Carreiras – Recorte Financeiro https://recortefinanceiro.linkan.com.br Blog Fri, 11 Oct 2024 01:15:00 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 Diferença entre Private Banking e Wealth Management https://recortefinanceiro.linkan.com.br/diferenca-entre-private-banking-e-wealth-management/ Fri, 11 Oct 2024 01:15:00 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=550 Não é de se espantar que duas áreas que lidam com clientes endinheirados possam gerar confusão. Com o rápido desenvolvimento do mercado financeiro brasileiro e com a popularização de conteúdos sobre investimentos nas redes sociais, muitas pessoas se deparam com essas duas áreas de investimentos e não enxergam suas diferenças. Tanto para clientes quanto para trabalhadores de outras áreas do mercado financeiro, essa costuma ser uma dúvida comum.

Private Banking e Wealth Management são ambos serviços financeiros focados em indivíduos que possuem um grande patrimônio, em inglês, utiliza-se a sigla HNWI’s (High-Net-Worth Individuals). Essas duas áreas se diferem em relação ao foco, abordagem e gama de serviços oferecidos.

Vamos primeiro verificar o que cada um faz na prática e, depois, veremos em detalhe suas principais diferenças.

Private Banking

Como você já pode ter imaginado pelo nome, Private Banking pode ser traduzido como “serviço bancário personalizado”. É um serviço ofertado por grandes bancos para indivíduos com altos patrimônios. O foco principal é fornecer soluções personalizadas de acordo com as demandas dos clientes, com a ajuda de um consultor profissional. Os principais serviços prestados incluem:

  • Aconselhamento sobre investimentos e produtos bancários;
  • Cartões de Crédito premium;
  • Empréstimos e financiamentos sob medida e com melhores condições;
  • Serviço de câmbio, remessas internacionais, contas internacionais;
  • Gestão de conta corrente;

Geralmente, o Private Banking é mais centrado em produtos e soluções do próprio banco, voltados para facilitar as finanças do dia a dia de clientes ricos.

Por mais que, historicamente, esse fosse um serviço prestado apenas pelos grandes bancos, hoje em dia, algumas corretoras criaram seus próprios bancos e também começaram a prestar serviços bancários, como conta corrente, cartões e transferências. Com isso, elas também atuam no segmento de Private Banking.

Wealth Management

Em português, significa algo como “Gestão de riquezas” ou ” Gestão de patrimônio”. Profissionais dessa área têm a responsabilidade de cuidar e realizar a gestão do patrimônio dos clientes. Esse é um serviço um pouco mais amplo e seu foco está na preservação e crescimento do patrimônio do cliente no longo prazo. Seus principais serviços incluem:

  • Gestão dos investimentos (ações, renda fixa, investimentos no exterior, entre outros);
  • Planejamento sucessório e gestão de herança;
  • Planejamento tributário e fiscal;
  • Planejamento de aposentadoria;
  • Gestão de risco, tanto dos investimentos quanto aos demais bens;

O Wealth Management é mais personalizado e envolve um planejamento mais abrangente de longo prazo buscando preservar e rentabilizar o patrimônio dos clientes. Pode ser oferecido tanto em grandes bancos como em instituições independentes.

6 Principais diferenças entre Private Banking e Wealth Management

Muito bem, agora que você já está familiarizado com os nomes e o que cada um faz, vamos olhar em detalhe as suas principais diferenças:

1 – Variedade de Serviços

Por mais que as duas áreas tenham seu foco em gerir os ativos dos clientes, o Private Banking oferece serviços bancários, gestão de investimentos, serviços de conta corrente e alguns serviços simples de consultoria tributária. O Wealth Management presta serviços de consultoria nas áreas de alocação de ativos, planejamento tributário e patrimonial, pensões e aposentadorias, gestão de imóveis e realocação de famílias e suas empresas.

2 – Abordagem: Institucional vs Personalizada

O modelo de Private Banking oferece soluções personalizadas, com pacotes bancários disponíveis para indivíduos com alto patrimônio líquido (HNWI’s) ou indivíduos com patrimônios ultra elevados (UHNWI’s). Já o Wealth Management foca mais na orientação financeira e na gestão integrada da riqueza, cuidando desde sua acumulação, preservação, crescimento e sucessão. Ele começa desenvolvendo um planejamento financeiro adaptado às necessidades do indivíduo e de sua família e, depois, coloca em prática esse planejamento com a ajuda de profissionais de áreas relevantes (tributária, jurídica, etc). Com o passar do tempo, o gestor monitora junto ao cliente o progresso do plano e as metas familiares, realizando os ajustes necessários conforme as circunstâncias mudam.

