mercado, com base em seus fundamentos e com boa perspectiva de ganho no longo prazo. Por outro lado, pode optar por uma estratégia mais dinâmica, realizando mais “trades” e com uma visão de curto prazo.

Para descobrir a estratégia da gestora e do fundo, basta consultar os documentos do fundo, acessar o site da gestora, e buscar entrevistas, matérias e conteúdos sobre o gestor.

De forma geral, a maioria dos fundos de ações se encaixam nessas 3 categorias:

  1. Long Only: Esses fundos investem apenas em posições compradas (long) em ações, ou seja, eles compram ações esperando que seu preço suba. Eles não fazem operações vendidas (short) nem utilizam alavancagem. Essa estratégia busca capturar a valorização das ações no longo prazo. A maioria dos fundos de ações são Long Only;
  2. Long Biased: Os fundos Long Biased também têm uma predominância de posições compradas em ações, mas são mais flexíveis que os Long Only pois eles podem assumir posições vendidas. Uma posição vendida (short) significa “apostar na queda de uma ação”, ou seja, você busca ganhar quando o preço cai, essa posição é adotada em momentos desfavoráveis do mercado Assim, buscam uma combinação de proteção e rentabilidade, diminuindo o risco em períodos de maior volatilidade. Fundos com essa estratégia são mais escassos e normalmente possuem “Long Biased” ou “LB” no nome.
  3. Alavancados: Esses fundos utilizam alavancagem, ou seja, operam com um volume de capital maior que o patrimônio real do fundo (pegando dinheiro emprestado). Com isso, aumentam o potencial de retorno (ou perda) ao maximizar a exposição a ações, contratos futuros ou outros ativos. Por conta desse potencial de ganhos e perdas amplificados, os fundos alavancados tendem a ter uma volatilidade maior.

3. Confie, mas Verifique

Imagine que você assista a uma entrevista com o gestor de um fundo, onde ele se apresenta como adepto do “value investing”, afirmando investir nas melhores e mais sólidas empresas, que, por algum motivo, estão sendo negociadas abaixo de seu valor justo.

Convencido pelas estratégias e convicções do gestor, você decide investir no fundo. Porém, algum tempo depois, o fundo registra um grande prejuízo, enquanto o restante do mercado está em alta. Algo parece estar errado.

Ao investigar, você descobre que o gestor investiu em diversas empresas problemáticas, algumas até em recuperação judicial, que se revelaram um péssimo negócio.

Felizmente, você pode evitar essa situação verificando em quais ações o fundo está investindo. No site da CVM, é possível consultar a carteira de ações de um fundo de investimento, embora os dados sejam disponibilizados com um atraso de 6 meses.

4. Compare o Histórico

A melhor estratégia para encontrar um bom fundo é fazer comparações entre eles.

Por mais que rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura, fundos que consistentemente apresentam bom desempenho tendem a manter essa trajetória, enquanto fundos com resultados medíocres tendem a continuar assim.

Gosto de comparar o desempenho de anos fechados e janelas de 5 anos. Por exemplo, verifico os melhores fundos de 2018, 2019, 2020, 2021, 2022 e 2023, e depois vejo quais se destacaram nesse período de 5 anos.

Não acho relevante fazer comparações em janelas maiores, pois o que aconteceu em 2010 ou 2015 já não reflete a realidade atual, dado que o mercado, as empresas e o cenário econômico mudaram bastante desde então.

Os fundos adoram destacar sua rentabilidade excepcional em propagandas do tipo: “Rentabilidade X vezes maior que o Ibovespa!”. No entanto, ao analisar de perto, você descobre que toda essa rentabilidade ocorreu há 15 anos, enquanto o resultado mais recente, dos últimos 5 anos, foram bem medíocres. Por isso, é fundamental ficar atento e não se deixar levar apenas por números passados.

Também é importante comparar o fundo com a rentabilidade do Ibovespa. Vale lembrar que nenhum gestor faz milagres: se o mercado como um todo está em queda, o fundo provavelmente também enfrentará perdas.

Confira abaixo a comparação da rentabilidade de sete dos fundos de ações mais famosos do mercado, todos com mais de R$ 400 milhões sob gestão, em relação ao desempenho do Ibovespa nos últimos cinco anos, até 24/10/2024.

É interessante notar que, nos últimos 5 anos, com exceção do fundo alavancado, todos superaram o Ibovespa. Como mencionamos no último artigo, investir no Ibovespa não é uma boa opção de investimento.

Os quatro fundos com maior rentabilidade adotam uma estratégia de carteira concentrada em poucas empresas, o que resulta em maior volatilidade. A análise e seleção de poucas empresas com preços descontados se mostraram bem-sucedidas nos últimos anos.

O fundo Long Biased conseguiu apresentar uma boa rentabilidade, mantendo a menor volatilidade entre seus pares, e não registrou rentabilidade negativa em nenhum ano desde sua criação, em 2019.

O Fundo 1, por sua vez, utiliza uma estratégia clássica de “value investing” com uma carteira bem diversificada. Embora tenha superado o Ibovespa, apresentou uma relação risco retorno inferior que seus pares, que tiveram maiores retornos com a mesma volatilidade.

Por fim, o fundo alavancado teve o pior desempenho no período, principalmente devido às perdas significativas durante a pandemia. Embora a alavancagem possa gerar bons retornos em mercados em alta, ela também pode levar à destruição do patrimônio em períodos de queda, como demonstrado aqui.

Conclusão

Os fundos de ações oferecem uma maneira prática e acessível de investir em ações, permitindo que investidores aproveitem a experiência de gestores profissionais para obter retornos que, na maioria das vezes, são superiores ao que conseguiriam sozinhos.

Com aplicação mínima a partir de R$ 100, esses fundos são uma alternativa atrativa para pequenos investidores, que encontram neles um nível de diversificação difícil de alcançar em investimentos diretos com aportes menores.

Gestoras independentes possuem mais mais liberdade para adotar estratégias ágeis e diferenciadas e, por isso, têm um diferencial importante. O gestores, geralmente mais alinhados aos interesses dos cotistas e com menos restrições burocráticas, conseguem aproveitar as mudanças de mercado com maior agilidade.

Por fim, conhecer bem a estratégia de cada fundo é essencial. Com uma ampla variedade de fundos no mercado, cada um com seu nível de risco e abordagem específica, é fundamental escolher um fundo alinhado ao seu perfil de risco. Comparar diferentes opções ajuda a encontrar gestores de alto desempenho e evita surpresas, principalmente ao considerar fundos com retornos históricos elevados, mas rentabilidade recente abaixo do esperado.

Você já investe em fundos de ações? Está satisfeito com a sua rentabilidade? Deixe abaixo nos comentários!

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O que são investimentos ruins e ineficientes? https://recortefinanceiro.linkan.com.br/o-que-sao-investimentos-ruins-e-ineficientes/ https://recortefinanceiro.linkan.com.br/o-que-sao-investimentos-ruins-e-ineficientes/#comments Fri, 18 Oct 2024 01:00:27 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=574 Muitas pessoas acreditam que, para se obter bons retornos no longo prazo, é preciso sempre encontrar e investir nas melhores oportunidades do momento. Por mais que essa seja uma boa premissa, acredito que é muito mais importante saber analisar e evitar investimentos ruins. Afinal, o mercado está repleto de opções que, à primeira vista, podem parecer promissoras, mas que, ao longo do tempo, revelam-se ruins e ineficientes.

Existem dois principais fatores que explicam a escolha de investimentos ineficientes por algumas pessoas: a falta de conhecimento/informação e a grande quantidade de produtos disponíveis no mercado.

Se a educação financeira ainda é muito limitada no Brasil, quem dirá o conhecimento sobre produtos de investimento. Sem o entendimento necessário para avaliar corretamente os riscos e o potencial de retorno de cada tipo de investimento, algumas pessoas apenas acompanham cegamente as recomendações de alguns gerentes de banco ou assessores, recomendações estas que às vezes não são as melhores.