3 – Independência: Uma opção vs Múltiplas opções

O Private Banking apenas oferece os serviços de seus próprios bancos para os clientes, não que isso seja um problema, pois os clientes desse segmento são os mais cobiçados e disputados pelo mercado por serem os que mais geram retorno para os bancos. Por isso o atendimento e a qualidade dos serviços costumam ser muito bons. Mas, por outro lado, o serviço de Wealth Management sendo prestado por uma empresa independente, possibilita uma maior personalização e maiores opções de produtos em diversas instituições, permitindo que o cliente escolha o que melhor lhe servir. É comum que um cliente de Wealth Management utilize mais de uma instituição.

4 – Estratégia de Investimentos: Flexibilidade e Reação

O serviço de Wealth Management tem o benefício de ter a flexibilidade e a agilidade para agir no melhor interesse do cliente, pois o gestor é independente nas escolhas sobre os ativos que constituem a carteira de investimentos e os ativos do cliente. Por outro lado, o Private Banking possui uma estrutura mais ‘pesada’ e burocrática, que atrasa um pouco as tomadas de decisões, sendo menos independente e menos transparente. Por exemplo, os investimentos escolhidos para a carteira do cliente podem gerar alguns conflitos de interesse.

5 – Contato: Foco exclusivo no relacionamento

Com o Wealth Management, tudo começa com o entendimento da realidade e das preocupações do cliente, e, então, desenvolvendo e implementando um plano para atingir as metas do cliente, sempre focando em trazer segurança e tranquilidade para sua vida e de sua família. Como você pode imaginar, esse é um serviço muito personalizado. Durante o procedimento, é fundamental que o gestor questione o cliente sobre temas sensíveis e que, por vezes, podem passar despercebidos. Dessa maneira, uma relação duradoura de confiança é estabelecida entre o gestor e o cliente. Perceba que, na maioria dos casos no Wealth Management, os clientes são do gestor e não da empresa; a empresa serve apenas para dar suporte e orientações para os gestores.

No caso do Private Banking, os serviços e as soluções propostas requerem menos tempo, menos relacionamento e menos conhecimento sobre o cliente, pois seus serviços são como “pacotes” que são apenas adaptados de acordo com o maior ou menor apetite de risco do cliente, e também de acordo com o tamanho de seu patrimônio.

6 – Otimização de custos

No Wealth Management, o cliente pode otimizar seus custos porque ele tem acesso a uma série de serviços e instituições (bancos, corretoras e empresas de seguros, por exemplo) sem precisar se encontrar e negociar com todas elas. O cliente também se beneficia do poder de negociação do gestor e da empresa de Wealth Management, algo que ele não conseguiria caso fosse um investidor individual. Por exemplo, um cliente de uma grande empresa de Wealth Management com bilhões sob gestão pode conseguir termos mais favoráveis em taxas de corretagem, menores taxas de gestão de fundos exclusivos, menores taxas em fundos exclusivos de previdência, etc.

Quais são os requisitos para ser cliente em Private Banking e no Wealth Management?

O Private Banking é o maior nível de relacionamento do banco com o cliente, por isso os requisitos também são elevados. No Brasil, é comum que o requisito mínimo para pertencer ao segmento Private seja algo entre R$ 3 milhões e R$ 5 milhões. Dependendo do banco, esses valores podem variar, mas, via de regra, você dificilmente conseguirá entrar nesse setor com menos do que isso.

Por outro lado, pelo fato de o Wealth Management ser um serviço prestado por empresas independentes, pode ser que os valores necessários sejam menores. No Brasil, é comum que esse serviço seja ofertado para clientes que tenham a partir de R$ 500 mil em investimentos. Obviamente, quanto menor for seu patrimônio investido, menor será a sofisticação do serviço prestado e do atendimento. Um cliente com R$ 500 mil investidos possui muito menos opções e necessidades do que um cliente que possui R$ 5 milhões. Por isso, cada empresa de Wealth Management possui seus próprios requisitos mínimos para começar o atendimento.

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Principais Áreas do Mercado Financeiro. Parte 1 https://recortefinanceiro.linkan.com.br/principais-areas-do-mercado-financeiro-parte-1/ Sat, 21 Sep 2024 14:49:49 +0000 https://recortefinanceiro.com.br/?p=440 O mercado financeiro é um dos setores mais dinâmicos, promissores e importantes da economia. Ele é responsável por conectar quem tem recursos financeiros com quem precisa de capital para investir, gerar empregos e estimular o crescimento econômico.

Abrangendo desde posições mais técnicas até mais comerciais, o mercado financeiro oferece boas oportunidades de carreira para todos os tipos de pessoa. De forma geral, pode-se dizer que é um setor meritocrático. As pessoas mais qualificadas e que entregam mais resultado consequentemente acabam tendo as melhores remunerações.

Por conta disso, muitas pessoas buscam trabalhar no mercado financeiro, seja desde o começo da carreira como estagiário, ou até mesmo como uma transição de carreira. Na minha opinião, o principal obstáculo que faz com que as pessoas não consigam uma posição nesse mercado é o desconhecimento sobre suas principais áreas e o que cada uma delas faz.

Na busca de qualquer emprego, você precisa saber e entender o modelo de negócios, como a empresa ganha dinheiro, as habilidades que serão utilizadas no dia a dia, o conhecimento técnico que é exigido em cada posição e também como as diferentes áreas se complementam.

É importante também analisar se a vaga faz parte do frontoffice ou do backoffice. Normalmente, em posições do frontoffice você vai aprender mais, ter uma remuneração melhor e também ter mais portas de saída caso queira mudar de área no futuro. Vamos verificar a diferença entre essas duas áreas:

Frontoffice: é a área responsável pelo contato direto com clientes e pelas atividades que geram receita para a empresa. Inclui profissionais que trabalham na linha de frente, como gerentes de relacionamento, corretores, analistas de investimentos e consultores financeiros, e é onde são tomadas as decisões de compra e venda de ativos, negociação de produtos financeiros e atendimento a clientes. Em resumo, o frontoffice é o “rosto” da empresa no mercado, sendo a área mais exposta às operações de alto impacto e ao contato direto com os clientes.

Backoffice: Envolve o suporte operacional e administrativo às atividades do frontoffice. Inclui funções como processamento de transações, controle de riscos, compliance, contabilidade e gestão de dados. O backoffice garante que todas as operações realizadas pelo frontoffice sejam processadas corretamente e cumpram as regulamentações.

Vamos verificar agora as principais áreas do mercado financeiro, suas características, e quais são as habilidades necessárias para se trabalhar em cada uma delas.

Investment Banking (IB)

Popularmente conhecida como a área que mais paga no mercado financeiro, essa área é responsável por fornecer serviços de consultoria financeira e captação de recursos para empresas. Ela é dividida em dois segmentos, ECM (Equity Capital Markets) e DCM (Debt Capital Markets).

ECM: É a divisão responsável por todas as operações relacionadas ao equity, ou seja, ao capital próprio da empresa. Um bom exemplo seria uma operação de IPO (Oferta Pública Inicial), que é quando uma empresa de capital fechado decide abrir capital e ser listada em bolsa de valores, captando recursos no mercado primário.

Outro tipo de operação conduzida pela equipe de ECM é o Follow On. Nesse tipo de transação, uma empresa que já possui ações listadas na bolsa decide realizar uma nova captação de recursos. Para isso, as empresas contratam a consultoria de uma equipe de Investment Banking, que auxilia na estruturação e execução da oferta, garantindo o sucesso da emissão e o acesso ao capital desejado.

A terceira, e mais comum, operação da divisão de ECM é o M&A, sigla para ‘fusões e aquisições’. Nesses casos, empresas contratam a consultoria financeira da equipe de Investment Banking para auxiliar no processo de fusão entre companhias ou na aquisição de uma empresa por outra, oferecendo suporte em todas as etapas da transação, desde a avaliação de ativos até a negociação final.

DCM: Por outro lado, como você pode ter imaginado pelo nome ‘debt‘ dessa divisão, a equipe de DCM é encarregada da estruturação de operações de dívidas. Enquanto o ECM é responsável por operações envolvendo o capital próprio da empresa, o DCM cuida das operações envolvendo o capital de terceiros, mais especificamente dívidas.