Além disso, com o desenvolvimento do mercado financeiro brasileiro, também surgiram uma grande quantidade de produtos diferentes, milhares de fundos de investimento, títulos de crédito privado e produtos mais complexos, como derivativos e criptomoedas. Com tantas opções à disposição, a falta de orientação adequada faz com que algumas pessoas escolham investimentos ineficientes.

Características dos investimentos ruins e ineficientes

No passado, os investidores enfrentavam um cenário muito diferente do atual, o mercado brasileiro era marcado pela baixa concorrência entre as instituições financeiras e, consequentemente, apresentava poucas opções de investimento. Os grandes bancos dominavam o mercado, oferecendo apenas seus próprios produtos e fundos, limitando as alternativas de investimento para o público em geral. Investimentos mais sofisticados, como fundos independentes, ações e aplicações no exterior, eram acessíveis apenas a pessoas com altos patrimônios.

Esse ambiente mais restrito impedia que o investidor médio tivesse acesso a uma gama diversificada de produtos e estratégias financeiras. Os bancos aproveitavam para cobrar altas taxas de gestão em fundos de investimento e altas comissões nos seus produtos e serviços  Muitos dos investimentos que veremos a seguir se popularizaram nessa época, por volta dos anos 2000.

Atualmente, com o maior acesso a informações, esses produtos vêm sendo cada vez menos utilizados, principalmente entre as gerações mais novas.

De forma geral, os investimentos que considero como ruins ou ineficientes possuem os seguintes fatores em comum:

  1. Retornos desproporcionais ao risco: Quando o risco envolvido em um investimento é muito alto para o retorno potencial. Se o investimento tem grande volatilidade ou risco de perda sem oferecer um retorno adequado, é um mau negócio;
  2. Custos excessivos: Taxas de administração, corretagem ou outros custos altos podem corroer o retorno do investimento, tornando-o ineficiente em relação a alternativas mais baratas;
  3. Baixa liquidez: Se o investimento não pode ser facilmente convertido em dinheiro sem perda significativa de valor, pode se tornar um problema em momentos de necessidade;
  4. Complexidade desnecessária: Investir em um produto complexo e com mais custos quando existe um produto similar mais simples e com menos custos.

Vamos agora verificar alguns dos produtos de investimento que considero ruins e ineficientes e que, por isso, precisam de cautela por parte dos investidores.

Poupança

Como mencionei anteriormente em outro artigo, a poupança é um dos piores investimentos disponíveis no mercado, coincidentemente também é o mais popular. Atualmente, mais de R$ 1 trilhão estão aplicados na poupança. No último artigo, não explorei em detalhes os motivos que a tornam tão desfavorável, vamos analisá-los abaixo:

1- Remuneração abaixo da taxa de juros (Selic)

A rentabilidade da poupança é atrelada a taxa de juros, mas de forma desfavorável ao investidor. Ela sempre será inferior à taxa de juros básica da economia (Selic). De acordo com a regra atual, quando a Selic é igual ou inferior a 8,5% ao ano, a poupança rende apenas 70% da Selic + TR (Taxa Referencial), que atualmente está próxima de zero. Quando a Selic estiver acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês + TR, o que equivale a aproximadamente 6,17% ao ano, mais a Taxa Referencial.

Isso significa que, mesmo em períodos em que os juros estão elevados, a poupança oferece uma rentabilidade significativamente menor do que outros investimentos simples que são atrelados à taxa Selic ou ao CDI.

Por exemplo, enquanto o Tesouro Selic e um CDB de um banco possuem uma rentabilidade muito próxima da taxa Selic, a poupança rende uma fração disso. No longo prazo, isso pode corroer o seu poder de compra já que em alguns períodos essa rentabilidade não é suficiente nem para repor a inflação.

2- Rentabilidade calculada uma vez por mês sobre o menor valor

Sabemos que nos demais investimentos de renda fixa nossa rentabilidade é calculada diariamente em cima do montante investido. Na poupança essa regra não se aplica. Os rendimentos da poupança são creditados somente uma vez por mês, na data de aniversário da aplicação. Isso significa que, se você realizar uma aplicação no dia 1° de janeiro e, resgatar sua aplicação antes do dia 1° de fevereiro, perderá completamente os juros acumulados nesse período.

Além disso, a poupança rende apenas sobre o menor valor disponível durante o mês. Ou seja, se você aplicar R$ 10.000, mas em algum momento do mês sacou R$ 1.000, o rendimento será calculado apenas sobre R$ 9.000, mesmo que o saldo tenha voltado a subir após o saque.

Fundos Cambiais

Fundos cambiais te possibilitam ter exposição a moedas estrangeiras, normalmente Dólar. O retorno de um fundo cambial vem predominantemente da valorização ou desvalorização da moeda em que o fundo está exposto. Se o Dólar subir, você ganha, se cair, você perde, simples assim. A ideia por trás dos fundos cambiais é servir como proteção para investidores que possuem dívidas ou compromissos em moeda estrangeira, como importadores ou empresas que fazem negócios no exterior.

Perceba que, atualmente, não faz nenhum sentido investir em fundos cambiais. Por que você pagaria uma taxa de gestão para um fundo que apenas compra dólares? Se você quer ter exposição ao Dólar você pode abrir uma conta internacional nos grandes bancos e corretoras e comprar a moeda, não é necessário pagar uma taxa de gestão para isso.

Pior ainda é que, ao investir nos fundos cambiais, você não receberá nenhum juros, pois você não está “investindo” em nada, você está apenas comprando dólares. Hoje em dia é muito simples investir diretamente no mercado americano, comprar dólares e investir em títulos públicos americanos. Investindo em títulos americanos você pelo menos recebe juros no período da sua aplicação.

Fundos Monoativos

Fundo monoativo é um tipo de fundo de investimento que investe em apenas um ativo, podendo ser uma ação, um imóvel ou qualquer outro ativo. Dessa forma, não existe uma diversificação de ativos como vemos na maioria dos outros fundos de investimento atualmente no mercado.

Um dos principais tipos de fundos monoativos é o de ações. Eles surgiram principalmente porque, até meados de 2006, investir diretamente na bolsa de valores era um processo complexo e caro para o investidor comum. Naquela época, adquirir ações por meio de um fundo oferecia uma solução mais simples e econômica, já que permitia o acesso ao mercado de forma menos burocrática, em comparação com a compra direta de ações.

Atualmente, não é mais necessário recorrer a fundos monoativos de ações, já que investir diretamente na bolsa de valores se tornou muito mais simples e acessível. Pagar uma taxa de gestão para um fundo que investe em apenas uma ação deixou de fazer sentido. Se você deseja adquirir uma ação específica, basta acessar o seu home broker e comprá-la diretamente. Investir em apenas uma ação por meio de um fundo sempre resultará em uma rentabilidade menor do que se você comprar a ação diretamente no home broker, porque você não precisará pagar a taxa de gestão.

O segundo tipo de fundo monoativo que ainda é utilizado é o de fundos imobiliários. Nesse caso, eles investem em apenas um imóvel. Investir em um fundo que possui apenas um imóvel normalmente não costuma ser um bom negócio, isso é devido à falta de diversificação, o que aumenta o risco ao concentrar-se em um único imóvel. Problemas como vacância, queda no valor do imóvel ou dificuldades com o inquilino podem ter um grande impacto na rentabilidade do fundo. Além disso, esses fundos costumam ter uma baixa liquidez e menor flexibilidade para ajustes, tornando-os mais vulneráveis.

COE

Esse é o produto que os gerentes de banco e os assessores adoram vender. COE é uma sigla para “Certificado de Operações Estruturadas”, ele é, basicamente, um pacote que pode conter títulos públicos, produtos de renda variável e operações com derivativos.

Esse produto te possibilita ter exposição à renda variável, porém, na maioria das vezes ele é  ofertado com uma cara de “renda fixa”. Isso acontece porque muitos COEs possuem o chamado “capital protegido”. Nesse caso, se a parte de renda variável do investimento não der certo (as ações caírem no período, por exemplo) o investidor recebe seu dinheiro aplicado de volta, mas sem nenhum rendimento nem correção pela inflação.

É importante lembrar que, se um investimento não foi corrigido pela inflação do período, ele te gerou um prejuízo e não foi um bom negócio. Pior ainda é que a maioria dos COEs possui um prazo longo de vencimento, de 3 a 5 anos e não tem liquidez.

De acordo com um estudo da FGV, 9 em cada 10 COEs têm retorno esperado abaixo do que poderia ser o ganho no Tesouro Direto.

Vamos verificar os principais pontos que tornam esse um péssimo produto:

  1. Complexidade: Os COEs são produtos complexos e difíceis de entender. Eles envolvem derivativos, estratégias sofisticadas com ações e cláusulas específicas que podem ser difíceis de entender.
  2. Retorno limitado: Apesar da proteção de capital ser atrativa para um investidor desavisado, os COEs também limitam os retornos potenciais, ou seja, mesmo que as ações se valorizem muito no período, o investidor pode não capturar todo esse ganho. Geralmente eles possuem um “teto” de ganho, por exemplo “limitado a 50% no período”.
  3. Liquidez limitada: Esse é um produto que possui uma liquidez baixíssima. Se você precisar resgatar antes do vencimento muito provavelmente vai ter um grande prejuízo.
  4. Custos elevados: Lembra que eu disse que os gerentes de banco e os assessores adoram vender esse produto? Isso acontece porque os COEs possuem uma das maiores comissões no mercado. Quando você compra um COE, seu gerente do banco ou seu assessor já embolsa uma comissão gorda de 5 a 11% do valor investido.

Levando todos esses pontos em consideração, não faz nenhum sentido investir em COEs. Esse produto só existe para gerar comissões para bancos e assessores. Se você quiser ter exposição à renda variável, compre ações ou invista em fundos. E, na próxima vez que te oferecerem um COE, pergunte quanto é a comissão ou o “spread” que ficará com o banco ou a corretora.

BDR’s

BDRs singificam “Brazilian Depositary Receipts”, são basicamente recibos lastreados em ações de empresas estrangeiras que têm capital aberto em outros países. Esses recibos são negociados na bolsa brasileira e te possibilitam investir de maneira indireta em ações estrangeiras.

Preste atenção no termo “investir de maneira indireta em ações estrangeiras”, isso porque você está negociando um recibo e não a ação em si.

Não vamos entrar em detalhes em como esse investimento funciona, mas, basicamente, instituições financeiras brasileiras adquirem ações estrangeiras e as mantém sob custódia. Posteriormente, emitem BDRs lastreados nessas ações, disponibilizando-os no mercado brasileiro para investidores locais.

Apesar dos BDRs possuírem algumas vantagens, como a simplicidade de investir, oferecendo uma maneira prática de aplicar em ações estrangeiras sem a necessidade de abrir contas internacionais, e a transação em reais, que dispensa a compra de dólares e o envio de dinheiro para o exterior. Acredito que eles tenham muito mais desvantagens, tais como:

  1. Opções limitadas: Apenas uma fração dos ativos listados na bolsa americana estão disponíveis na forma de BDRs.
  2. Baixa liquidez: BDRs de algumas grandes empresas americanas possuem uma liquidez elevada. Porém, para a maioria das outras empresas a liquidez ainda é muito baixa, negociar esses ativos pode fazer com que você precise pagar um valor acima do seu valor justo.
  3. Taxas: As instituições financeiras  que emitem os recibos cobram uma taxa adicional de 3 a 5% em cima de todo o dividendo recebido via BDR.
  4. Posse das ações: Você está adquirindo e negociando um recibo e, por mais que seu preço acompanhe as variações da ação, você não é um acionista da empresa.
  5. Risco Brasil: Ao investir em BDR, seu dinheiro continua no Brasil, investindo através de uma conta internacional você manda seu dinheiro para o exterior e ajuda a mitigar o risco país.

Caso você queira negociar alguma ação específica de uma grande empresa americana que possui alta liquidez através de um BDR, talvez não seja tão ruim assim. Porém, existem opções mais interessantes.

Vale mais a pena abrir uma conta internacional e acessar diretamente o mercado americano por completo, além de diminuir o risco país da sua carteira, você também ganha mais opções de investimento. Caso queira deixar seu dinheiro no Brasil, pode fazer mais sentido investir em um ETF dolarizado que segue o S&P 500.

Conclusão

Investir o seu dinheiro de forma inteligente e eficiente é a melhor maneira de gerar riqueza e aumentar seu patrimônio no longo prazo. Embora o mercado financeiro ofereça inúmeras oportunidades, ele também esconde armadilhas que podem prejudicar seriamente o seu patrimônio.

Como vimos nesse artigo, investimentos ruins e ineficientes normalmente apresentam um retorno desproporcional ao risco, possuem custos excessivos, baixa liquidez e uma complexidade desnecessária. Sempre se atente a esses pontos, verifique se não há um investimento similar com melhores condições. Busque sempre entender aquilo que você está investindo. Se você não consegue entender o investimento ou o produto, não invista. Não fazer nada é melhor do que ter um prejuízo.

Apesar de ter trazido somente 4 exemplos de produtos e investimentos ruins, o mercado possui diversos ativos ruins, o seu discernimento é fundamental para o seu sucesso.

E você, caro leitor, já tinha investido em algum desses produtos? Qual foi o seu pior investimento? Deixe seu comentário abaixo!

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Vale a Pena Investir em Fundos de Índice? https://recortefinanceiro.linkan.com.br/vale-a-pena-investir-em-fundos-de-indice/ https://recortefinanceiro.linkan.com.br/vale-a-pena-investir-em-fundos-de-indice/#comments Sun, 06 Oct 2024 15:38:56 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=501 Quando o assunto é investir em ações, existem duas principais estratégias que são utilizadas. A primeira delas é o que chamamos de investimento ativo, ou seja, você vai selecionar ativamente um conjunto de ações e montar uma carteira. O objetivo dessa estratégia é ter retornos acima do índice de referência (benchmark) no longo prazo. No Brasil, o índice utilizado é o Ibovespa; nos Estados Unidos, o maior e mais importante índice é o S&P 500.

A segunda maneira de investir em ações é com a estratégia passiva. Nesse caso, acredita-se que obter retornos acima do mercado no longo prazo é uma tarefa muito difícil e que a maioria dos gestores de fundos de investimento não conseguem superar seus índices. Um fundo passivo investe nas mesmas ações e na mesma proporção que seu índice de referência. Por exemplo, se uma ação representa 5% de um índice, o fundo alocará aproximadamente 5% de seus recursos nessa ação.

Uma forma de seguir uma estratégia ativa de gestão é comprar ações sozinho e montar uma carteira, porém, para a maioria das pessoas, a forma mais comum de realizar uma estratégia ativa de investimentos é por meio de fundos de investimento. de realizar uma estratégia ativa de investimentos é por meio de fundos de investimento. Em um fundo, um gestor e uma equipe de analistas realizam análises de mercado, empresas e setores para encontrar as melhores oportunidades do momento. Para prestar esse serviço, o fundo cobra uma taxa de gestão e uma taxa de performance de seus cotistas. Via de regra, nos fundos de ações, essa taxa costuma ser 2% de gestão + 20% de performance.

É importante perceber que, com uma estratégia passiva, o fundo não possui grandes despesas operacionais, pois o gestor não está constantemente comprando e vendendo ações e, também, porque ele não precisa de uma equipe de analistas para seguir a estratégia. Consequentemente, a taxa de gestão desses fundos costuma ser muito baixa, geralmente abaixo de 0,30% ao ano.