Por exemplo, empresas que emitem títulos de dívida como CRI, CRA e Debêntures contam com o serviço de uma equipe de DCM. Esses instrumentos são opções para empresas que desejam levantar capital sem vender participação acionária.

Os profissionais que atuam em IB são responsáveis pela estruturação dessas operações, com funções que abrangem desde a modelagem financeira e a precificação dos ativos até a venda desses ativos para os investidores. Lembrando que o ECM trabalha com ações e capital próprio, enquanto o DCM trabalha com dívidas e capital de terceiros.

Muito bem, mas por que essa área tem uma remuneração tão elevada? Simplesmente porque os negócios, os “deals“, em investment banking geram muita receita para os bancos.

Imagine que uma grande empresa queira abrir seu capital na bolsa de valores. Ela, obviamente, gostaria de captar o maior valor possível com a venda de suas ações. A equipe de IB vai fazer de tudo para obter o melhor valor para a empresa cliente e, para isso, cobrará uma comissão em cima do valor de venda. Imagine que a empresa consiga levantar R$ 10 bilhões em seu IPO e tenha acertado uma taxa de comissão de 1% com o banco que a ajudou; essa operação geraria R$ 100 milhões de comissão para o banco.

É por isso que dentro de IB, a área de ECM acaba tendo uma remuneração um pouco maior que a área de DCM, pois as operações com ações acabam envolvendo valores muito maiores do que as operações de dívida.

Por outro lado, nem tudo são flores; as pessoas costumam dizer que quem trabalha com IB está vendendo sua vida, porque a carga horária dessa função é bem elevada, talvez a maior dentro do mercado financeiro. A questão de qualidade de vida fica em segundo plano, mas a remuneração elevada faz com que essa área seja uma das mais concorridas.

Vejamos as principais formas de entrar em IB:

Não gosto de ser pessimista e nem de desincentivar as pessoas, mas entrar em IB dentro dos grandes bancos como analista Jr é praticamente impossível. O caminho mais comum costuma ser através de programas de estágio ou trainee. Caso você não puder mais estagiar e nem participar de programas de trainee, suas opções ficarão limitadas a vagas em boutiques de M&A, empresas menores e independentes que lidam com operações menores de fusões e aquisições.

Pré-requisitos para trabalhar em IB:

  1. Conhecimento prático de análise fundamentalista e valuation;
  2. Modelagem financeira com projeções para diferentes cenários;
  3. Contabilidade;
  4. Análise setorial e análise macroeconômica;
  5. Trabalhar muito sem perder produtividade;
  6. Excel avançado e atenção aos detalhes;

Research

A área de Research (análise, ou pesquisa) é responsável por realizar estudos e relatórios detalhados sobre mercados, empresas, setores econômicos e ativos financeiros. O objetivo é fornecer informações fundamentadas para a tomada de decisões nos investimentos.

Analistas de Research realizam avaliações financeiras, projeções de resultados e recomendações sobre compra, venda ou manutenção de ativos como ações ou títulos de renda fixa; mas o mais comum é encontrar análises sobre ações. O nome dessa área de análise de ações é Equity Research.

Via de regra, esses profissionais se dividem por setores. Por exemplo, dentro de um grande banco, uma equipe de Equity Research é encarregada de realizar pesquisas e análises sobre o setor de gás e petróleo, outra cuida do setor bancário, e outra analisa as empresas varejistas, e assim por diante.

Profissionais dessa área podem trabalhar em duas posições difentes, o Sell Side e o Buy Side.

Sell Side: É composto por bancos, corretoras e casas de análises independentes, essa área produz relatórios de Research para outros investidores tomarem decisões de compra ou venda de ativos. Em bancos e corretoras essas análises costumam ser públicas; em casas de análises independentes, obviamente, esses relatórios são pagos, pois é assim que elas ganham dinheiro.

Perceba que, no Sell Side, pode haver um conflito de interesses. Imagine que o banco está assessorando uma grande empresa em uma operação de IPO, o que resultará em uma boa remuneração para o banco. O analista de Research desse banco pode ficar inclinado a afirmar que a ação do IPO é uma boa oportunidade, garantindo o sucesso da operação e a grande remuneração. O Brasil possui excelentes analistas de Research no Sell Side, e ninguém realiza esse tipo de ‘conluio’ de forma intencional, mas é um ponto ao qual devemos estar atentos.