O Problema da Consistência

O gráfico abaixo demonstra a porcentagem de fundos ativos americanos que investem em ações e que apresentaram um desempenho abaixo do índice S&P 500 ao longo dos anos.

Olhando o gráfico, você pode chegar à conclusão de que a grande maioria dos fundos ativos dos Estados Unidos não apresentam um bom retorno. Mesmo assim, 40% deles superaram o índice em 2023, e 49% superaram em 2022. Então, por que não investir nesses poucos fundos que superaram o índice?

O problema é que você não tem como saber com antecedência quais serão esses fundos para o próximo ano. Pouquíssimos fundos ativos que tiveram uma excelente performance em um ano acabam replicando o mesmo sucesso no ano seguinte.

A consistência dos retornos dos fundos passivos é uma de suas principais vantagens. Isso ocorre porque os fundos passivos têm uma estratégia clara: seguir o desempenho de um índice de mercado de forma fiel, sem tentar superá-lo. Essa abordagem gera previsibilidade e, na maioria das vezes, oferece retornos alinhados com o crescimento de longo prazo do mercado como um todo. Os Estados Unidos têm a maior economia do mundo e, consequentemente, as maiores empresas do mundo. Conforme a economia americana se desenvolve e novas tecnologias são descobertas, as empresas se beneficiam e crescem cada vez mais, valorizando suas ações

O retorno médio anualizado do S&P 500 desde seu início em 1928 até 31 de dezembro de 2023 é de 9,90%. Por mais que esse retorno não pareça muito alto, primeiro, temos que lembrar que ele está expresso em dólares e, segundo, o juro composto tem um poder enorme de multiplicação de patrimônio no longo prazo.

Por outro lado, como mencionamos acima, os fundos ativos costumam ser inconsistentes. Isso acontece porque os gestores tentam superar o mercado com base em previsões, mas o mercado é imprevisível e influenciado por uma série de fatores, como a economia global, a política e eventos inesperados. Mesmo que um fundo tenha um bom desempenho em um ano, é difícil manter essa performance de forma consistente, já que a estratégia que funcionou em um período pode não funcionar em outro; as premissas que deram certo em um ano não serão as mesmas para o próximo.

Outro ponto importante é que, mesmo que um gestor de um fundo ativo consiga superar seu índice de referência, ele precisa ter uma rentabilidade de pelo menos 2% acima do índice, pois essa é a taxa de gestão que normalmente é cobrada. Ou seja, mesmo que o gestor consiga uma rentabilidade de 1% acima do índice, o investidor terá uma rentabilidade abaixo do índice, por conta do custo da taxa de gestão.

Por mais que alguns grandes investidores tenham ficado famosos por terem retornos consistentes acima do mercado durante muito tempo, como por exemplo, Warren Buffet, Peter Lynch, Ray Dalio e Carl Icahn, a probabilidade é de que você tenha retornos abaixo da média. A maioria dos investidores é imediatista, toma decisões com base nas últimas notícias e adora seguir as tendências do momento. Some isso à incapacidade de verificar se uma ação está cara ou barata, e você tem a receita perfeita para ter retornos abaixo da média no longo prazo.

Um exemplo perfeito disso é o caso da Nvidia. Essa empresa americana de tecnologia desenvolve unidades de processamento gráfico (GPUs) e tecnologias de computação avançada. Ela já era uma empresa relativamente grande, mas cresceu de forma extremamente rápida nos últimos anos por conta de sua atuação na produção de chips e semicondutores para a área de Inteligência Artificial. Em 2023, a ação da empresa subiu mais de 238%. Tendo em vista que a ação já tinha se valorizado muito e que ela estava sendo negociada a múltiplos elevados, muitos gestores de fundos optaram por vender as ações. O problema é que, em 2024, até a data deste artigo, a ação se valorizou mais de 140%. Esses gestores que venderam as ações no começo do ano perderam essa rentabilidade adicional e, provavelmente, estão com uma rentabilidade abaixo do índice de referência.

Levando todos esses dados em consideração, um consenso vem se estabelecendo nos EUA de que a melhor maneira de investir em ações é por meio de fundos passivos. Em 2024, o montante total aplicado em fundos passivos dos EUA ultrapassou, pela primeira vez, o montante aplicado em fundos ativos; essa mudança de preferência cresce cada vez mais.

Observe no gráfico abaixo o saldo total de aplicações e resgates dos fundos ativos e passivos nos últimos anos. Podemos verificar claramente a tendência de maiores aplicações em fundos passivos.

Fundos de Índice no Brasil

No Brasil, os fundos de índice funcionam da mesma maneira; eles costumam ser mais diversificados que os fundos ativos, possuem uma baixa taxa de gestão e alta liquidez. O maior problema de investir nesses fundos no Brasil é que o nosso índice de ações, o Ibovespa, é mais concentrado em empresas de setores cíclicos, como commodities e bancos; isso faz com que o índice seja mais volátil do que seu par americano.

Outro problema é o ambiente econômico do Brasil. Nosso país enfrenta maior instabilidade econômica e política, com crises frequentes, alta inflação e vulnerabilidade a fatores externos, como variações nos preços de commodities. Isso reduz a confiança dos investidores internacionais e afeta o crescimento das empresas.

Além disso, o Brasil tem historicamente taxas de juros elevadas, o que torna os investimentos em renda fixa mais atraentes e reduz a demanda por ações. Nos Estados Unidos, as taxas de juros são mais baixas, incentivando os investidores a buscar retornos maiores no mercado acionário, o que impulsiona a valorização das ações.

Veja abaixo as 20 maiores ações que compõem o Ibovespa e o S&P 500:

A primeira coisa que podemos perceber é que, como mencionado anteriormente, as maiores empresas brasileiras são do setor de commodities e do setor financeiro, além de o Ibovespa ser muito mais concentrado em poucas empresas. As 20 maiores ações representam 68,8% do índice. Por outro lado, o S&P 500 é muito mais diversificado; suas maiores ações são do ramo de tecnologia, e as 20 maiores ações representam 40,7% do índice.

De acordo com uma pesquisa de um escritório de investimentos, o Ibovespa apresentou um retorno de aproximadamente 11,9% ao ano desde 1994, no início do Plano Real. Por mais que esse resultado seja maior que os 10% do S&P 500, devemos lembrar que:

  1. A rentabilidade do Ibovespa é em Reais e o S&P 500 é em dólares;
  2. Grande parte dessa valorização está no período de 1994 – 2008 quando o Brasil presenciou uma fase de grande crescimento econômico;
  3. A rentabilidade anualizada do CDI desde 1994 foi de aproximadamente 15,5%;
  4. O IPCA anualizado desde 1994 foi de aproximadamente 6,9%;

Considerando essas informações, podemos chegar na conclusão de que ter investido no índice Ibovespa desde 1994 não teria sido um bom negócio. Sua rentabilidade seria menor que a da renda fixa no período.

Um ponto importante é que devemos prestar atenção ao efeito da desvalorização da moeda brasileira ao longo do tempo. Quando olhamos o gráfico de rentabilidade do Ibovespa, observamos que ele está no seu topo histórico. Porém, ao observar o Ibovespa cotado em dólares, percebe-se que seu topo histórico foi em 2008 e, atualmente, ele já se desvalorizou 70% em relação à sua máxima.

Veja abaixo a rentabilidade do Ibovespa cotado em dólares:

Conclusão

Após observar diversas estatísticas sobre a rentabilidade, eficiência e consistência dos fundos de índice, pode-se dizer que sim, vale a pena investir nesse tipo de fundo quando estamos falando sobre o mercado de ações americanas.

A economia americana é a maior e mais influente do mundo; as empresas americanas também são as maiores, mais inovadoras e mais lucrativas do mundo. Seguir o índice americano, como, por exemplo, o S&P 500, historicamente foi um bom negócio. Poucos fundos ativos de ações conseguem superar o índice e, mesmo que consigam em um ano, têm dificuldade de manter essa boa performance no longo prazo.

Ao investir em um fundo de índice de ações americanas você automaticamente já garante os seguintes benefícios:

  1. Maior diversificação de risco entre as maiores empresas americanas, no caso do S&P 500, as 500 maiores empresas;
  2. Custos baixos: você economiza uma quantidade significativa de dinheiro no longo prazo por conta das baixas taxas de gestão;
  3. Transparência de alocação: você sabe exatamente em quais empresas está investindo;
  4. Facilidade de acesso, qualquer um consegue acessar esses fundos através de uma corretora e contar com uma alta liquidez;
  5. Contar com um retorno histórico muito atrativo. Por mais que retornos passados não sejam garantias de retornos futuros, o índice de ações americanas se demonstrou muito resiliente ao longo dos anos.

Por outro lado, quando falamos sobre o Brasil, a melhor opção que temos até o momento é continuar utilizando fundos ativos de ações. É importante perceber que essa decisão não é porque os gestores de fundos do Brasil sejam melhores que os gestores americanos, mas sim porque nosso índice de ações não é bom.

O Ibovespa é um índice muito concentrado em poucas empresas de commodities e bancos, dois setores muito cíclicos. O índice apresenta baixa diversificação e, em diversas janelas de tempo, apresentou uma rentabilidade inferior à renda fixa. A economia brasileira também não é tão dinâmica quanto a americana; isso, somado a diversos outros problemas institucionais, faz com que o Brasil seja um lugar difícil para as empresas prosperarem.

No Brasil, os gestores ativos têm maior potencial de gerar um retorno acima do mercado, justamente pela ineficiência do mercado local e pela menor cobertura de analistas. A habilidade de um bom gestor em identificar empresas subvalorizadas, setores em crescimento ou tendências econômicas pode gerar resultados significativamente melhores do que o desempenho do índice Ibovespa.

Investir em fundos ativos tende a ser mais vantajoso no Brasil porque o mercado é menos eficiente, menos diversificado e mais volátil. Isso cria oportunidades para gestores de fundos ativos gerarem retornos superiores, principalmente ao navegar pelas peculiaridades do mercado local. Nos Estados Unidos, a eficiência, a ampla diversificação e os baixos custos dos fundos passivos geralmente os tornam a melhor opção para a maioria dos investidores, pois superam muitos fundos ativos em longo prazo.

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Tudo Sobre Fundos de Investimentos https://recortefinanceiro.linkan.com.br/tudo-sobre-fundos-de-investimentos/ Thu, 12 Sep 2024 00:44:52 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=417 Um dos veículos mais populares para aplicação de recursos no Brasil são os fundos de investimento.  Um fundo de investimento é uma modalidade coletiva de aplicação de recursos financeiros, permitindo que várias pessoas invistam juntas em um único fundo.

Sua popularidade é um resultado de sua grande acessibilidade, diversificação de riscos e por proporcionar ao cotista uma equipe de gestão profissional e qualificada.

Todo fundo possui uma equipe de profissionais que são responsáveis por administrar e investir o dinheiro que foi aplicado no fundo em outros produtos financeiros, que podem variar conforme o tipo de fundo e sua estratégia. Existem fundos de ações, crédito privado, multimercado, imobiliários, entre outros.

É mais provável que uma equipe profissional composta por um gestor e vários analistas tenham uma performance melhor nos investimentos do que um indivíduo sozinho escolhendo os ativos de forma individual.

A diversificação também é um benefício muito importante. Suponha que você invista diretamente em títulos de crédito privado, muito provavelmente você teria que aplicar uma quantia considerável de dinheiro para obter apenas um título. Seu risco estaria exposto somente à esse único título. Em um fundo, esse risco é muito menor pois seu dinheiro será destinado à um conjunto de títulos, seu risco agora estaria espalhado em diversos títulos diferentes.

Os fundos de investimento são considerados muito acessíveis, pois é possível encontrar excelentes opções com aplicações mínimas em torno de R$100,00. Com esse baixo investimento inicial, você tem a oportunidade de investir em um ativo que talvez não conseguiria adquirir de forma individual.

Vamos verificar agora como os fundos de investimento funcionam e quais são seus diferentes tipos:

Constituição e Patrimônio

O fundo de investimento é formado a partir dos recursos aportados pelos diversos investidores, e ao aplicar dinheiro no fundo, cada investidor adquire cotas, que correspondem a uma fração do patrimônio total. O valor de cada cota é calculado dividindo o patrimônio líquido do fundo pelo número total de cotas em circulação. Quando o fundo apresenta uma boa performance, o valor das cotas aumenta; em caso de retornos negativos, o valor das cotas diminui.

Cotas abertas

A maioria dos fundos de investimento que não são negociados em bolsa funcionam no modelo de cotas abertas. Isso significa que, os investidores podem comprar ou resgatar suas cotas a qualquer momento, diretamente com o fundo. O fundo emite novas cotas quando um investidor compra e as “queima” quando um investidor resgata.

Nesse caso, o patrimônio do fundo é variável. Ele pode variar diariamente, dependendo das entradas (novos investidores comprando cotas) e saídas (investidores resgatando cotas).

Cotas fechadas

Nesse caso, existe um limite de emissão de cotas. As cotas geralmente são emitidas durante um período específico, geralmente no momento de criação do fundo ou em ofertas subsequentes.

Os investidores não podem resgatar suas cotas diretamente com o fundo antes do prazo de vencimento, que pode ser determinado por um prazo específico ou pela liquidação dos ativos do fundo.

O patrimônio desses fundos é fixo e permanece relativamente estável com o tempo, pois não há entradas ou saídas constantes de recursos.

Os fundos dessa categoria costumam ser negociados em bolsa de valores.

Um bom exemplo desta categoria são os fundos imobiliários. Os fundos imobiliários captam recursos e compram imóveis. Perceba que, não é possível que esse tipo de fundo funcione no sistema de cotas abertas. Quando você quisesse resgatar suas cotas, o que o fundo faria? Ele não tem como vender uma parte do imóvel para te devolver o dinheiro. Por isso, a quantidade de cotas continua fixa, seu patrimônio não se altera, e suas cotas são negociadas na bolsa de valores.

Gestão Profissional

Todos os fundos são geridos por uma equipe de profissionais, normalmente composta por um gestor e uma equipe de analistas. O gestor é quem toma as decisões de compra e venda, enquanto os analistas o ajudam na escolha dos ativos.

Cada fundo segue uma política de investimento que é pré-definida e disponível em seu regulamento. Os fundos são classificados de acordo com os ativos em que investem. Existem fundos de ações, de renda fixa, multimercados, entre outros. Veremos as características de cada um a seguir.

Principais tipos de fundos de investimentos:

Renda Fixa

Para ser classificado como renda fixa, o fundo precisa ter pelo menos 80% de seu patrimônio aplicado em ativos de renda fixa. Ainda dentro dessa categoria, os fundos podem ser subdivididos em algumas classes. As principais são:

  • Curto Prazo: Nesses fundos, os títulos de renda fixa podem ter um prazo de vencimento de no máximo 375 dias, e um prazo médio de vencimento inferior a 60 dias.
  • Referenciado: Pelo menos 95% dos ativos devem acompanhar o benchmark estabelecido.
  • Simples: Pelo menos 95% dos ativos são investidos em títulos públicos pós-fixados.
  • Crédito Privado: O fundo precisa ter no mínimo 50% de de títulos de crédito privado para ter essa denominação.