Buy Side: É composto por empresas que realizam a gestão do patrimônio de terceiros (asset management). Como exemplo, podemos citar principalmente os fundos de investimento e os fundos de pensão.

Você se lembra do artigo sobre fundos de investimento em que mencionamos que todos os fundos são formados por um gestor e uma equipe de analistas? Esses analistas são os que trabalham com o Research Buy Side. Suas análises servem para auxiliar e guiar o gestor do fundo na compra ou venda de um determinado ativo; eles possuem uma influência direta na performance do fundo.

Como e onde conseguir uma vaga em Research?

Essa área costuma ter mais vagas disponíveis do que em IB, por exemplo, e sim, você pode começar como analista Jr sem problemas. Essas vagas são divididas entre o sell side e o buy side, como mencionamos acima, e podem ser encontradas em grandes bancos, corretoras, fundos de investimento, fundos de pensão e casas de análises independentes.

Habilidades necessárias para trabalhar com Research:

  • Modelagem Financeira e Valuation;
  • Análise Setorial e, em menor grau, análise macroeconômica;
  • Contabilidade;
  • Saber escrever bons relatórios;
  • Compreender muito bem o modelo de negócios das empresas;

Crédito

O trabalho de um analista de crédito consiste em avaliar o risco de repagamento de uma dívida, ou a qualidade dessa dívida. No crédito, o foco das análises está no risco: analisar o que pode dar errado em uma empresa que pretende tomar um empréstimo.

Para entender e avaliar esse risco, é fundamental entender quem é o devedor. Nas empresas, é importante analisar o modelo de negócios, o setor em que ela está inserida, quem são seus fornecedores e clientes, se a empresa tem boas margens de lucro ou não, se a sua receita é mais estável ou não, sua capacidade de geração de caixa, entre outros.

Por exemplo, imagine que você trabalha em um grande banco e uma empresa do agronegócio queira pegar emprestado R$ 50 milhões. Essa empresa conseguirá pagar de volta o valor total mais os juros? Ela gera caixa o suficiente para suprir essa despesa? E se o preço da mercadoria cair, derrubando assim sua receita, o que aconteceria?

Assim como mencionamos no artigo sobre Renda Fixa, quanto maior o risco envolvido, maior o retorno exigido. Perceba que o analista de crédito não vai reprovar uma operação somente porque ela é mais arriscada; ele deve verificar também o retorno esperado da operação. Com uma empresa que apresenta riscos elevados, os juros cobrados também deverão ser maiores.

Diferente de uma análise de ações, onde o foco está no crescimento da empresa, no aumento de seus lucros ou nos retornos para os acionistas, a análise de crédito concentra-se na capacidade da empresa de honrar suas dívidas. O principal objetivo é avaliar se a empresa terá condições de cumprir com seus compromissos financeiros, independentemente de seu crescimento ou rentabilidade.

Como e onde encontrar vagas na área de crédito?

De todas as áreas que mencionamos aqui, a de crédito costuma ter mais vagas disponíveis. Isso ocorre porque o crédito, ou a concessão de empréstimos, é o principal modelo de negócios dos bancos.

Você pode encontrar boas vagas principalmente em bancos. Recomendo que busque o segmento de Corporate ou Middle Corporate, onde os bancos atendem grandes empresas. As vagas no varejo bancário não costumam ser boas.

Outra opção seria trabalhar em fundos de investimento de crédito privado. Nesse caso, a análise consiste em avaliar títulos de renda fixa para determinar se a relação entre risco e retorno é favorável para a compra pelo fundo.

Uma diferença importante é que um banco pode trabalhar com uma perda esperada acima de zero, pois eventuais perdas com empréstimos podem ser compensadas com a receita proveniente de outros produtos e serviços, como taxas de câmbio, por exemplo. No caso dos fundos de investimento, eles operam com uma perda esperada de zero. Qualquer prejuízo, por menor que seja, reflete diretamente na rentabilidade do fundo e pode ‘manchar’ seu histórico de desempenho, especialmente ao analisar o gráfico de rentabilidade.

Habilidades necessárias para trabalhar com Crédito:

  • Modelagem financeira
  • Análise Setorial e, em menor grau, análise macroeconômica;
  • Contabilidade;
  • Compreender muito bem a capacidade de geração de caixa da empresa;
  • Compreender os riscos envolvidos no modelo de negócios da empresa

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