Ações

Fundos de ações precisam ter pelo menos 67% de seu patrimônio composto pelo seguinte conjunto de ativos financeiros: ações, ETFs de ações e BDRs. Embora possam investir em outras classes de ativos, a maioria dos fundos de ações investe apenas em ações e costuma manter algo em torno de 5% a 10% do patrimônio como caixa, em ativos de renda fixa.

Os fundos de ações buscam ter uma rentabilidade acima do índice Ibovespa.

Multimercados

Os fundos multimercados têm esse nome porque podem alocar seus recursos em qualquer classe de ativos, como renda fixa, renda variável, moedas, derivativos, entre outros. Normalmente, esse tipo de fundo segue uma das seguintes estratégias:

  • Alocação Macro
  • Long & Short
  • Multiestratégia
  • Quantitativos

É importante lembrar também que, normalmente, o benchmark dos fundos multimercados é o CDI. Por isso, eles costumam ser um pouco mais arriscados que os fundos de renda fixa, mas também apresentam menos volatilidade que os fundos de ações.

Fundos Imobiliários – FIIs

Conforme vimos anteriormente no artigo sobre renda variável, esse tipo de fundo pode investir em imóveis e também em títulos de dívida relacionados ao mercado imobiliário. Os fundos que investem majoritariamente em imóveis são chamados de fundos de ‘tijolo’, enquanto aqueles que investem predominantemente em ativos de crédito imobiliário são chamados de fundos de ‘papel’.

Taxas nos Fundos de Investimento

Fundos de investimento possuem custos tanto com gestores e analistas quanto com despesas operacionais, que incluem custódia, auditoria, administração e outros serviços necessários para o funcionamento do fundo.

Por isso, existe uma taxa de gestão anual cobrada dos cotistas. Essa taxa é expressa como um percentual sobre o patrimônio líquido do fundo e é deduzida diariamente do valor das cotas, afetando assim a rentabilidade líquida do investidor.

Por exemplo, é comum que fundos multimercados e de ações cobrem uma taxa de gestão de 2% ao ano. Na prática, essa taxa é calculada e aplicada diariamente. Uma taxa anual de 2% equivale a aproximadamente 0,0054% ao dia. Isso significa que, nesse exemplo, 0,0054% do valor total da sua aplicação no fundo é deduzido diariamente como taxa de gestão.

Além da taxa de gestão, também existe a taxa de performance. Essa taxa é uma cobrança adicional aplicada em alguns fundos de investimento como forma de remunerar o gestor por superar um determinado índice de referência, o famoso benchmark. Trata-se de um bônus que o gestor recebe quando o fundo apresenta um desempenho superior ao esperado.

Novamente, em fundos multimercados e de ações, a taxa de performance costuma ser de 20%.

Como funciona na prática: imagine que você tenha investido R$ 100 mil em um fundo de ações. Durante o ano, o fundo teve um rendimento de 20%, enquanto o benchmark, o Ibovespa, teve um rendimento de 10%. Nesse caso, a taxa de performance seria cobrada apenas sobre os 10% que excederam o benchmark, ou seja, 20% sobre R$ 10 mil, totalizando R$ 2 mil.

Impostos nos Fundos de Investimento

Lembrando que a cobrança de impostos só incide em cima dos lucros e não do valor total aplicado. Todos os impostos nos fundos de investimento são recolhidos na fonte

Nos fundos de renda fixa e multimercados, a tributação é feita de acordo com a tabela regressiva de IR da mesma maneira que acontece com os títulos de renda fixa. Quanto mais tempo você permanecer investido, menor serão os impostos.

Nos fundos de renda fixa, também existe a cobrança de IOF em aplicações com menos de 30 dias de acordo com a tabela abaixo:

A tributação nos fundos de ações é relativamente mais simples, já que há apenas a incidência de uma alíquota fixa de 15% sobre o lucro obtido, independentemente do período em que o capital permaneceu investido no fundo. Além disso, os fundos de ações não estão sujeitos à tributação de come-cotas.

Imposto Come-cotas

O governo, sempre buscando arrecadar mais, não quer esperar até o momento do resgate para cobrar impostos sobre as aplicações. O come-cotas é uma antecipação do recolhimento do Imposto de Renda que ocorre em fundos de renda fixa e multimercados. Ele é cobrado no último dia útil dos meses de maio e novembro de cada ano, ou no momento do resgate, se realizado antes dessas datas.

O IR antecipado é calculado com base na menor alíquota para cada tipo de fundo. Em fundos de curto prazo, a cobrança é de 20% sobre os ganhos, e em fundos de longo prazo, é de 15%.

Essa cobrança pode ser um pouco confusa, pois não reduz simplesmente o valor da sua aplicação.

A diferença é que essa tributação incide diretamente na quantidade de cotas dos fundos e não sobre o valor delas. Na prática, o cotista terá uma redução no número de cotas que possui em seus fundos.

Imagine que você tenha aplicado R$ 100 mil em um fundo de renda fixa no início do ano. Na aplicação, cada cota tinha o valor de R$ 1, ou seja, você adquiriu 100 mil cotas do fundo. No fim de maio, sua rentabilidade acumulada foi de 10%, e seu montante total agora é de R$ 110 mil. Você continua possuindo 100 mil cotas, mas agora cada cota vale R$ 1,10.

O come-cotas incidirá sobre os R$ 10.000 de lucro, resultando em um imposto de 15%, o que equivale a R$ 1.500. Como esse imposto reduz a quantidade de cotas e não o valor da sua aplicação, você teria perdido cerca de 1.363 cotas.

Com isso, no primeiro dia de junho você estaria com a seguinte posição:

  • Valor total: R$ 108.500,00
  • Quantidade de cotas: 98.637
  • Valor da cota: R$ 1,10

Conclusão

Os fundos de investimento podem ser uma excelente ferramenta para diversificação, pois oferecem acesso a diversos mercados e investimentos que muitas pessoas não conseguiriam acessar de forma individual.

A equipe de gestão profissional também pode ser um diferencial na hora de alocar os recursos e atingir uma melhor relação entre risco e retorno.

Contudo, as taxas de gestão, performance e impostos podem fazer com que a rentabilidade da aplicação fique aquém das expectativas. Por isso, para encontrar um bom fundo de investimento, é importante analisar e comparar a rentabilidade entre diferentes fundos, verificar seu histórico, sua política de investimentos e avaliar se o fundo tem sido capaz de superar seu benchmark de forma consistente.

Além disso, considere fatores como a experiência da equipe de gestão, a transparência na comunicação com os investidores e as condições de mercado que podem influenciar o desempenho futuro.

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Diferença entre Mercado Primário e Secundário https://recortefinanceiro.linkan.com.br/diferenca-entre-mercado-primario-e-secundario/ https://recortefinanceiro.linkan.com.br/diferenca-entre-mercado-primario-e-secundario/#comments Thu, 29 Aug 2024 01:27:17 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=322 Agora que já sabemos o que é uma ação e quais são seus diferentes tipos, vamos analisar como uma ação é criada e como o seu preço é definido. Para isso é preciso entender um pouco sobre os fundamentos básicos do mercado de ações, como eles são configurados e para onde vai o dinheiro quando você compra ou vende uma ação.

O termo “mercado” é exatamente aquilo que você imagina, é um lugar onde compradores e vendedores se encontram para trocar mercadorias, mas ao invés de comprar frutas e verduras assim como no seu mercado local, no mercado financeiro pessoas e instituições compram ações, títulos públicos e privados, moedas, derivativos e outros títulos.

A estruturação do mercado dessa forma é benéfica, pois oferece transparência, viabiliza regulamentações nas negociações e permite que os preços dos títulos sejam determinados pela dinâmica de oferta e demanda. Isso faz com que o mercado se torne mais eficiente e ganhe mais confiança de todas as partes.

O mercado de capitais pode ser definido como um segmento dentro do mercado financeiro. Ele é especificamente dedicado à negociação de ativos financeiros de médio e longo prazo. Esse mercado tem como objetivo servir de meio para que empresas e governos possam captar recursos a fim de financiar suas operações e outros projetos de longo prazo. Os principais ativos negociados são ações, debêntures e notas promissórias, fundos de investimento (FII por exemplo) e títulos públicos.

Mercado Primário

Suponha que você seja o dono de uma empresa e gostaria de expandir seus negócios. Para isso você precisaria de uma grande quantia de dinheiro. De forma geral, existem 3 opções para você adquirir esse dinheiro:

  1. Emitir títulos de dívida: Esse título de dívida de longo prazo se chama debênture. É literalmente um empréstimo, a empresa captou dinheiro dos investidores e depois vai repagar o principal acrescido de juros.

  1. Emitir ações: Outra alternativa seria vender uma parte de sua empresa. Imagine que você venda 49% dela por uma quantia expressiva de dinheiro. Dessa forma, você poderá financiar seus projetos e expansões, mantendo o controle da empresa, e, no futuro, obter um retorno maior com seus 51% do que se tivesse mantido 100% do controle sem captar esse capital. Com essa opção, a empresa pode emitir novas ações, diluindo a participação dos atuais acionistas, ou vender as ações já existentes.

  1. Captar dinheiro com bancos: Essa aqui é simples, basta chegar na porta do banco e pegar um grande empréstimo. O problema é que essa modalidade costuma ser mais cara e mais burocrática, e ainda é capaz que o banco rejeite ou financie apenas uma quantidade inferior do que a desejada.

Vamos focar nas duas primeiras opções por enquanto.

Agora, suponha que essa empresa privada queira emitir ações pela primeira vez. Ela faz essa operação no mercado primário. O mercado primário é onde as ações e os títulos são vendidos diretamente do emissor para os investidores. Nesse caso, a empresa é a emissora. O mercado primário é onde as ações e os títulos ficam disponíveis pela primeira vez. Essa primeira venda de ações é chamada de Initial Public Offering (IPO) ou Oferta Pública Inicial.

Geralmente instituições como bancos de investimento, fundos de investimento, fundos de pensões e empresas de seguros são os únicos agentes compradores nos mercados primários. Normalmente investidores individuais não costumam participar no mercado primário.

Mercado Secundário

O mercado secundário, por outro lado, é conhecido pelo nome de “mercado de ações”. A bolsa brasileira “B3” é um exemplo de mercado secundário. Aqui, você encontra muitos investidores individuais participando das negociações.

Quando uma ação é vendida no mercado secundário, o emissor não recebe nenhum dinheiro adicional, como ocorre no mercado primário. Na verdade, a principal diferença entre os dois mercados é que, no mercado primário, o emissor emite as ações e recebe o dinheiro por isso, enquanto, no mercado secundário, as ações são compradas e vendidas entre os investidores.

Isso significa que, se um investidor comprar ações de uma empresa no mercado secundário (como na bolsa de valores, por exemplo), ele estará comprando essas ações de outro investidor. Portanto, é a lei da oferta e da demanda por ações individuais que determina seu preço.

Se houver mais compradores do que vendedores, o preço da ação irá subir até encontrar um vendedor. O oposto também se aplica: se houver mais vendedores do que compradores, o preço da ação irá cair até encontrar um comprador.

E a Renda Fixa?

A lógica aqui é a mesma. Em vez de negociar ações, como mencionamos acima, as empresas também emitem títulos de dívida (mercado primário), que depois ficam à disposição para os investidores individuais comprarem e negociarem entre si (mercado secundário). Uma característica importante do mercado de crédito privado (títulos de dívida de empresas) no Brasil é que ele possui uma liquidez muito menor do que o mercado de ações. Por isso, caso você compre uma debênture de uma empresa, talvez seja difícil revendê-la pelo seu preço justo.

Confira abaixo os principais títulos de crédito privado:

  • Debêntures: Título de dívida de empresas não financeiras. Possuem prazo de vencimento elevado, acima de um ano.

  • Notas Promissórias: Título de dívida de empresas não financeiras. Possuem prazo de vencimento curto, normalmente entre 30 e 180 dias podendo ter no máximo um ano.

  • Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI): Títulos lastreados em créditos imobiliários, como empreendimentos de imóveis. Eles são emitidos por companhias securitizadoras e oferecem aos investidores a oportunidade de receber fluxos de pagamentos futuros provenientes de contratos imobiliários.

  • Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA): Funciona da mesma maneira do título acima, mas é lastreado em recebíveis gerados no setor do agronegócio.

  • Letra de Crédito Imobiliário e do Agronegócio (LCI e LCA): Títulos lastreados à créditos imobiliários ou do agronegócio. São emitidos por bancos e oferecem a oportunidade de financiar os setores de forma indireta.

  • Certificados de Depósito Bancário (CDB): Título de dívida emitido pelo banco. Literalmente um empréstimo para o banco.

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Introdução à Renda Variável https://recortefinanceiro.linkan.com.br/introducao-a-renda-variavel/ https://recortefinanceiro.linkan.com.br/introducao-a-renda-variavel/#comments Tue, 27 Aug 2024 01:46:52 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=268 Assim como você já pode ter imaginado pelo nome dessa categoria de investimento, a renda variável é o tipo de investimento em que o retorno varia ao longo do tempo. Mas por que isso acontece? Ao contrário da renda fixa onde a rentabilidade e o prazo de vencimento são conhecidos previamente, na renda variável os ganhos ou perdas dependem de diversos fatores como por exemplo: o desempenho das empresas, cenário econômico local e global, eventos globais, entre outros.

Como vimos anteriormente, a renda fixa se assemelha com um empréstimo, por isso possui maior previsibilidade de retorno. No caso da renda variável estamos falando, na maior parte das vezes, sobre a aquisição de bens e ativos. E o que seriam esses bens e ativos? Podem ser ações, imóveis, fundos de investimentos, commodities, moedas e derivativos.

Vamos analisar quais são os principais ativos de renda variável.

Ações

Uma ação representa uma participação na propriedade de uma empresa, incluindo um direito sobre os lucros e os ativos. Quando você compra uma ação você se torna dono de uma parte dessa empresa. Como dono de uma empresa, você tem basicamente duas maneiras de ser remunerado:

  1. Apreciação da ação/empresa: Você compra uma ação por R$100 e, conforme a empresa vai crescendo e apresentando maiores lucros, seu preço também aumenta. Você pode optar por vender essa ação a um preço mais alto e obter um lucro nessa operação.
  2. Recebimento de parte dos lucros: Todas as empresas visam o lucro. E o que elas fazem com esse lucro? Ou reinvestem de volta no negócio visando crescer cada vez mais, ou elas repassam esse dinheiro para o acionista na forma de dividendos.

É importante entender que, diferentemente de um CDB ou um título público, ações não possuem prazo de vencimento. Ações continuarão existindo enquanto a empresa existir, ou como dizemos no mercado, existirá na perpetuidade.

Na bolsa de valores, as ações são identificadas por meio de códigos que chamamos de tickers. Esses tickers são compostos de 4 letras e um ou dois números. Por exemplo, o banco Santander é representado pelo código SANB3, SANB4 ou SANB11. No geral, existem 3 tipos de ações:

  1. Ordinárias (ON): As ações ordinárias são aquelas que dão direito de voto para o acionista. Quem possui a maioria das ações ordinárias é quem de fato controla e manda na empresa. Ações ordinárias sempre terminam com o número 3 na bolsa de valores. Por exemplo, SANB3 é a ação ordinária do Santander. Outro atributo deste tipo de ação é que, por lei, existe um direito de tag along de no mínimo 80%. Isso significa que, caso o controlador da empresa decida vender a empresa por R$100 por ação, você como acionista minoritário tem o direito de receber no mínimo R$80 por ação.
  1. Preferenciais (PN): As ações preferenciais terminam com os números 4, 5 ou 6. Este tipo de ação não dá nenhum direito de voto ao acionista. Ou seja, mesmo que você adquira todas as ações preferenciais da empresa, continuará sem ter nenhum poder de decisão. Então, por que investir nesse tipo de ação? Porque ela oferece preferência no recebimento de dividendos. Você acaba recebendo mais dividendos do que os acionistas de ações ordinárias e de forma antecipada. Nessa modalidade, o direito de tag along também é variável.
  1. Units: Ações units sempre terminam com o número 11. São basicamente uma combinação de ações ON e PN. Algumas empresas podem ter baixa liquidez em suas ações ON e PN quando negociadas separadamente. Ao combiná-las em units, as empresas conseguem aumentar a liquidez, tornando o ativo mais atrativo para os investidores. No caso do Santander, sua ação unit SANB11 é composta por uma ação ON e uma ação PN.

É importante lembrar que na B3, a bolsa de valores do Brasil, as ações podem ser negociadas em lotes-padrão ou no mercado fracionário. Um lote-padrão de ações é composto por 100 ações da empresa, ou seja, ao comprar ou vender ações em lote-padrão você estará negociando múltiplos de 100 ações.

Por exemplo, se as ações ordinárias do Santander (SANB3) estiverem cotadas a R$10, ao comprá-las você adquirirá 100 ações, totalizando um investimento de R$1.000.

Mas e se você quiser comprar menos de um lote? Nesse caso você pode negociar no mercado fracionário. Nesse mercado você negocia as ações individualmente. Você pode negociar de 1 à 99 ações. Para negociar no mercado fracionário basta adicionar a letra “F” no final do código das ações. Por exemplo: SANB3F, SANB4F, SANB11F, etc.

Quais são os principais impostos envolvidos nas operações com ações?

Imposto de Renda (IR):

  • Isenção: Para vendas mensais de ações que totalizem até R$ 20.000,00, o investidor é isento de Imposto de Renda sobre o lucro dessas operações. Apenas para operações normais, acima de um dia. Day trade não possui essa isenção.
  • Alíquota: 15% sobre o lucro líquido em operações comuns (quando as ações são vendidas em prazos superiores a um dia).
  • Alíquota em Day Trade: 20% sobre o lucro líquido em operações de day trade (compra e venda de ações no mesmo dia).

Dividendos recebidos de empresas brasileiras são isentos de Imposto de Renda, válido apenas para pessoas físicas.
Distribuição de proventos na forma de Juros Sobre Capital Próprio (JCP) possuem 15% de Imposto de Renda retido na fonte.

Existe também a Compensação de Prejuízos.
Prejuízos apurados em um mês podem ser compensados com lucros futuros em meses subsequentes, reduzindo a base de cálculo do Imposto de Renda. A compensação pode ser feita tanto para operações comuns quanto para day trade, mas não entre os dois tipos de operação (ou seja, prejuízo em day trade só pode compensar lucro de day trade).

Fundos Imobiliários (FII’s)

Fundos imobiliários são extremamente populares no Brasil e vem crescendo cada vez mais. Os fundos imobiliários (FII’s) são uma forma de investimento coletivo que permite aos investidores aplicarem recursos em imóveis ou em ativos relacionados ao setor imobiliário. Assim como nas ações, você tem duas maneiras de ganhar dinheiro investindo em FII’s, através da valorização das cotas e com a distribuição de rendimentos. Devido à estabilidade dos imóveis, a valorização das cotas dos fundos imobiliários tende a ser menos expressiva e, de forma geral, menos voláteis do que as ações. Por isso, os rendimentos mensais representam a maior parte dos ganhos.

O que acontece na prática é que o fundo de investimentos capta o dinheiro dos investidores e em troca entrega cotas para eles. Com esse dinheiro o fundo geralmente compra imóveis, terrenos ou renda fixa atrelada ao crédito imobiliário. Assim, os FII’s se dividem principalmente em dois tipos: fundos de papel e fundos de tijolo. Cada tipo possui características e objetivos distintos.

Tijolo:

  • Tem esse nome pois ele investe majoritariamente em ativos fixos, imóveis. Esses imóveis podem ser prédios corporativos, galpões logísticos, shoppings, hospitais, hotéis, apartamentos residenciais e até mesmo cemitérios. Permitem que os investidores participem do mercado imobiliário sem a necessidade de adquirir um imóvel diretamente.
  • Veja abaixo a carteira de um fundo de tijolo em shoppings.

Papel:

  • Os fundos de papel tem esse nome pois investem em títulos, notoriamente os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI’s). Esses títulos são emitidos com lastro em diversos empreendimentos imobiliários e seus aluguéis. os CRI’s são títulos com aplicação mínimo elevado e normalmente não estão acessíveis ao pequeno investidor, portanto os FII’s são uma maneira prática de acessar esse mercado.
  • Veja abaixo a carteira de um fundo de papel.
Carteira de um fundo de papel que investe em Certificados de Recebíveis Imobiliários, CRI’s. Observe a diversificação que foi feita em diversos segmentos do mercado imobiliário.

Qual é a diferença entre investir direto em um imóvel ou investir em FII’s?

Sendo proprietário de um imóvel você participa de todas as decisões referentes a obras reformas e melhorias mesmo que tenha uma imobiliária por trás auxiliando. Você também participa das negociações de preços de aluguel e condições para a entrada e saída de inquilinos.

Nos FII’s, ao investir você se torna dono de uma parte do fundo e não do imóvel, portanto as decisões são compartilhadas com outros cotistas. Os FII’s possuem equipes de administradores e gestores que possuem experiência no mercado imobiliário e que cuidam do portfólio de imóveis e analisam novas oportunidades. Normalmente possuem mais conhecimento do mercado e mais poder de negociação do que um indivíduo sozinho.

Os FII’s possibilitam uma maior diversificação em segmentos do setor imobiliário com um capital menor. Com apenas R$10,00 você já pode ser cotista de diversos fundos. Até o momento desse artigo, os proventos dos FII’s são isentos de imposto de renda para as pessoas físicas desde que respeitadas outros requisitos para a isenção (tamanho do fundo, etc). Por outro lado, os aluguéis de investimento direto em imóveis sofrem tributação conforme a renda.

Enquanto a maioria do investimento direto em imóveis se limita ao setor residencial, os FII’s exploram diversos segmentos e reduzem o risco de se ter apenas um inquilino.

Pontos Positivos Fundos de Tijolo:

  • Os imóveis tendem a repor a inflação no longo prazo por serem ativos reais. O cotista também recebe proventos que são os aluguéis recebidos e são isentos de IR para a pessoa física.
  • Equipe de gestão pode ser capaz de fazer bons negócios.
  • Vacância controlada.
  • Decisões dos cotistas.

Pontos Positivos Fundos de Papel:

  • Distribuem os juros recebidos corrigidos por indexadores como o IPCA, IGP-M e CDI. Como a correção da inflação também é distribuída como rendimento, isso pode levar a um rendimento maior em relação aos fundos de tijolo no curto prazo, porém diminui o patrimônio do FII no médio prazo. Por isso, esses fundos costumam fazer emissões com mais frequência para captar mais recursos e continuar investindo.

Em ambos os casos, apesar do cotista não ter grandes ganhos de capital no longo prazo com a valorização das cotas, o patrimônio pode crescer exponencialmente com a reaplicação dos proventos. Por isso os fundos imobiliários são uma boa opção para o investidor que quer diversificar no setor imobiliário e o reinvestimento da renda recebida ajuda a turbinar o acúmulo de patrimônio.

Na bolsa de valores, os FIIs são negociados com um código composto por quatro letras seguido pelo número 11, por exemplo: MXRF11. Diferentemente das ações, os FIIs são comprados de forma unitária, o que significa que você pode adquirir cotas individuais.

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